O dólar abriu em baixa nesta segunda-feira (31), com investidores repercutindo a retomada de ataques dos EUA ao Irã no Oriente Médio. Por volta das 9h40, a moeda americana recuava 0,39%, a R$ 5,177. No mesmo horário, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante outras seis divisas fortes, também recuava, com baixa de 0,14%. Os EUA atacaram dois lançadores iranianos na ilha de Larak, no estreito de Hormuz, neste domingo (30). Segundo o Centcom (Comando Central do Exército dos Estados Unidos), a ação foi "limitada e precisa" contra forças da Guarda Revolucionária que representavam uma ameaça ao estreito de Hormuz. Foi o primeiro ataque conhecido dos EUA contra o Irã desde o fim de julho. Em resposta, a Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter lançado mísseis balísticos contra duas bases aéreas americanas na Jordânia, alegando ter causado "graves danos". Os ataques impulsionam os preços do petróleo. Por volta das 9h40, o barril Brent, referência mundial da commodity, avançava 2,97%, a US$ 90,71. A alta deve beneficiar as empresas petroleiras do Brasil. Na sexta-feira (28), a moeda fechou em alta de 0,63%, a R$ 5,196, enquanto a Bolsa encerrou o dia com avanço de 0,30%, aos 175.664 pontos. Na semana passada, o dólar registrou avanço de 1,05%, enquanto a Bolsa subiu 2,71%. No ano, a moeda registra queda de 5,9%, e a Bolsa, alta de 8,7%. Durante o pregão de sexta, investidores adotaram maior cautela com uma sinalização de alta de juros nos EUA. Durante o encontro promovido em Jackson Hole, nos EUA, o presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), Kevin Warsh, afirmou que a instituição terá trabalho a fazer caso a inflação americana continue acima da meta. A fala reforçou a perspectiva de uma política monetária mais restritiva, em um momento em que a taxa de juros está na faixa entre 3,5% e 3,75%. A perspectiva de juros mais altos favoreceu ativos considerados mais seguros, como o dólar e os títulos do Tesouro americano, e pressionou mercados emergentes. O foco do pregão esteve no exterior, com investidores repercutindo o simpósio anual do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) em Jackson Hole. O evento teve discurso do presidente da instituição, Kevin Warsh. Segundo Warsh, o banco central dos EUA terá trabalho a fazer caso a inflação do país não retorne à meta de 2%. "Este é o meu critério: devemos estar confiantes de que a inflação está caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer. Esse é o nosso trabalho, nosso mandato e nossa responsabilidade", disse. Para Warsh, "o progresso nos últimos dois anos tem sido modesto" no combate à inflação. O índice de preços PCE, indicador preferido do Fed para mensurar a inflação nos EUA, subiu 3,7% nos 12 meses até julho.A inflação anual dos Estados Unidos permanece acima da meta de 2% do Fed e reforça as expectativas de juros mais altos. Segundo Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, o comportamento "valorizou o dólar, faz com que os juros brasileiros abrissem e gerou um movimento de realização de curto prazo nos mercados emergentes." O discurso também impactou as apostas para a próxima reunião do Fed, marcada para 15 e 16 de setembro. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, analistas agora veem 57,5% de probabilidade de uma alta dos juros para o intervalo entre 3,75% e 4%. Antes das falas, a expectativa predominante era de manutenção da taxa. Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o discurso reforçou uma postura mais restritiva do Fed com a inflação novamente no centro das decisões de política monetária dos Estados Unidos. "Ainda que os últimos dados mostrem uma trajetória mais favorável, o índice permanece distante da meta, exigindo cautela da autoridade monetária". Segundo Alves, para o investidor brasileiro, a combinação de juros altos nos EUA, fortalecimento do dólar, incerteza eleitoral e fragilidade fiscal doméstica dificulta uma valorização consistente do real. "O ambiente externo oferece pouco suporte à moeda brasileira, tornando sua trajetória cada vez mais dependente do cenário interno". Nos EUA, o discurso também impactou os ativos. As Bolsas S&P 500 e Nasdaq recuaram, respectivamente, 0,27% e 0,51% No mercado de juros, o rendimento do título do Tesouro dos EUA com vencimento em dez anos avançou 6 pontos-base, para 4,731%.Analistas também mantiveram no radar as negociações envolvendo a guerra no Irã. Na quarta, Teerã anunciou ter chegado a um acordo com Omã para controlar o estreito de Hormuz, a estratégica via marítima por onde passava um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito antes do atual conflito. Segundo o vice-chanceler Kazem Gharibabadi, o estreito permanecerá obstruído até que os detalhes do arranjo sejam finalizados, o que não ocorreu ainda. A declaração aumentou a dúvida sobre o anúncio, já que, segundo a Guarda Revolucionária, a medida só será implementada quando os EUA concordarem com seus termos. Na quinta, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse não haver negociações em andamento entre Washington e Teerã. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Investidores ainda repercutiram aos dados do IPCA-15 divulgados na última quarta. O IBGE mostrou que o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) teve deflação de 0,4% em agosto. A deflação foi a primeira do índice em um ano, desde agosto de 2025 (-0,14%), e a maior em quatro anos. Segundo economistas consultados pelo Boletim Focus, a previsão é de que o IPCA encerre 2025 a 5,02%, acima do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) para o indicador. Para os analistas, a Selic, taxa básica de juros brasileira, deve terminar a 13,75% ao ano —redução de 0,25% em relação ao patamar atual de 14%. Uma Selic mais baixa tende a beneficiar a Bolsa e outros ativos de renda variável. A queda dos juros, contudo, diminui a atratividade da estratégia de carry trade, isto é, tomar recursos em economias com taxas mais baixas, como a americana, e aplicá-los na brasileira para lucrar com essa diferença percentual. O pregão ainda teve a divulgação da abertura de 58,6 mil vagas formais, conforme o Novo Caged. O saldo foi o menor para julho desde o início da série, em 2020, e ficou abaixo das 112 mil vagas esperadas por economistas e das 133,9 mil abertas no mesmo mês de 2025. O dado reforçou sinais de desaceleração do mercado de trabalho brasileiro, o que pode reduzir a pressão sobre o Banco Central para manter a Selic em alta.
D�lar abre em queda com tens�o no Oriente M�dio e alta do petr�leo
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