D�lar e juros futuros sobem em corre��o ap�s euforia com resultado eleitoral

D�lar e juros futuros sobem em corre��o ap�s euforia com resultado eleitoral

O dólar abriu em alta nesta quarta-feira (7), em meio a uma correção após as quedas expressivas dos últimos pregões, quando a moeda foi pressionada pela euforia com os resultados eleitorais do primeiro turno. Por volta das 9h30, a moeda americana avançava 0,33%, a R$ 4,991. No mesmo horário, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a outras seis divisas fortes, avançava 0,64%. Os juros futuros também avançam. A taxa DI com vencimento em 2029 sobe 1,3 ponto-base, após recuar 13 pontos-base na véspera. As taxas dos DIs refletem as expectativas do mercado para a trajetória futura da Selic e do CDI, referência para a remuneração de investimentos. O desempenho da moeda é influenciado pelo cenário global de aversão ao risco. Por volta das 9h30, o petróleo Brent, referência mundial, avançava 1,11%, a US$ 101,70. Os Houthis atacaram nesta quarta-feira (7) o Aeroporto Internacional de Áden, no Iêmen, com mísseis e drones, em meio à intensificação dos combates entre o grupo alinhado ao Irã e forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita. Um míssil caiu perto da pista minutos antes do pouso de um voo vindo do Cairo, que foi desviado para Jidá. Os confrontos ocorrem perto do estreito de Bab el-Mandeb, rota estratégica para o transporte de petróleo. No exterior, o conflito volta a alimentar temores de inflação persistente, fortalece o dólar e pressiona os rendimentos dos Treasuries, títulos da dívida americana. Na máxima, o rendimento do Treasury de dez anos chegou a 5,3475%, maior nível desde fevereiro de 2002. A alta dos juros americanos pressiona os ativos de mercados emergentes, já que, em um cenário de maior aversão ao risco, investidores tendem a buscar aplicações consideradas mais seguras, como o dólar e os títulos do governo americano. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Na véspera, a moeda americana fechou em queda, recuando 0,49%, a R$ 4,977, abaixo dos R$ 5. A última vez que a moeda havia encerrado uma sessão abaixo desse nível foi em 18 de maio deste ano. A continuidade da queda veio após o recuo de 4,11% registrado na véspera (5), primeiro pregão após o primeiro turno das eleições, quando a moeda encerrou a R$ 5,001, na maior queda intradiária desde 2018, quando recuou 5,50% em uma única sessão. O movimento ocorreu com os investidores ainda repercutindo o resultado do primeiro turno da eleição presidencial, que terminou com o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A perda de força do dólar também foi observada em relação a outras moedas. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana ante uma cesta de seis moedas fortes, recuou 0,31% nesta terça. A Bolsa fechou em queda de 0,54%, aos 205.783 pontos, em um movimento de realização de lucros após a forte valorização da véspera. Na segunda-feira, o Ibovespa subiu 7,70%, aos 206.911 pontos, no maior patamar da história, em termos reais e nominais. Para Matheus Spiess, o movimento desta terça é uma correção natural após a forte alta da véspera, com investidores realizando parte dos lucros e ajustando posições. Segundo ele, o mercado deve continuar reagindo às pesquisas eleitorais e ao noticiário político até o segundo turno, em um movimento que tende a alternar altas e correções. Willian Queiroz, sócio e advisor da Blue3 Investimentos, também avalia que o recuo é um movimento de ajuste após a valorização expressiva da segunda-feira. Segundo ele, o mercado também deve acompanhar a evolução das campanhas e as alianças políticas para o segundo turno, que podem continuar influenciando os preços dos ativos brasileiros. Entre as ações que pressionaram o índice estiveram as do Banco do Brasil, que fecharam em queda de 6,57%, a R$ 24,60. O movimento ocorreu após o J.P. Morgan reduzir a recomendação dos papéis do banco de Neutral (neutro) para Underweight (abaixo da média), com preço-alvo de R$ 23 para o fim de 2027. O valor representa uma potencial queda de 13% em relação ao fechamento de segunda-feira, quando a ação encerrou a R$ 26,33. Entre os motivos apontados pelo banco está uma perspectiva mais difícil para a qualidade dos