D�lar oscila perto da estabilidade em �ltimo preg�o antes do segundo turno, com Datafolha no radar

D�lar oscila perto da estabilidade em �ltimo preg�o antes do segundo turno, com Datafolha no radar

O dólar abriu com oscilações nesta sexta-feira (23), último pregão antes do segundo turno da eleição presidencial, que será realizado no domingo (25). Às 9h29, a moeda registrava leve queda de 0,03%, cotada a R$ 5,036. Os investidores repercutem a pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (22), após o fechamento do mercado, que aponta empate entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) na disputa pela Presidência. Os dois candidatos têm 50% dos votos válidos, considerando o arredondamento. Sem arredondar, o senador aparece com 50,47%, ante 49,53% do presidente. O levantamento foi realizado de terça-feira (20) a quinta-feira (22) e tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Os votos válidos excluem brancos e nulos e são a base utilizada pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado final. O mercado também acompanha os dados de inflação. O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) desacelerou para 0,32% em outubro, ante 0,70% em setembro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (23) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado ficou abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, de 0,45%, segundo a Bloomberg, e também do piso das estimativas, de 0,33%. Na véspera (21), a moeda norte-americana avançou 0,23%, a R$ 5,038, enquanto a Bolsa fechou em forte queda de 1,15%, a 204.120 pontos. Durante o pregão, investidores estiveram mais cautelosos diante de um cenário de disputa tecnicamente empatada. A alta do petróleo também preocupou os analistas, pelo risco de pressão inflacionária e seus possíveis efeitos sobre a curva de juros. O movimento repercutiu nos mercados globais. Os movimentos nos cenários doméstico e externo também repercutiram nos juros futuros. A taxa DI para janeiro de 2028 subiu para 12,900%, alta de 13 pontos-base, enquanto a taxa para janeiro de 2030 avançou 11 pontos-base, para 12,695%. As taxas dos DIs refletem a expectativa do mercado para a trajetória futura da Selic e do CDI, referência para a remuneração de investimentos. No cenário doméstico, a disputa pela Presidência se manteve no radar dos investidores. As pesquisas têm apontado uma diminuição numérica entre as candidaturas. Na quarta-feira (21), a pesquisa Quaest mostrou o senador com 45% das intenções de voto, ante 44% do presidente. Na semana passada, Flávio tinha 46%, e Lula, 44%. O último levantamento antes do segundo turno será publicado no sábado (24). Nesta quinta-feira (22), a pesquisa PoderData/Aya também apontou uma redução da diferença entre os candidatos. O senador do PL tem 51% dos votos válidos, ante 49% do petista. Na pesquisa anterior, divulgada na segunda-feira (19), os índices eram de 52% e 48%, respectivamente. "O mercado registra uma realização de ganhos, em linha com o exterior e com a cautela em relação às pesquisas eleitorais, que ainda mostram Flávio Bolsonaro à frente, mas com uma vantagem menor. Esse acirramento da disputa deixa os investidores mais cautelosos", afirma Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos. A candidatura de Flávio é associada à perspectiva de um ajuste fiscal mais rigoroso, um dos fatores apontados para a valorização recente da Bolsa e do real. A expectativa de maior controle da dívida pública tende a reduzir o prêmio de risco exigido pelos investidores para financiar o governo, aliviando a curva de juros futuros. Taxas menores, por sua vez, podem reduzir o custo do crédito para as empresas e melhorar as perspectivas de lucro, favorecendo o mercado acionário. No pregão seguinte ao primeiro turno, o Ibovespa superou pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos. O dólar recuou para menos de R$ 5, e os juros futuros caíram mais de 100 pontos-base ao longo da semana seguinte à votação. Os últimos pregões, contudo, mostram uma reversão desse otimismo. Apesar de Flávio ainda aparecer numericamente à frente, a redução da diferença para Lula tem levado investidores a reavaliar o cenário eleitoral. "A proximidade do segundo turno e a expectativa por novas pesquisas eleitorais reforçam a cautela", afirma Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos. Para Mendes, o desempenho do mercado brasileiro também reflete riscos internacionais. "Nos EUA, há maior pressão sobre as empresas de tecnologia, diante dos questionamentos sobre o retorno dos investimentos bilionários em inteligência artificial. Em paralelo, a alta do petróleo reacende preocupações inflacionárias e pode dificultar o processo de flexibilização monetária americana." Juros mais altos nos EUA tendem a penalizar ativos de mercados emergentes. Quanto maior a taxa americana, atualmente entre 3,75% e 4% ao ano, menor tende a ser a atratividade do diferencial de juros em relação ao Brasil, onde a taxa está em 13,75% ao ano, o que pode reduzir o interesse dos investidores pelos ativos domésticos. Durante o pregão desta quinta-feira, o petróleo voltou a se destacar ao atingir o maior patamar desde maio. Por volta das 17h, o Brent avançava 3,95%, a US$ 112,92. Na máxima do dia, a cotação chegou a US$ 113,50, o maior valor em cinco meses. A alta foi impulsionada por ataques ao aeroporto de Dammam, no leste da Arábia Saudita, que deixaram dois mortos e oito feridos, segundo autoridades do país. A esse episódio se soma uma orientação da petrolífera estatal saudita Aramco para que seus funcionários deixem a sede da empresa, em Dhahran. A informação foi obtida pela Reuters. Um porta-voz militar houthi também afirmou que o grupo havia lançado ataques contra instalações da Aramco em Yanbu, no Mar Vermelho, e contra o Ministério da Defesa saudita, em Riad. As autoridades sauditas não confirmaram essas ofensivas. Para Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, a movimentação reforça as expectativas de uma possível escalada das tensões entre Irã, Estados Unidos e Arábia Saudita nas próximas semanas, o que impulsiona os preços. "As cotações reagem ao risco de danos à infraestrutura logística e produtiva de petróleo na região". A guerra no Oriente Médio já provoca a interrupção parcial do fluxo da commodity pelo estreito de Hormuz. Antes do conflito, a passagem concentrava cerca de 20% do consumo mundial de petróleo. Os novos episódios ampliam os temores de que o abastecimento regional sofra novas restrições. Esse cenário pressiona a inflação e preocupa os bancos centrais, que avaliam os efeitos da guerra sobre a política monetária. Juros mais altos tendem a favorecer ativos de renda fixa, considerados mais seguros, e a reduzir a atratividade das ações. O impacto aparece no exterior, onde as Bolsas S&P 500 e Nasdaq recuaram 1,45% e 2,60%, respectivamente.

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