D�lar abre em queda com elei��o no radar e infla��o acima do esperado

D�lar abre em queda com elei��o no radar e infla��o acima do esperado

O dólar abriu em queda nesta sexta-feira (9), com investidores repercutindo as expectativas para o segundo turno das eleições presidenciais. Às 9h57, a moeda recuava 0,43%, cotada a R$ 5,002. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis moedas fortes, subia 0,18%. Na véspera (8), a primeira pesquisa Datafolha feita após a definição da disputa de segundo turno mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 52% dos votos válidos, ante 48% do presidente Lula (PT). Os votos válidos excluem brancos, nulos e indecisos e são usados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para contabilizar o resultado final da eleição. Nesta sexta, os investidores também repercutem os dados de inflação divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial da inflação no país, subiu 0,82% em setembro, após registrar deflação de 0,32% em agosto. O resultado ficou acima da mediana das projeções do mercado financeiro, de 0,76%, segundo a agência Bloomberg. A alta de 0,82% foi a maior para meses de setembro em cinco anos, desde 2021, quando o índice avançou 1,16%. Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o Ibovespa deve começar o dia, assim, dividido entre o impulso eleitoral e a pressão de um IPCA acima do esperado. O especialista diz que o dado de inflação, porém, pode limitar o apetite por risco ao longo do pregão, às vésperas do feriado que manterá a B3 fechada na segunda-feira (12). O resultado reforça a cautela com a trajetória dos preços e pode reduzir o espaço para cortes da Selic, especialmente se as pressões inflacionárias se mostrarem disseminadas e persistentes. Na véspera, a Bolsa fechou em alta de 0,93%, aos 206.222 pontos, com o avanço do petróleo no exterior e em meio à expectativa pela divulgação de uma nova pesquisa do Datafolha sobre o segundo turno das eleições presidenciais. O dólar fechou em alta de 0,20%, cotado a R$ 5,024. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana ante seis outras divisas fortes, encerrou a sessão em queda de 0,13%. A moeda norte-americana teve um dia de oscilações estreitas, com leve alta na abertura e perda de força ao longo da sessão. Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o movimento reflete um ajuste após os ralis recentes dos ativos brasileiros, enquanto a entrada de fluxo estrangeiro ajuda a limitar a pressão exercida pelos juros mais altos nas economias desenvolvidas. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. O petróleo acompanhou as tensões no Oriente Médio. Às 17h09, o Brent, referência internacional, subia 3,61%, a US$ 103,80. As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) fecharam em alta de 2,11%, a R$ 55,48. Há temor de novos ataques dos Estados Unidos após reportagem da revista The Atlantic afirmar que o presidente Donald Trump estaria considerando uma ofensiva contra o Irã antes das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro. Segundo a publicação, a Casa Branca teria pedido ao Pentágono que elaborasse opções para atacar instalações iranianas antes da votação. Além disso, um ataque com mísseis dos rebeldes houthis do Iêmen destruiu nesta quinta-feira um avião da estatal saudita Saudia no aeroporto internacional Rei Khalid, em Riad, capital da Arábia Saudita. O incidente ocorre em meio à intensificação dos ataques dos houthis, aliados do Irã, contra a Arábia Saudita. Nesta semana, o governo saudita havia confirmado a morte de três pessoas em ações contra aeroportos, uma delas em Riad. Segundo os houthis, dois mísseis balísticos foram disparados contra o aeroporto Rei Khalid. O governo local confirmou apenas que um míssil foi interceptado e que seus destroços atingiram instalações civis. Antes do início do conflito entre EUA e Israel e o Irã, o estreito de Hormuz era responsável por cerca de 20% da circulação mundial de petróleo. A possibilidade de uma nova escalada aumenta os temores de interrupção do fluxo e de uma inflação global mais persistente. O conflito também tem