O dólar abriu em alta nesta quinta-feira (10), com os investidores permanecendo cautelosos com a escalada da guerra no Irã e o impacto disso nos preços do petróleo, que avançam. Por volta das 9h25, a moeda americana subia 0,39%, a R$ 5,130, em linha com o exterior. Lá fora, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis outras divisas fortes, avançava 0,19%. Segundo relatório de analistas da Ágora Investimentos, o petróleo e os juros externos mais altos tendem a limitar o apetite por risco e podem pressionar a curva de juros na abertura. Na manhã desta quinta, o barril do Brent, referência mundial, avançava a US$ 104,44, alta de 3,20%. Na véspera (9), a alta do petróleo já havia aumentado a cautela entre investidores e pressionado os ativos de mercados emergentes. A moeda norte-americana fechou em alta de 0,41%, a R$ 5,110, enquanto a Bolsa recuou 0,92%, aos 185.629 pontos. Nesta quinta, os investidores também repercutem indicadores econômicos. O volume de serviços no Brasil ficou estável em julho na comparação com junho, de acordo com dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na comparação com julho de 2025, o volume de serviços avançou 0,9%. Os resultados ficaram abaixo das expectativas em pesquisa da Reuters, que apontavam altas de 0,2% na comparação mensal e de 1,1% na base anual. "Os dados recentes de atividade são unânimes em indicar uma moderação do ritmo de crescimento da economia. Na nossa visão, esse movimento deve persistir pelos próximos meses, entrando em 2027, o que permitirá ao Copom seguir com os ajustes na Selic", diz André Valério, economista sênior do Inter. No exterior, os investidores ainda aguardam a divulgação do PPI (Índice de Preços ao Produtor, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, que mede a variação dos preços recebidos pelos produtores e é acompanhado como indicador das pressões inflacionárias. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Na quarta, o pregão foi marcado por maior cautela dos investidores diante das tensões na guerra do Irã. Nesta quarta-feira, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado dez navios e disparado mísseis balísticos contra uma base na Jordânia utilizada pelas Forças Armadas dos EUA. A ação foi uma resposta aos ataques americanos a cinco petroleiros iranianos na terça-feira (8). Segundo o braço militar iraniano, as embarcações "tentavam atravessar uma área proibida e insegura" do estreito de Hormuz, por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás antes da guerra. Em meio à escalada do conflito, o preço do petróleo ultrapassou US$ 100 pela primeira vez desde 25 de maio, com a intensificação da guerra no Irã. "Com o contrato do tipo Brent ultrapassando a marca em meio a preocupações com desdobramentos geopolíticos e inflacionários no exterior, o apetite global ao risco sofreu uma retração expressiva, penalizando ativos emergentes e impulsionando as taxas dos Treasuries norte-americanos", diz Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad. Na máxima do dia, o Treasury de 10 anos avançou a 4,853%, no nível mais alto desde novembro de 2023. A taxa também foi pressionada pelo anúncio de uma recompra de US$ 6 bilhões em dívida pública pelo Tesouro dos EUA, abaixo da expectativa de alguns analistas, que projetavam um valor entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões. A operação tende, em tese, a aumentar a demanda pelos títulos e elevar seus preços, reduzindo a rentabilidade. No entanto, como o valor anunciado ficou abaixo do esperado pelo mercado, os rendimentos subiram. Nas últimas semanas, a Bolsa brasileira tem sido impulsionada pela força das commodities, em especial o petróleo, e pelo fluxo de capital estrangeiro, que encontra atratividade nas ações brasileiras diante do cenário global. Esse movimento também favorece o real, à medida que investidores precisam vender dólares e comprar a moeda local para aplicar em ativos brasileiros. Por outro lado, o conflito aumenta os riscos para o fluxo de petróleo na região e amplia as pressões inflacionárias. Não à toa, a guerra na região tem sido mencionada por bancos centrais ao redor do mundo na definição de uma política monetária mais restritiva. Nesta quarta, os juros futuros subiram, projetando uma maior alta para a trajetória futura da Selic. A taxa do DI para janeiro de 2035 avançou a 14,22%, ante 14,020% do ajuste da sessão anterior (alta de 20 pontos-base) "O Brasil tem se beneficiado da alta do petróleo por meio dos termos de troca. Esse movimento ajudou recentemente o Ibovespa, mas não é o que observamos nesta manhã. Mesmo com a valorização do petróleo, o mercado também adota uma postura mais cautelosa em relação ao Brasil", afirma Fernando Saad Bernardes, estrategista global da Avenue. Investidores também repercutiram o cenário eleitoral brasileiro. Durante o feriado de 7 de setembro, uma nova pesquisa Quaest mostrou o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro numericamente empatados, com 41% das intenções de voto cada um, em uma simulação de segundo turno. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O cenário eleitoral também está relacionado à crise do STF (Supremo Tribunal Federal). Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, foram divulgadas na última terça-feira (1º) e indicaram a atuação do ministro Alexandre de Moraes em favor do ex-banqueiro. A retirada do sigilo da investigação, por decisão do ministro André Mendonça, revelou que, dias antes de ser preso pela PF, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país. Nesta terça, Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal. Na mesma decisão, o ministro também afastou preventivamente o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada. Segundo a decisão, os afastamentos foram motivados pela produção de um relatório interno da Polícia Federal usado por Moraes para contra-atacar Mendonça. Nesta quarta, o ministro Flávio Dino reintegrou Andrei Rodrigues ao comando da PF e Leandro Almada ao setor de inteligência da instituição. Para Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX, a crise do STF reforça a percepção de instabilidade institucional. "Uma crise institucional prolongada representa um risco para a credibilidade do país. Caso os investidores passem a priorizar esse fator, isso pode elevar os prêmios de risco e pressionar o real." Segundo Mattos, o ambiente político pode alterar as expectativas para a disputa eleitoral de 2026. "Esta hipótese, neste momento, tem favorecido o desempenho da moeda brasileira. A percepção é de que uma eventual alternância de poder poderia resultar em uma condução fiscal mais conservadora." Analistas avaliam que Flávio Bolsonaro tem um perfil mais alinhado à disciplina nas contas públicas. O candidato do PL já afirmou que, se eleito, fará um ajuste na dívida pública sem mexer na Previdência Social ou na política de valorização do salário mínimo. Lula, por outro lado, disse não estar preocupado com a dívida pública brasileira, mas afirmou que a responsabilidade fiscal "baliza" sua vida.
D�lar abre em alta com avan�o do petr�leo e dados econ�micos no radar
Full Article
Original Source
Read the full article at Www1 →KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.