O dólar abriu em alta nesta terça-feira (22), com investidores repercutindo a ata do Copom (Comitê de Política Monetária), que apontou perda de força da atividade econômica sob efeito dos juros altos e queda da inflação. Às 9h47, a moeda norte-americana registrava alta de 0,51%, cotada a R$ 5,133. O comunicado do colegiado manteve um tom cauteloso. Na última quarta-feira (16), o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir pela quinta vez seguida a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. O mercado acompanha ainda o resultado da nova pesquisa Quaest, divulgada após o fechamento do mercado na véspera (21). No levantamento, o presidente Lula (PT) tem 37% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Na pesquisa da semana passada, o petista aparecia com 36%, enquanto o filho de Jair Bolsonaro tinha 31%. Em um cenário de segundo turno, Flávio Bolsonaro tem 42% e Lula, 41%, configurando empate técnico. Na rodada anterior, o candidato do PL também tinha 42%, enquanto o atual presidente registrava 40%. Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, afirma que a ata do Copom desta terça veio em linha com o comunicado da semana anterior, sinalizando um comitê confiante no processo de desinflação da economia, mesmo diante de um ambiente externo mais incerto e da manutenção das expectativas de inflação desancoradas, ou seja, acima da meta perseguida pelo Banco Central. "Apesar do nosso cenário-base ser de manutenção da taxa de juros no patamar atual de 13,75% até o final do ano, entendemos que a ata de hoje aponta para uma maior inclinação do Copom seguir afrouxando a Selic nas próximas reuniões", diz o economista. Ele acrescenta que a continuidade do ciclo de afrouxamento dependerá fundamentalmente do resultado das eleições e de seu impacto sobre o câmbio. Esse fator, segundo Lin, é relevante para determinar se o ciclo de calibração dos juros terá continuidade. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Caio Megale, economista-chefe da XP, afirma que o Copom reiterou que a atividade econômica parte de um patamar ainda forte e que a inflação segue acima da meta. Ainda assim, segundo ele, os indicadores caminham de forma clara na direção desejada pelo comitê. "Por isso, entendemos que a continuidade do ciclo de ajustes na taxa de juros permanece sendo o cenário-base da autoridade monetária." Ele afirma ainda que o ambiente externo continua sendo uma fonte de risco. A ata mencionou as "tensões geopolíticas e seus efeitos sobre os preços de commodities e insumos", fatores que alteraram as expectativas para a condução da política monetária nas economias desenvolvidas. O mercado também segue acompanhando o petróleo. Na última segunda, o barril voltou a ser negociado abaixo de US$ 100. Marcel Lima, sócio da Valor Investimentos, afirma que o recuo para esse patamar reflete a expectativa de um acordo entre Estados Unidos e Irã. O recuo nas cotações da commodity reduz os temores de alta da inflação e dos juros no mundo, o que beneficia ativos de mercados emergentes, como o Brasil. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Na mínima do dia, o barril de Brent, referência mundial da commodity, com vencimento em novembro, recuou 4,7%, a US$ 99. O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado como referência nos EUA, chegou a cair 5,09%, a US$ 91,19. A queda ocorre em meio à maior expectativa entre analistas de uma possível trégua no conflito no Oriente Médio e à normalização do tráfego no estreito de Hormuz, via marítima por onde escoava cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo. Nos últimos dias, o presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizou estar aberto a um encontro com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, nesta semana. A autoridade de Teerã deve estar em Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas. O Irã também indicou a mediadores sua disposição para retomar as negociações, segundo a Al Jazeera, que citou o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei. Essa expectativa por negociações, contudo, contrasta com sinais de escalada do conflito. No sábado (19), os arredores do principal aeroporto de Riad, capital da Arábia Saudita, foram atacados e uma densa coluna de fumaça foi vista. Os houthis, grupo do Iêmen apoiado pelo Irã, reivindicaram a autoria da ofensiva. Além disso, os EUA anunciaram nesta segunda-feira que todas as companhias aéreas iranianas terão suas operações interrompidas a partir desta quarta-feira (23). C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões Durante esta terça-feira, o mercado estará atento aos encontros e discursos na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas),. O presidente Lula discursará no evento.Ainda no ambiente internacional, Trump e Xi Jinping se reúnem em Washington. O líder chinês chega aos Estados Unidos na quarta-feira (23), e o encontro com o presidente americano está previsto para quinta-feira (24). As autoridades devem discutir temas como inteligência artificial e comércio entre os dois países. No ambiente doméstico, na sexta-feira (25) será divulgado o IPCA-15 de setembro, considerado uma prévia do IPCA, principal indicador de inflação do país.
D�lar abre em alta com investidores repercutindo ata do Copom
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