D�lar abre em alta com tens�o no Oriente M�dio

D�lar abre em alta com tens�o no Oriente M�dio

O dólar abriu em alta nesta terça-feira (1º) com investidores adotando uma maior cautela em meio à escalada de tensões no Oriente Médio.Dados do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, que registrou crescimento de 0,5% no segundo trimestre, também estão no radar dos analistas durante a sessão. Por volta das 9h40, a moeda americana subia 0,13%, a R$ 5,190. No mesmo horário, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis outras divisas fortes, avançava 0,20%, a 99,62 pontos. Assim como na véspera (31), investidores repercutem a retomada dos ataques dos EUA ao Irã no Oriente Médio. A tensão impulsiona os preços do petróleo e favorece as ações de empresas do setor, que têm peso relevante no Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro. Além disso, o conflito tem provocado venda de títulos públicos em diferentes países, elevando o custo de financiamento de algumas das maiores economias e abalando os mercados. O rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA com vencimento em dez anos, uma das taxas de juros mais influentes do mundo, atingiu o maior nível desde janeiro de 2025, enquanto o dos papéis de 30 anos continuou oscilando próximo da máxima de duas décadas. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. No domingo (30), os EUA atacaram dois lançadores iranianos na ilha de Larak, no estreito de Hormuz. Segundo o Centcom (Comando Central do Exército dos Estados Unidos), a ação foi "limitada e precisa" contra forças da Guarda Revolucionária que representavam uma ameaça à via marítima. Foi o primeiro ataque conhecido dos EUA contra o Irã desde o fim de julho. Em resposta, a Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter lançado mísseis balísticos contra duas bases aéreas americanas na Jordânia, alegando ter causado "graves danos". Na segunda-feira, os ataques impulsionaram os preços do petróleo. Por volta das 17h, o barril Brent, referência mundial da commodity, avançava 2,7%, a US$ 90,48. A alta beneficiou o bloco de empresas petrolíferas da Bolsa brasileira. As ações da Petrobras (preferenciais), Prio e PetroReconcavo subiram 3,37%, 3,53% e 2,44%, respectivamente. A moeda americana encerrou o dia em queda de 0,28%, a R$ 5,181, enquanto a Bolsa fechou em alta de 0,99%, a 177.418 pontos, impulsionada pelo bloco de petróleo. O dólar encerrou agosto em alta de 2,22%, enquanto a Bolsa terminou em queda de 0,33%. No ano, o dólar registra desvalorização de 5,32%, e o Ibovespa, alta de 9,02%. "A retomada do conflito no Oriente Médio voltou a pressionar o petróleo, o que, de certa forma, favoreceu o Ibovespa por conta do desempenho das empresas petrolíferas, que tiveram desempenho positivo", diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos. Para Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, a retomada dos ataques também ampliou os temores sobre possíveis impactos na infraestrutura de escoamento de petróleo do Irã. "Analistas trabalham com um prêmio de risco mais elevado pelas incertezas sobre a retomada dos fluxos físicos de petróleo e derivados e pela retomada das ofensivas diretas entre Washington e Teerã. O cenário reduz significativamente as expectativas de avanço nas discussões diplomáticas entre os países", diz. A guerra no Oriente Médio também tem influenciado as decisões de política monetária ao redor do mundo. Tanto o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) quanto o Banco Central do Brasil citam o tema como fator de pressão para as decisões sobre juros das instituições. O cenário eleitoral brasileiro também esteve no radar. A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou Lula com 47,1% das intenções de voto em um segundo turno da disputa presidencial, contra 42,6% de Flávio Bolsonaro —uma diferença menor que a registrada em julho, quando os percentuais eram de 49,2% e 42,9%, respectivamente. A margem de erro é de 1 ponto percentual. Na pesquisa BTG/Nexus desta segunda-feira (31), o presidente Lula (PT) tem 37%, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), 31% —eles tinham, respectivamente, 40% e 34% no levantamento de 24 de agosto que considera a presença do candidato Pablo Marçal. No cenário de segundo turno, Lula aparece 46%, enquanto Flávio tem 45%. Os percentuais são iguais ao do último levantamento do instituto. "Estreitamento da diferença entre os principais candidatos, Lula e Flávio Bolsonaro, favoreceu o apetite", afirma Rodrigo Moliterno. Analistas avaliam que Flávio Bolsonaro tem perfil mais alinhado à disciplina fiscal do que o atual presidente, Lula. A indefinição sobre a abordagem dos candidatos para a trajetória da dívida pública tem alimentado as expectativas de juros mais altos e pressionado a Bolsa e o real. Pela manhã, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu que a atual regra fiscal do país seja reforçada, e não substituída. Ele também afirmou que algumas políticas sociais podem deixar de ser "obrigatórias" no Brasil e passar à classificação de "controle de fluxo", o que daria maior flexibilidade na execução. O dia também foi marcado pela formação da Ptax, uma taxa de câmbio calculada pelo Banco Central que serve como referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros costumam tentar direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas, no sentido de alta das cotações, ou vendidas em dólar, no sentido de baixa.

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