O dólar abriu em queda, apesar da disparada do petróleo no exterior. A alta da commodity tende a favorecer o fluxo de investimentos para países exportadores da matéria-prima, como o Brasil. Além disso, o mercado permanece atento ao cenário eleitoral, com a disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) se acirrando às vésperas do segundo turno, marcado para o próximo domingo (25). Por volta das 9h35, a moeda americana recuava 0,55%, a R$ 5,019. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis outras divisas, caía 0,24%. Para Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX, a alta do petróleo aumenta a aversão global ao risco, o que tende a prejudicar mercados emergentes como o Brasil. O fato de o país ser exportador líquido da commodity, contudo, ajuda a conter a desvalorização dos ativos domésticos. "No caso do Brasil, que é um país exportador líquido de petróleo, esses preços mais altos acabam também beneficiando o real, por conta da maior entrada de moeda estrangeira na conta comercial", afirma. Por volta das 9h35, o petróleo Brent, referência mundial da commodity, avançava 1,04%, a US$ 110,68. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Na véspera (19), a moeda fechou em queda de 0,51%, cotada a R$ 5,046, com os investidores atentos ao cenário eleitoral, a uma semana do segundo turno das eleições. A nova pesquisa de intenção de voto BTG/Nexus, divulgada nesta segunda, mostrou empate técnico entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, subiu 0,15%. O Ibovespa fechou em leve queda de 0,17%, aos 205.079 pontos, após abrir em alta, pressionado principalmente pelas ações da Petrobras, que recuaram em linha com a desvalorização do petróleo no mercado internacional. No fechamento, o barril do Brent, referência global para a commodity, caía 0,44%, cotado a US$ 109,38. Na ponta positiva da Bolsa, ações de varejistas como Magazine Luiza, Lojas Renner e C&A subiram após o Citi recomendar a compra de papéis do setor e elevar suas estimativas para as empresas. Parte das ações de bancos também avançou, embora o Bradesco tenha recuado. Sobre o banco, o Itaú BBA divulgou relatório com preferência por outras instituições do setor, segundo Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos. Para Marcos Praça, diretor de análises da Zero Markets Brasil, o mercado brasileiro começou a semana em clima de cautela. O Ibovespa reverteu os ganhos da abertura e passou a cair, em meio à realização de lucros e às incertezas em torno do segundo turno das eleições presidenciais. "As novas pesquisas eleitorais reforçaram o cenário de disputa acirrada entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), aumentando a sensibilidade dos investidores às perspectivas para a política fiscal e econômica do próximo governo", afirma Praça. A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda mostrou o senador Flávio Bolsonaro com 50,3% dos votos válidos na disputa pela Presidência da República, ante 49,7% do presidente Lula. Os dois estão tecnicamente empatados. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Na rodada anterior, divulgada na terça-feira (13), Flávio tinha 51,6% dos votos válidos, ante 48,4% de Lula. As oscilações ocorreram dentro da margem de erro, e a diferença numérica entre os candidatos caiu de 3,2 para 0,6 ponto percentual.O primeiro debate entre os candidatos, realizado no domingo (18), teve pouco impacto sobre os mercados, segundo Gustavo Trotta, especialista e sócio da Valor Investimentos. Para ele, o encontro foi marcado mais por ataques pessoais do que por propostas econômicas. "Quem mexe com preço agora são as pesquisas, não o debate", afirma. Na Faria Lima, o clima é de cautela, diz Trotta. Parte dos investidores considera a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro, mas acompanha se o discurso de responsabilidade fiscal será mantido diante das promessas de campanha. Até o segundo turno, pesquisas eleitorais e sinais sobre a formação da equipe econômica devem continuar no radar do mercado. Também nesta segunda, o boletim Focus mostrou aumento na projeção de inflação para 2027 e redução nas estimativas de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para 2026, 2027 e 2028. Os economistas consultados pelo BC (Banco Central) elevaram de 4,30% para 4,32% a previsão para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em 2027. A estimativa para 2026 permaneceu em 5,22%, acima do teto da meta de inflação, de 4,5%. Para 2028, a projeção recuou de 3,79% para 3,75%. As expectativas para o PIB caíram de 1,85% para 1,83% em 2026, de 1,4% para 1,32% em 2027 e de 1,83% para 1,81% em 2028. A projeção para a taxa básica de juros permaneceu em 13,25% ao ano no fim de 2026. A estimativa considera dois cortes de 0,25 ponto percentual nas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) previstas para novembro e dezembro. Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano. No mercado de juros futuros, as taxas fecharam perto da estabilidade. O contrato com vencimento em janeiro de 2028 teve variação de 0,03 ponto percentual, para 12,885% ao ano. Na ponta longa da curva, a taxa do contrato para janeiro de 2035 fechou perto da estabilidade, em 12,902% ao ano. No exterior, os rendimentos dos títulos do Tesouro dosEstados Unidos, conhecidos como Treasuries, fecharam em alta. Os papéis de dez anos rendiam 5,137% ao ano, com avanço de 0,06 ponto percentual, enquanto os títulos de 30 anos rendiam 5,471%, alta de 0,05 ponto percentual. Esses rendimentos influenciam o custo de financiamento e a atratividade relativa de investimentos em diferentes países. Os investidores também acompanharam a movimentação das ações ligadas à inteligência artificial, após a redução da exposição a esses ativos nos últimos dias e a busca por oportunidades fora dos Estados Unidos. Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities LLC, o Nasdaq acumulou queda próxima de 5% na semana passada, incluindo recuo de 2,14% na sexta-feira. O movimento reacendeu dúvidas sobre a capacidade de as empresas ligadas à inteligência artificial sustentarem suas valorizações. A pressão também atingiu o mercado sul-coreano, concentrado em companhias de semicondutores, como Samsung e SK Hynix. "Essa concentração ajuda a explicar a intensidade das oscilações, uma vez que movimentos mais expressivos em poucas companhias podem provocar impactos relevantes sobre o índice", diz o especialista. Na avaliação de Castro Alves, a correção recente parece estar mais relacionada a fatores técnicos e ao posicionamento dos investidores do que a uma mudança estrutural nas perspectivas para a inteligência artificial. Nesta segunda, as ações em Wall Street se recuperaram, com alta dos papéis associados ao setor. O Dow Jones, que reúne ações de grandes empresas americanas de diferentes setores, recuou 0,07%. O S&P 500, índice mais amplo do mercado acionário dos Estados Unidos, avançou 0,46%, enquanto o Nasdaq, concentrado em empresas de tecnologia e crescimento, teve alta de 1,11%. Os investidores também acompanham as expectativas para a próxima reunião do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), marcada para os dias 27 e 28 de outubro. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, 82,8% dos investidores apostavam na manutenção dos juros na faixa de 3,75% a 4% ao ano, enquanto 17,2% esperavam uma elevação da taxa. A temporada de balanços corporativos ganha força nesta semana, com resultados de empresas de diferentes setores. Entre os nomes no radar estão Netflix, Meta, Tesla, 3M, Abbott, Philip Morris, Spotify e American Express. Segundo Castro Alves, os resultados das empresas de tecnologia merecem atenção especial após a correção recente.
D�lar abre em queda com petr�leo em alta e cen�rio eleitoral no radar
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