D�lar cai com pesquisa eleitoral no radar a uma semana do segundo turno

D�lar cai com pesquisa eleitoral no radar a uma semana do segundo turno

O dólar recua nesta segunda-feira (19), com os investidores atentos ao cenário eleitoral e à divulgação de uma nova pesquisa de intenção de voto, a uma semana do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o próximo domingo (25). Às 10h57, a moeda americana caía 0,60%, cotada a R$ 5,041. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,06%, perto da estabilidade. O Ibovespa abriu em alta nesta segunda, com avanço de 0,72%, aos 206.910 pontos. Entre as maiores altas estavam ações de bancos, que têm peso relevante no índice, e de empresas do varejo, após perdas na semana passada com a aprovação, pelo Senado, da proposta de redução da jornada de trabalho. Os papéis da Vale também subiam, acompanhando a valorização do minério de ferro no exterior. Na ponta negativa, as ações da Petrobras recuavam, em linha com a queda dos preços do petróleo no mercado internacional. Às 10h45, o barril do Brent, referência global para a commodity, caía 1,90%, cotado a US$ 107,84. A nova pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda, mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 50,3% dos votos válidos na disputa pela Presidência da República, ante 49,7% do presidente Lula (PT). Os dois estão tecnicamente empatados. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Na rodada anterior, divulgada na última terça-feira (13), Flávio tinha 51,6% dos votos válidos, ante 48,4% de Lula. As oscilações ocorreram dentro da margem de erro, e a diferença numérica entre os candidatos caiu de 3,2 para 0,6 ponto percentual. O primeiro debate entre os candidatos, realizado no domingo (18), teve pouco impacto sobre os mercados, segundo Gustavo Trotta, especialista e sócio da Valor Investimentos. Para ele, o encontro foi marcado mais por ataques pessoais do que por propostas econômicas. "Quem mexe com preço agora são as pesquisas, não o debate", afirma. Na Faria Lima, o clima é de cautela, diz Trotta. Parte dos investidores já considera a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro, mas acompanha se o discurso de responsabilidade fiscal será mantido diante das promessas de campanha. Até o segundo turno, pesquisas eleitorais e sinais sobre a formação da equipe econômica devem continuar no radar do mercado. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Também nesta segunda, o boletim Focus mostrou aumento na projeção de inflação para 2027 e redução nas estimativas de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para 2026, 2027 e 2028. Os economistas consultados pelo BC (Banco Central) elevaram de 4,30% para 4,32% a previsão para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) no próximo ano. A estimativa para 2026 permaneceu em 5,22%, acima do teto da meta de inflação, de 4,5%. Para 2028, a projeção recuou de 3,79% para 3,75%. As expectativas para o PIB caíram de 1,85% para 1,83% em 2026, de 1,4% para 1,32% em 2027 e de 1,83% para 1,81% em 2028. A projeção para a taxa básica de juros permaneceu em 13,25% ao ano no fim de 2026, com expectativa de dois cortes de 0,25 ponto percentual nas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) previstas para novembro e dezembro. Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano. No mercado de juros futuros, as taxas operavam perto da estabilidade. Às 10h49, o contrato com vencimento em janeiro de 2028 recuava 0,02 ponto percentual, para 12,900% ao ano. Na ponta longa da curva, a taxa do contrato para janeiro de 2035 caía 0,04 ponto percentual, para 12,845% ao ano. No exterior, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, subiam. Os papéis de dez anos rendiam 5,106% ao ano, com alta de 0,03 ponto percentual, enquanto os títulos de 30 anos tinham rendimento de 5,445%, avanço de 0,02 ponto percentual. Esses rendimentos são acompanhados pelos mercados globais porque influenciam o custo de financiamento e a atratividade relativa de investimentos em outros países. Nos últimos dias, investidores têm reduzido a exposição a ativos ligados à inteligência artificial e buscado oportunidades fora dos Estados Unidos, em meio a dúvidas sobre a sustentabilidade dos investimentos no setor e às elevadas avaliações de empresas de tecnologia. Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities LLC, o Nasdaq acumulou queda próxima de 5% na última semana, incluindo um recuo de 2,14% na sexta-feira, movimento que reacendeu questionamentos sobre a capacidade de as empresas ligadas à inteligência artificial sustentarem suas valorizações. A pressão também atingiu o mercado sul-coreano, concentrado em companhias de semicondutores, como Samsung e SK Hynix. "Essa concentração ajuda a explicar a intensidade das oscilações, uma vez que movimentos mais expressivos em poucas companhias podem provocar impactos relevantes sobre o índice", diz o especialista. Na avaliação de Castro Alves, a correção recente parece estar mais relacionada a fatores técnicos e ao posicionamento dos investidores do que a uma mudança estrutural nas perspectivas para a inteligência artificial. Em Wall Street, as Bolsas abriram sem direção única. Às 10h55, o Dow Jones, que reúne ações de grandes empresas americanas de diferentes setores, caía 0,22%. O S&P 500, índice mais amplo do mercado acionário dos Estados Unidos, tinha alta de 0,53%, enquanto o Nasdaq, concentrado em empresas de tecnologia e crescimento, subia 0,87%, após as perdas da sexta-feira. Os investidores também acompanham as expectativas para a próxima reunião do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), marcada para os dias 27 e 28 de outubro. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, 82,8% dos investidores apostavam na manutenção dos juros na faixa de 3,75% a 4% ao ano, enquanto 17,2% esperavam uma elevação da taxa. A temporada de balanços corporativos também ganha força nesta semana, com resultados de empresas de diferentes setores. Entre os nomes no radar estão Netflix, Meta, Tesla, 3M, Abbott, Philip Morris, Spotify e American Express. Segundo Castro Alves, os resultados das empresas de tecnologia merecem atenção especial após a correção recente.

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