pressionado os ativos globais. Na véspera, a perspectiva de retomada das tensões já havia aparecido nos preços, com os rendimentos dos Treasuries, títulos da dívida americana, atingindo o maior nível desde março de 2002. Na máxima, o rendimento do título de dez anos chegou a 5,3624%. Nesta quinta, a máxima foi de 5,351%, uma variação de 0,01 ponto percentual. "Temos aqueles encadeamentos tradicionais: isso acaba fortalecendo o dólar, enfraquecendo o ouro e impactando alguns setores específicos. O setor imobiliário, por exemplo, acaba sofrendo, enquanto os bancos também têm apresentado uma performance mais fraca, diante da preocupação com a concessão de crédito em um ambiente de juros elevados", afirma William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue. Em Wall Street, as Bolsas fecharam sem direção única. O Dow Jones teve alta de0,10%, o S&P 500 caiu 0,45% e o Nasdaq recuou 1,25%. No mercado doméstico, os investidores continuam atentos ao cenário eleitoral. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos, ante 45,16% de Lula. Os dois disputarão o segundo turno, marcado para o próximo dia 25. Para Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, os ativos domésticos continuam sendo influenciados pelas declarações de Flávio sobre o "Tesouraço", como o candidato chama as medidas de ajuste fiscal que pretende implementar caso seja eleito presidente em 2027. "Na minha visão, esse é o principal driver para destravar valor no Ibovespa. Como o mercado está muito atento às medidas fiscais a serem tomadas em 2027, essa notícia fez com que o mercado se animasse", afirma. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões Parte dos analistas avalia que uma eventual alternância de poder, com Flávio no lugar de Lula, poderia resultar em uma condução fiscal mais sólida e reduzir a percepção de risco em relação aos ativos brasileiros. A equipe responsável pelo programa econômico do candidato Flávio Bolsonaro estuda um pacote de medidas fiscais para viabilizar um ajuste inicial da ordem de 2% do PIB (Produto Interno Bruto), o equivalente a cerca de R$ 250 bilhões, valor considerado razoável para interromper a trajetória de crescimento da dívida pública bruta. O plano prevê mudanças na forma de correção da Previdência Social e do BPC (Benefício de Prestação Continuada), além do fim dos pisos constitucionais que vinculam os gastos com saúde e educação à arrecadação federal. A expectativa de maior controle fiscal está relacionada à forte valorização dos ativos domésticos no começo da semana. Na segunda-feira, a Bolsa superou pela primeira vez o patamar de 200 mil pontos e chegou a 209.605 pontos, novo recorde durante o pregão. O dólar, por outro lado, recuou para abaixo de R$ 5. Na terça-feira, a moeda atingiu o menor patamar desde maio. Nesse cenário, os juros futuros também continuam repercutindo o resultado do primeiro turno eleitoral. Às 17h16, a taxa para janeiro de 2028 estava em 12,540%, queda de 0,05 ponto percentual, enquanto a taxa para janeiro de 2035 estava em 12,560%, recuo de 0,21 ponto percentual. A nova pesquisa Datafolha, prevista para ser divulgada a partir das 18h45, deve mostrar a intenção de voto para o segundo turno da eleição presidencial, entre Lula e Flávio Bolsonaro, e para o governo do Distrito Federal, entre a governadora Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT). Nesse ambiente, o Tesouro Nacional vendeu R$ 33,28 bilhões em títulos prefixados nesta quinta. Foram R$ 27,86 bilhões em LTNs, com vencimentos entre 2028 e 2032, e R$ 5,43 bilhões em NTN-Fs, com vencimentos entre 2031 e 2037. Foi o maior volume vendido em uma primeira rodada de leilão desde dezembro de 2020, quando a captação chegou a R$ 44,3 bilhões. Para Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, o volume mostra que o Tesouro aproveitou o interesse dos investidores por títulos prefixados para captar recursos a taxas fixas. A emissão ocorreu também por conto dos efeitos da forte queda dos juros futuros na segunda-feira (5), em reação ao resultado do primeiro turno das eleições.

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