O dólar abriu em queda nesta sexta-feira (11), após o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgar os novos dados de inflação e informar que o Brasil teve deflação em agosto. Às 9h54, a moeda registrava queda de 0,29%, a R$ 5,086. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) recuou 0,32% no último mês. A queda foi puxada principalmente pela conta de luz, que ficou 7,63% mais barata sob impacto temporário do bônus de Itaipu. Também houve redução nos preços de passagens aéreas (-13,17%), além de alimentos e combustíveis. No exterior, os investidores aguardam o CPI (índice de preços ao consumidor) dos Estados Unidos, que será o último indicador de inflação antes da próxima reunião do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), marcada para os dias 15 e 16 de setembro. A autoridade monetária tem como principal referência o PCE (índice de preços para despesas com consumo pessoal), cuja próxima leitura está prevista para 30 de setembro. No Brasil, os desdobramentos da crise no STF (Supremo Tribunal Federal) também permanecem no radar, após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de parte do caso Master. Na véspera (10), o dólar recuou 0,18%, a R$ 5,101, enquanto a Bolsa fechou em alta de 1,42%, a 188.268 pontos. Durante o pregão, investidores repercutiram a alta do petróleo, que impulsionou as empresas brasileiras do setor e a valorização dos ativos doméstico, bem como o cenário político, com a expectativa de que Flávio Bolsonaro (PL) fique à frente de Lula nas eleições deste ano. A sessão acompanhou o exterior. Nesta quinta-feira, os houthis, grupo do Iêmen aliado ao Irã, anunciaram ter tomado o controle da cidade de Mocha, considerada estratégica para o escoamento do petróleo da Arábia Saudita. A tentativa dos houthis é ampliar o tráfego marítimo pelo estreito de Bab el-Mandeb, ao sul do porto. A rota passou a ser utilizada para escoar até 70% da produção de petróleo de Riad, segundo maior produtor da commodity no mundo, após a obstrução do estreito de Hormuz. Antes do conflito, o estreito de Hormuz era responsável pela circulação de cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. Nos últimos dias, o conflito entre EUA e Irã escalou. Na quarta-feira (9), a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado dez navios e disparado mísseis balísticos contra uma base na Jordânia utilizada pelas Forças Armadas dos EUA. A ação foi uma resposta aos ataques americanos a cinco petroleiros iranianos na terça-feira (8). Com essa junção de fatores, o preço do petróleo ultrapassou US$ 105 pela primeira vez desde maio nesta quinta. A alta impulsionou as ações de petrolíferas, com os papéis preferenciais da Petrobras subindo quase 2%. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. "Esse movimento acabou beneficiando o petróleo e o mercado brasileiro por meio da Petrobras, que tem um peso enorme no índice. É a segunda empresa de maior peso no Ibovespa, atrás apenas da Vale", diz Ian Lopes, economista da Valor Investimentos. Nas últimas semanas, a Bolsa brasileira tem sido impulsionada pela força das commodities, em especial do petróleo. A alta da commodity eleva as projeções de receita com a venda do produto e melhora as perspectivas de geração de caixa e rentabilidade das empresas produtoras. O avanço do petróleo também se reflete no fluxo de capital estrangeiro, que encontra maior atratividade nas ações brasileiras diante do cenário global. Esse movimento favorece o real à medida que investidores estrangeiros precisam vender dólares e comprar a moeda local para aplicar em ativos brasileiros. Por outro lado, o conflito aumenta os riscos para o fluxo de petróleo na região e amplia as pressões inflacionárias. Não à toa, a guerra tem sido mencionada por bancos centrais ao redor do mundo nas discussões sobre a condução da política monetária e a necessidade de manter juros mais elevados. Nesta quinta-feira, os rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro americano que refletem as expectativas para as taxas de juros, atingiram máximas de vários anos, em meio ao temor de que a escalada do conflito pressione a inflação. Investidores também repercutiram dados do cenário político brasileiro. O senador Flávio Bolsonaro apareceu numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno da eleição presidencial de outubro entre os dois, segundo pesquisa AtlasIntel/Bloomberg de intenção de voto divulgada nesta quinta-feira. Flávio tem 46,4% das intenções de voto, ante 42,6% na pesquisa anterior, em agosto. Lula aparece com 46,2%, ante 47,1%. Como a margem de erro é de 1 ponto percentual, os dois estão tecnicamente empatados. "Como há um páreo duro entre os candidatos da direita e da esquerda, isso acaba levando investidores dos dois lados a começarem a montar seus trades eleitorais, cada um de acordo com sua convicção", diz Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil. O cenário eleitoral também se relaciona à crise do STF (Supremo Tribunal Federal). Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, foram divulgadas na última terça-feira (1º) e indicaram a atuação do ministro Alexandre de Moraes em favor do ex-banqueiro. A retirada do sigilo da investigação, por decisão do ministro André Mendonça, revelou que, dias antes de ser preso pela PF, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país. "Embora esse episódio não tenha relação direta com o Executivo, a interpretação predominante no mercado é de que o desgaste do STF pode ser mais favorável à campanha de Flávio Bolsonaro do que à de Lula, uma vez que Flávio tem sido historicamente bastante crítico ao Supremo", diz Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX. Indicadores econômicos estiveram no foco da sessão. O volume de serviços ficou estável em julho ante junho e avançou 0,9% na comparação anual, abaixo das expectativas de alta de 0,2% e 1,1%, respectivamente, segundo pesquisa da Reuters. "Os dados recentes de atividade são unânimes em indicar uma moderação do ritmo de crescimento da economia. Na nossa visão, esse movimento deve persistir pelos próximos meses, entrando em 2027, o que permitirá ao Copom seguir com os ajustes na Selic", diz André Valério, economista sênior do Inter. No exterior, o PPI dos Estados Unidos, indicador de preços ao produtor, subiu 0,4% em agosto, após alta revisada de 0,1% em julho. Em 12 meses, o índice avançou 5,4%, ante 4,8% no mês anterior. "A leitura anual surpreendeu ligeiramente para cima. Mesmo com a leitura mista, as apostas em uma alta de juros já na reunião do Fed da semana que vem ganharam força. O mercado agora aguarda o CPI de amanhã, considerado o dado mais decisivo antes da decisão de política monetária dos dias 15 e 16 de setembro", afirma Juliana Benvenuto, coordenadora de alocação e inteligência da Avenue. O Fed definirá a próxima taxa de juros em reunião marcada para 15 e 16 de setembro. Atualmente, os juros dos EUA estão na faixa de 3,5% a 3,75%.
D�lar abre em queda ap�s IPCA registrar defla��o de 0,32% em agosto
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