D�lar abre est�vel com guerra no Oriente M�dio no radar

D�lar abre est�vel com guerra no Oriente M�dio no radar

O dólar abriu estável nesta segunda-feira (24), com investidores atentos à guerra no Oriente Médio e a possíveis sanções dos EUA contra o Irã. Por volta das 9h25, a moeda americana subia 0,04%, sem variação significativa em relação ao fechamento da última sexta-feira (21). Naquele dia, o dólar fechou em queda de 1%, cotado a R$ 5,142, acompanhando o movimento da moeda americana no exterior. Nesta segunda, o pregão aguarda o anúncio de medidas do governo Trump contra o Irã. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, prometeu revelar medidas severas contra Teerã em coletiva de imprensa marcada para às 14h. "Ao amanhecer, começa um ‘Dia D’ econômico —a maior ofensiva financeira já mobilizada contra um adversário", escreveu Bessent em artigo de opinião publicado no Financial Times no domingo (23). O Irã rejeitou a ameaça dos EUA, prometeu interromper todas as exportações de petróleo do Golfo "se a guerra econômica continuar" e disse que sua resposta a quaisquer novas ameaças dos Estados Unidos seria "devastadora". O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, também disse que o plano tem como objetivo "distrair da própria crise dos Estados Unidos". O Irã também avalia atacar alvos militares americanos na Europa caso Trump intensifique a guerra, segundo pessoas próximas ao regime. Enquanto isso, o estreito de Hormuz permanece fechado, comTeerã exigindo que os Estados Unidos cumpram condições de um acordo provisório firmado em junho. Entre as exigências estão o fim do bloqueio aos portos iranianos, a suspensão das sanções sobre o petróleo, a liberação de ativos congelados e a interrupção de ameaças e operações militares americanas. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Na sexta-feira, os investidores monitoraram o noticiário político, à espera da divulgação de uma nova pesquisa Datafolha. O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa brasileira, também teve um dia movimentado e encerrou o pregão com alta de 1,84%, aos 171.017 pontos. Vale e bancos ficaram entre os principais suportes do índice. Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, diz que apesar da recuperação, agosto segue negativo para a Bolsa, com a saída de capital estrangeiro sendo o principal vetor. Até o dia 19, os saques somavam cerca de R$ 22 bilhões no mês, refletindo tanto a rotação global para ativos de tecnologia quanto o aumento da sensibilidade ao risco eleitoral e fiscal. Para Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, a Bolsa brasileira encontrou um importante suporte no desempenho de suas principais blue chips —ações de empresas grandes, sólidas e líderes de mercado—, especialmente Vale e Petrobras. Segundo ela, o acirramento das tensões no Oriente Médio impulsiona os preços do petróleo e de outras matérias-primas no mercado internacional, beneficiando diretamente as grandes empresas exportadoras que compõem o índice. A fraqueza do dólar ante outras moedas ocorre em meio a questionamentos de investidores sobre os esforços do Tesouro dos Estados Unidos para acalmar o mercado de títulos. Segundo os agentes, as medidas adotadas pelo órgão para conter a pressão nesse mercado podem acabar afetando a confiança na moeda americana. A preocupação ganhou força após o rendimento dos títulos de 30 anos chegar a quase 5,34% na terça-feira (18), o maior nível desde 2007. Diante da alta, o Tesouro dos EUA decidiu aumentar o volume de recompra de títulos de longo prazo. A medida reduziu os rendimentos e favoreceu a busca por ativos de mercados emergentes. O órgão informou que elevará de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões o volume das operações de recompra de títulos com vencimento entre 10 e 20 anos e entre 20 e 30 anos. O movimento reflete ainda preocupações dos investidores com a trajetória fiscal americana. A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões pela primeira vez na história. Em Wall Street, as Bolsas americanas avançaram na sexta-feira. O S&P 500 subiu 0,53%, o Dow Jones teve alta de 0,98% e o Nasdaq avançou 0,43%. De acordo com Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue, o movimento representa uma recuperação após a sessão negativa de quinta-feira, quando os principais índices americanos registraram quedas entre 0,9% e 1,3%. Segundo o especialista esta semana deve trazer eventos relevantes para o mercado. O principal destaque será o simpósio de Jackson Hole, onde o mercado acompanhará as sinalizações do Fed (Federal Reserve, banco central americano) sobre os próximos passos da política monetária. No Brasil, o IPCA-15 de agosto sai na quarta-feira (26) e será importante para confirmar a expectativa de novo corte da Selic em setembro. Na quinta-feira (27), a PNAD Contínua traz a taxa de desemprego. Na sexta-feira (28), o IGP-M e o Caged completam o quadro de inflação e emprego. Nos Estados Unidos, o PIB e o deflator do PCE, indicador de inflação preferido do Fed, também, saem na quarta-feira. De acordo com Bruna Sene, da Rico, após uma semana de forte volatilidade nas curvas de juros, esses dados devem ter peso relevante. Na frente corporativa, quarta-feira é dia de divulgação dos resultados da Nvidia, que devem ser monitorados de perto, com potencial de influenciar as expectativas dos investidores em relação ao tema de inteligência artificial como um todo.

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