O dólar abriu próximo da estabilidade nesta terça-feira (15), com a alta do petróleo e o cenário político, em especial a crise do STF (Supremo Tribunal Federal), no radar dos investidores. O pregão é marcado pelo início da sessão que julgará a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Por volta das 9h20, o dólar recuava 0,08%, a R$ 5,143. Lá fora, o índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana ante seis outras divisas fortes, avançava 0,23% Na máxima do dia, o petróleo Brent, referência mundial da commodity, chegou a avançar 2,54%, a US$ 108. Na segunda-feira (14), o Brent havia chegado a 4,90%, a US$ 109,74, na máxima do dia. "O petróleo continuará funcionando como principal termômetro do apetite por risco. Uma nova escalada pode pressionar o real, elevar os juros futuros e prejudicar ações domésticas, embora possa sustentar as petroleiras. No Brasil, o mercado também deverá ajustar posições antes da Superquarta, com atenção especial à curva de juros, ao câmbio e aos desdobramentos da crise política", diz Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil. Na véspera, a moeda fechou em alta de 0,48%, a R$ 5,148, nesta segunda-feira (14), com o forte avanço do petróleo no exterior aumentando a cautela entre investidores e pressionando ativos de mercados emergentes. Durante o pregão, o comportamento da moeda americana espelhou o do exterior e chegou a R$ 5,182, alta de 1,15%, na máxima do dia. Lá fora, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis outras divisas fortes, subiu 0,27%. A Bolsa, por outro lado, recuou 0,91%, a 185.500 pontos com as ações de petrolíferas em alta, na contramão da maior parte dos papéis. A cautela no pregão, segundo analistas, teve origem no exterior. Ataques de drones atingiram um oleoduto na Arábia Saudita e levaram à suspensão temporária das operações da instalação. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. O episódio se soma ao avanço dos houthis, grupo do Iêmen aliado ao Irã, que confirmou o lançamento de "dezenas de mísseis balísticos e drones" contra alvos militares no sul da Arábia Saudita. Na semana passada, o grupo havia anunciado o controle da cidade de Mocha, considerada estratégica para o escoamento de petróleo saudita pelo estreito de Bab el-Mandeb. A escalada aumenta os riscos para as exportações da Arábia Saudita pelo Mar Vermelho, após a obstrução do estreito de Hormuz. Antes do conflito, Hormuz era responsável pela circulação de cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. A tensão também levou os Estados do Golfo a adiar uma reunião sobre a gestão do estreito de Hormuz. O encontro seria o primeiro, em quase dois anos, entre os principais diplomatas dos seis integrantes do Conselho de Cooperação do Golfo —Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar, Omã e Bahrein— e o chanceler iraniano. Para Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercados da StoneX, investidores demonstraram preocupação com a redução das exportações sauditas de petróleo pelo Mar Vermelho. "Devemos observar, a partir da próxima semana, uma redução significativa dos volumes de petróleo saudita escoados pela via marítima. Tivemos o adiamento das conversas entre Irã e países do Golfo nesta segunda, muito por conta dos ataques à infraestrutura saudita. As expectativas são de que haja uma extensão do menor nível de exportação de produtos pelo Golfo Pérsico", afirma. O comportamento difere do observado nas últimas semanas, quando a alta do petróleo impulsionou os ativos domésticos. O avanço da commodity melhora as perspectivas de receita e rentabilidade das empresas produtoras, além de favorecer o fluxo estrangeiro para as ações brasileiras. Nesta segunda, contudo, as petroleiras avançaram, em grande medida, isoladamente, sem conseguir impulsionar a Bolsa como um todo. Segundo Felipe Cima, analista de renda variável da Manchester Investimentos, a expressiva alta do petróleo alimentou temores inflacionários. "É uma questão de remédio e veneno. O petróleo mais alto faz a Petrobras, que representa boa parte do Ibovespa, valorizar. Mas um petróleo muito alto tem impacto sobre a inflação." A perspectiva de inflação mais alta aumenta a cautela dos investidores diante da possibilidade de manutenção dos juros em níveis elevados por mais tempo, o que tende a pressionar ativos de risco. Segundo o Boletim Focus desta segunda-feira, a previsão é de que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, métrica oficial da inflação) encerre 2026 em 4,90%. O índice ainda está acima do teto da meta de 3%, de 4,5%, considerando a tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Nos Estados Unidos, o mercado também passou a considerar os efeitos da alta do petróleo sobre a política monetária. Na segunda, os rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro dos Estados Unidos, de 10 anos dispararam e atingiram máximas em quase três anos. Para esta semana, a expectativa é de que a escalada do conflito e a pressão sobre os preços da commodity sejam levadas em conta na decisão do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA). O mercado prevê que a instituição eleve a taxa de juros para a faixa de 3,75% a 4%, ante os atuais 3,5% a 3,75%. No Brasil, a expectativa é de que o Copom (Comitê de Política Monetária) reduza a Selic para 13,75%, ante os atuais 14%. A política brasileira também continuou no radar dos investidores, com sinais eleitorais mistos. Na pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (11), após o fechamento do mercado, Lula apareceu numericamente à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, com 39% a 35%, e no segundo, com 46% a 44%. Já na pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira, Flávio apareceu numericamente à frente de Lula pela primeira vez no segundo turno, com 42% contra 40%. A disputa eleitoral também se relaciona à crise do STF (Supremo Tribunal Federal). Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, indicaram a atuação do ministro Alexandre de Moraes em favor do ex-banqueiro. A divulgação do conteúdo levou a novos desdobramentos no tribunal, incluindo o afastamento de Moraes da relatoria do inquérito das fake news e de André Mendonça, relator dos casos do Banco Master e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) do caso que apura a ligação entre o ministro e Vorcaro. Nesta terça-feira (15), está prevista uma sessão sobre a atuação de Moraes e sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A interpretação predominante no mercado é de que o desgaste do STF pode favorecer mais a campanha de Flávio Bolsonaro do que a de Lula, uma vez que o senador é historicamente crítico ao Supremo e usa esse discurso para defender o impeachment de ministros da corte.
D�lar abre est�vel com guerra no Ir� e crise do STF no radar
Full Article
Original Source
Read the full article at Www1 →KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.