O dólar abriu em leve alta nesta quinta-feira (24), com o mercado acompanhando alguns dos movimentos no exterior. Nesta manhã, o petróleo abriu em alta. Às 9h59, o Brent avançava 2,16%, cotado a US$ 105. A alta ocorre após a troca de ameaças entre EUA e Irã em seus discursos na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), movimento que foi visto pelo mercado como um maior afastamento de um acordo de paz, estagnado há mais de dois meses. Sem perspectiva de resolução, permanece a preocupação com um possível bloqueio no estreito de Hormuz, por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás antes da guerra. Os investidores também acompanham os rendimentos dos títulos do Tesouro americano. Na quarta-feira (23), o Treasury de dez anos avançou ao maior patamar desde 2007, chegando a 5,132% na máxima. Às 10h desta quinta, o rendimento estava em 5,147%, com alta de 0,29%. O título de 30 anos estava em 5,443%, com alta de 0,57%. . Na agenda do dia, os investidores acompanham ainda o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping. No cenário doméstico, o mercado acompanha o novo Relatório de Política Monetária do BC (Banco Central) e a entrevista do presidente da instituição, Gabriel Galípolo, que acontece às 11h. No relatório, o BC atualizou suas projeções econômicas. A expectativa de crescimento do PI (Produto Interno Bruto) em 2026 passou de 2,0% para 1,8%, enquanto a projeção para o próximo ano é de 1,4%. A expectativa é que a entrevista dê pistas sobre os próximos passos da Selic. Também está no radar a nova pesquisa Datafolha, que divulga nesta quinta, a partir das 18h45, uma nova rodada sobre a intenção de voto para presidente e para os governos de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco e Distrito Federal. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Na véspera (23), a moeda americana fechou em alta de 1,28%, a R$ 5,168, enquanto a Bolsa recuou 0,85%, a 185.814 pontos, em pregão marcado pela volatilidade. Durante o dia, investidores estiveram mais cautelosos diante da falta de acordos envolvendo a guerra no Irã e com os preços do petróleo próximos dos US$ 100. O movimento global de aversão ao risco pesou sobre mercados acionários e ativos de países emergentes. Na terça-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, e os enviados dos EUA Steve Witkoff e Jared Kushner conversaram à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Foi o primeiro contato entre autoridades dos dois países desde o fracasso de um acordo provisório de cessar-fogo em julho. Também há a possibilidade de um encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, nesta semana. A alta do petróleo eleva as perspectivas para a inflação e aumenta a cautela dos investidores diante do temor de manutenção dos juros em níveis elevados por mais tempo, o que tende a pressionar ativos de risco. Por outro lado, o avanço dos preços da commodity melhora as perspectivas de receita, geração de caixa e rentabilidade das empresas produtoras, além de favorecer o fluxo estrangeiro para as ações brasileiras. Durante o pregão, a Petrobras reagiu ao avanço dos preços do petróleo e à elevação da recomendação para compra pelo banco UBS BB. Em relatório, a instituição afirmou que a companhia tem elevada exposição à commodity e é favorecida por ser exportadora líquida, sem grandes impactos operacionais decorrentes do conflito no Oriente Médio. Lá fora, o impacto foi mais negativo. As Bolsas dos EUA recuaram em bloco, com S&P 500, Dow Jones e Nasdaq em queda de 0,75%, 0,74% e 1,14%, respectivamente. No mercado de títulos, o rendimento do Treasury de 10 anos avançou ao maior patamar desde 2007, chegando a 5,132% na máxima, nível mais elevado desde junho de 2007. Além do preço do petróleo, os investidores adotaram maior cautela após o avanço do Índice de Gerentes de Compras (PMI) dos EUA, que subiu a 58,4 em setembro, ante expectativa de queda para 55,3, segundo analistas consultados pela Bloomberg. O resultado reforçou a percepção de uma atividade econômica resiliente e alimentou temores de novas pressões inflacionárias. "Havia expectativa de desaceleração tanto na indústria quanto nos serviços, após números já fortes nos meses anteriores. No entanto, o resultado mostrou justamente o contrário: a atividade não apenas continuou em expansão, como acelerou em relação às leituras recentes [...] Uma atividade mais resiliente aumenta a preocupação com pressões inflacionárias e, consequentemente, reduz o espaço para uma queda mais rápida dos juros", afirma William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue. No cenário doméstico, Lula e Flávio Bolsonaro seguem tecnicamente empatados em um eventual segundo turno da eleição presidencial, mas o petista passou a ter uma pequena vantagem numérica, segundo pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta. Lula registra 47,7% das intenções de voto, ante 47,4% de Flávio. No levantamento anterior, divulgado em 17 de setembro, os percentuais eram de 46,8% e 47,2%, respectivamente. A leitura entre analistas do mercado financeiro é de que o senador tem um perfil mais alinhado à disciplina nas contas públicas do que o atual presidente, o que é visto como positivo para os ativos domésticos. "A pesquisa no primeiro momento causa um impacto, com o mercado precificando a continuidade do governo e, principalmente, os riscos fiscais de uma continuidade da política atual. Mas, passado o susto inicial, se depara com um quadro bastante difícil de prever, com expectativa de vitória de um lado ou de outro", diz Felipe Cima, analista de renda variável da Manchester Investimentos. Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, afirma que a pesquisa ainda mostra a força da candidatura de Flávio Bolsonaro. "As pesquisas continuam apontando uma tendência de competitividade de Flávio para o primeiro e segundo turno. Isso corrobora para a tendência de alta do Ibovespa", afirma.
D�lar sobe com petr�leo em alta e juros dos EUA no radar dos investidores
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