D�lar abre em alta com dados de infla��o no Brasil e nos EUA

D�lar abre em alta com dados de infla��o no Brasil e nos EUA

O dólar abriu em alta nesta quarta-feira (26), com investidores reagindo a dados da inflação no Brasil e nos EUA. Por volta das 9h55, a moeda americana subia 0,38%, a R$ 5,159, em linha com o exterior. Lá fora, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis outras divisas fortes, avançava 0,14%. No Brasil, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) teve deflação em agosto, ao registrar taxa de -0,4%, apontam dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta quarta-feira (26). A deflação foi a primeira do índice em um ano, desde agosto de 2025 (-0,14%), e a maior em quatro anos, desde agosto de 2022 (-0,73%). O IPCA-15 caiu mais do que o previsto pelo mercado financeiro. A mediana das estimativas era de -0,32%, conforme a agência Bloomberg. Em 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 4,24% até agosto, abaixo do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Nos EUA, o índice de preços PCE subiu 3,7% nos 12 meses até julho, repetindo a taxa de junho, informou o Bureau de Análise Econômica do Departamento de Comércio. Economistas consultados pela Reuters previam alta de 3,6% para o PCE, que o Fed utiliza para definir sua meta. A inflação anual dos Estados Unidos permaneceu bem acima da meta de 2% do Federal Reserve e contribuirá para o tenso debate do banco central sobre se a taxa de juros deve ser elevada ou mantida em meio à guerra no Irã. Participantes do mercado estão precificando um aumento de 0,25 ponto percentual nos juros americanos até o final do ano, de acordo com dados da LSEG. Na terça, o dólar fechou em queda de 0,25%, cotado a R$ 5,139, e a Bolsa teve forte alta de 1,55%, a 174.576 pontos. Investidores avaliaram as promessas de sanções econômicas dos Estados Unidos ao Irã e a países que mantiverem relações comerciais com a República Islâmica. Adotando termos vagos, o governo Donald Trump chamou a operação de "Dia D Econômico", sem impor medidas imediatas de retaliação ao país persa. Esse cenário impôs cautela aos mercados globais, com os índices Dow Jones, S&P500 e Nasdaq apresentando instabilidade ao longo do dia. O índice do dólar, que o compara a uma cesta de seis divisas fortes, caiu 0,11%, a 98,89. No Brasil, o Ibovespa seguiu a volatilidade externa pela manhã, mas descolou à tarde e fechou em forte alta amparado pelo setor bancário, com o Banco do Brasil em disparada de mais de 5%, e pela Vale (2%). No campo negativo, destaque para a queda de mais de 13% da Braskem, na esteira do pedido de recuperação extrajudicial da companhia, e a de 2% da Petrobras, seguindo a desvalorização do petróleo no exterior. O petróleo Brent registrou queda de 4,95%, cotado a US$ 87,61 o barril. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. "Apesar desse peso negativo considerável vindo do setor de energia, o mercado encontrou suporte e liquidez suficientes em outras grandes companhias, com destaque para um fluxo comprador bastante agressivo direcionado à Vale e ao setor bancário. Essa força compensatória tracionou os negócios, garantindo que o índice sustentasse ganhos na reta final da tarde e emendasse seu quarto pregão consecutivo de alta", diz Rebecca Nossig, estrategista de ações na Nomad. O foco dos mercados globais seguiu na geopolítica. A operação de Washington contra Teerã, segundo o governo Trump, deverá ampliar as sanções contra setores essenciais à economia do país persa, como ativos digitais, tecnologia, aviação e transporte marítimo. "Ninguém deu mais chances à República Islâmica do Irã de chegar a um acordo do que eu. Tragicamente para eles, eles não aproveitaram. Por isso, estou anunciando a operação econômica mais esmagadora jamais empreendida contra qualquer país", escreveu Trump na sua rede social, a Truth Social. "Será guerra econômica e isolamento em um nível sem precedentes", prosseguiu o republicano. "A Marinha deles já era, a Força Aérea foi destruída, suas fábricas militares são escombros, a moeda deles não vale nada, e o país está por um fio." Não há indicativos de que a economia iraniana esteja próxima de um colapso completo ou de uma crise muito maior do que a que já havia antes da guerra, causada por anos de pesadas sanções dos EUA e da Europa. "Também declaro hoje que qualquer país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais forneçam salvação econômica ao Irã sofrerá imensas consequências econômicas", ameaçou Trump. Não está claro se ele se refere a aliados mais próximos do Irã, como a Rússia e a China, ou a parceiros comerciais da República Islâmica em geral, grupo que inclui o Brasil —que exporta, principalmente, milho e soja ao país persa— e também aliados dos EUA, como Turquia, Índia e Paquistão. O anúncio do "Dia D Econômico" foi feito pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, que também não especificou as medidas nem os prazos para elas. Ele não forneceu detalhes sobre quais países ou empresas podem ser atingidos. "O Tesouro mapeou todo o nó, todo o facilitador e toda a rede que o Irã tem usado para contrabandear petróleo e evadir sanções", afirmou Bessent. "Ninguém deveria testar nossa determinação."

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