O dólar abriu em alta nesta terça-feira (13), no primeiro pregão após o feriado, e subia 0,73%, cotado a R$ 5,022, às 9h48. Os investidores repercutem a nova pesquisa BTG/Nexus, que mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 52% dos votos válidos na disputa pela Presidência da República, contra 48% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os votos válidos excluem brancos, nulos e indecisos e são a métrica utilizada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para contabilizar o resultado final da eleição. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O cenário eleitoral, marcado pela volatilidade, deve continuar influenciando as decisões dos investidores. Para Rodrigo Moliterno, sócio e head de renda variável da Veedha Investimentos, a semana também é marcada pela atenção ao cenário externo, diante dos riscos geopolíticos e da recente alta do petróleo. Nesta terça, por volta das 9h50, o barril do Brent, referência internacional, recuava 1,64%, mas permanecia acima de US$ 100, cotado a US$ 104,91. "Essa semana a gente tem, além de pesquisas por sair, que é o que tem direcionado o movimento dos mercados, com aumento de fluxo principalmente de estrangeiros, provavelmente a votação da escala 6x1 amanhã no Senado nesta quarta-feira (14). É um processo que pode mexer com a corrida eleitoral", diz Moliterno. Nesta terça, também foi divulgado o novo Boletim Focus. Os economistas elevaram a previsão de inflação e reduziram a estimativa para a taxa básica de juros neste ano, mas mantiveram as projeções para os principais indicadores de 2027, apesar da euforia do mercado na semana passada, quando investidores estrangeiros aportaram R$ 10,6 bilhões na Bolsa após o primeiro turno das eleições presidenciais. O boletim foi o primeiro levantamento a captar os efeitos do resultado eleitoral. A pesquisa anterior, divulgada no dia 5, havia sido encerrada em 1º de outubro, antes do primeiro turno. Para 2027, os analistas mantiveram a previsão de inflação em 4,3%, a taxa de juros em 12% e o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 1,4%. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. No último pregão (9), a Bolsa brasileira subiu 1,38%, aos 209.066 pontos, e renovou o recorde intradiário ao atingir a máxima de 209.713 pontos. O recorde intradiário anterior havia sido registrado na segunda-feira (5), quando o índice chegou aos 209.605 pontos, no primeiro pregão após Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno das eleições presidenciais à frente de Lula. A alta do último pregão também refletiu a repercussão do cenário eleitoral. A primeira pesquisa Datafolha após a definição da disputa de segundo turno mostrou Flávio com 52% dos votos válidos, ante 48% de Lula. Os votos válidos excluem brancos, nulos e indecisos e são usados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para contabilizar o resultado final da eleição. O dólar fechou em queda de 0,77%, cotado a R$ 4,985. O movimento também refletiu o cenário eleitoral e o maior apetite por risco dos investidores, segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad. De acordo com ela, a moeda também passou por uma correção após atingir níveis mais altos nas semanas anteriores. Para Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, a Bolsa subiu principalmente com a continuidade do chamado trade eleitoral, estratégia de investimento baseada nas expectativas em torno da eleição. Segundo ele, a pesquisa divulgada na quinta-feira, que mostrou vantagem de Flávio sobre Lula, reforçou as apostas dos investidores em um cenário fiscal mais favorável nos próximos quatro anos. O resultado é visto com otimismo por parte do mercado, que associa uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro à perspectiva de uma política fiscal mais restritiva. A expectativa é que uma mudança de governo resulte em maior controle dos gastos públicos e medidas para melhorar a trajetória das contas públicas, o que poderia favorecer os ativos brasileiros. No último pregão, os investidores também acompanharam a divulgação dos dados de inflação pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial da inflação no país, subiu 0,82% em setembro, após registrar deflação de 0,32% em agosto. O resultado ficou acima da mediana das projeções do mercado financeiro, de 0,76%, segundo a agência Bloomberg. A alta foi a maior para meses de setembro em cinco anos, desde 2021, quando o índice avançou 1,16%. Apesar da inflação acima do esperado, a Bolsa manteve a trajetória de alta. Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o resultado do IPCA poderia ter aumentado a cautela dos investidores e limitado o apetite por risco às vésperas do feriado que manterá a B3 fechada na segunda-feira (12), mas esse efeito não prevaleceu no pregão. O dado, porém, reforça a preocupação com a trajetória dos preços e pode reduzir o espaço para cortes da Selic, especialmente se as pressões inflacionárias se mostrarem disseminadas e persistentes. Christian Meduna, do Banco BV, afirma que o IPCA ficou quatro pontos-base acima da expectativa da instituição, principalmente por causa de variações mais fortes do que o previsto nos preços dos combustíveis, como gasolina e etanol. Outros itens também surpreenderam para cima e para baixo, compensando parte dessas diferenças. Na alimentação, outro grupo acompanhado de perto pela instituição, a alta ficou abaixo do esperado. Segundo Meduna, o movimento foi influenciado principalmente pelas carnes, tanto bovinas quanto de frango, além dos ovos e de outros alimentos proteicos, cujos preços subiram menos do que o previsto. O cenário geopolítico também esteve no radar dos investidores. Segundo Rebecca Nossig, a perspectiva de recuo dos preços do petróleo ajudou a impulsionar as bolsas americanas, após a commodity acumular ganhos recentes. A acomodação dos preços reduz temporariamente os temores de uma nova pressão inflacionária global, favorecendo as ações. Às 17h17, o Brent, referência internacional para os preços do petróleo, tinha queda de 0,50%, cotado a US$ 104 por barril. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, os Treasuries, também ficaram no radar dos investidores, em meio às preocupações com a inflação e os próximos passos da política monetária dos Estados Unidos. Às 17h19, o rendimento do Treasury de dez anos estava em 5,244% ao ano, alta de 0,17% ante o fechamento anterior.
D�lar abre em alta com Fl�vio � frente de Lula em nova pesquisa eleitoral
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