ativos e a inadimplência no agronegócio, diante dos dados de julho e agosto, dos riscos climáticos remanescentes do El Niño e da pressão do câmbio. O J.P. Morgan também avalia que a queda dos juros pode pressionar a margem financeira líquida do Banco do Brasil. Embora taxas menores favoreçam a inadimplência de forma geral, o banco tem baixo custo de captação e excesso de liquidez em sua base de depósitos, o que faz com que se beneficie proporcionalmente mais de um cenário de juros elevados. Os juros futuros também continuaram repercutindo o resultado eleitoral, após registrarem forte baixa na segunda-feira. Às 17h09, a taxa para janeiro de 2028 estava em 12,590%, queda de 0,07 ponto percentual, enquanto a taxa para janeiro de 2035 estava em 12,710%, recuo de 0,08 ponto percentual. Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, diz que a abertura inicialmente positiva desta terça mostrou a continuidade da reprecificação dos ativos brasileiros, mas em intensidade menor após o movimento excepcional da véspera. "Na minha leitura, o ponto mais importante agora é que o mercado começa a sair da reação imediata ao resultado eleitoral e passa a tentar precificar o que pode vir depois. A composição do Congresso, a sinalização fiscal e, principalmente, os nomes e propostas econômicas que surgirem ao longo do segundo turno devem ganhar cada vez mais peso", afirma. Segundo Mendes, depois de uma valorização tão forte em um único pregão, é natural haver realização de lucros e volatilidade. O ambiente externo também ajudou nesta terça, com queda dos rendimentos dos títulos do governo dos Estados Unidos e do petróleo. A baixa da commodity, porém, pressionou as ações da Petrobras, que fecharam em queda de 2,78%, a R$ 53,82, contribuindo para o recuo da Bolsa. A reação dos mercados ao resultado do primeiro turno refletiu a expectativa de alternância de poder e de uma condução fiscal mais sólida, na avaliação de investidores. Esse cenário reduz a percepção de risco sobre os ativos brasileiros e aumenta o otimismo entre analistas. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos, ante 45,16% de Lula. Os dois disputarão o segundo turno, marcado para o próximo dia 25. Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, a avaliação predominante entre os investidores é de uma possível mudança em direção a uma política mais à direita e potencialmente mais alinhada a uma agenda econômica considerada favorável pelo mercado. Entre os pontos destacados estão menor intervenção do Estado na economia, maior protagonismo da iniciativa privada e atenção à questão fiscal. Nesse cenário, os ativos brasileiros passam a incorporar a expectativa de que o novo Congresso e o novo Senado, além de uma eventual mudança no Executivo, possam favorecer pautas econômicas mais bem recebidas pelo mercado. Essa perspectiva ajuda a explicar tanto a forte alta da Bolsa quanto a valorização do real observadas na véspera. No exterior, os investidores voltaram a acompanhar os preços do petróleo, que, às 17h11, avançavam 0,72%, a US$ 101, diante de novos ataques dos houthis, grupo do Iêmen aliado do Irã, a aeroportos da Arábia Saudita. Na noite de segunda-feira (no Brasil), os aeroportos de Jazan e Najran foram bombardeados, deixando três pessoas feridas, segundo a autoridade-geral de Aviação Civil do país. Os houthis assumiram a autoria dos ataques. O grupo iemenita anunciou nesta terça-feira ter assumido o controle total do país, incluindo áreas estratégicas no Mar Vermelho. O governo do Iêmen contesta a informação e afirma ter retomado o domínio de parte do território, como o estreito de Bab al-Mandab, que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico. Enquanto os ataques dos houthis prosseguem, o Qatar afirmou que Estados Unidos e Irã ainda mantêm negociações para tentar encerrar o conflito. As Bolsas americanas fecharam em alta, acompanhando a queda dos rendimentos dos títulos do governo dos Estados Unidos. O Dow Jones avançou 0,49%, o S&P 500 subiu 0,59% e o Nasdaq teve alta de 0,45%. O rendimento do título de dez anos dos Estados Unidos chegou a 5,323% no maior nível do dia, queda de 0,44%. O título de 30 anos atingiu 5,680%, com recuo de 0,37% no rendimento.

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