O dólar abriu em alta nesta segunda-feira (14), com o forte avanço do petróleo no exterior e a crise no STF (Supremo Tribunal Federal) e o cenário eleitoral aumentando a cautela entre investidores. Por volta das 9h46, a moeda americana avançava 0,77%, a R$ 5,162, em linha com o movimento no exterior. Lá fora, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis outras divisas fortes, subia 0,49%. Durante o pregão, o petróleo Brent, referência mundial da commodity, avançava 3,86%, a US$ 108,65, na máxima do dia. Na sexta-feira (11), o dólar fechou em alta de 0,47%, a R$ 5,1252, após o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgar os novos dados de inflação e informar que o Brasil teve deflação em agosto. A alta foi pressionada pelo noticiário político, sobretudo após documentos da PF (Polícia Federal) e da PGR (Procuradoria-Geral da República) terem o sigilo levantado pelo STF (Supremo Tribunal Federal). O material aponta que o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, era interlocutor direto do ex-banqueiro Daniel Vorcaro na negociação para investimentos no filme "Dark Horse", que conta a história de seu pai, Jair Bolsonaro. O material também indica que Eduardo Bolsonaro, outro filho do ex-presidente e que vive nos Estados Unidos, atuava como gestor do dinheiro levantado para o longa-metragem. Na Bolsa, o Ibovespa fechou em queda de 0,56%, aos 187.206 pontos. O índice acompanhou a repercussão dos dados de inflação dos Estados Unidos. O CPI (índice de preços ao consumidor) acelerou em agosto, no último dado de inflação antes da próxima reunião do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), marcada para os dias 15 e 16 de setembro. A decisão ocorrerá nos mesmos dias das reuniões do Copom, que também define a taxa básica de juros brasileira, na chamada superquarta. No Brasil, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) recuou 0,32% em agosto, na primeira deflação em um ano. A queda foi puxada principalmente pela conta de luz, que ficou 7,63% mais barata sob impacto temporário do bônus de Itaipu. Também houve redução nos preços de passagens aéreas (-13,17%), além de alimentos e combustíveis. Marcelo Bassani, economista e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, avalia o resultado como positivo para a economia e afirma que o dado abre espaço para mais um corte na taxa de juros na próxima reunião do Copom. Já nos Estados Unidos, a aceleração dos preços ao consumidor, com o avanço do custo da gasolina, reforçou as expectativas dos mercados financeiros em relação à próxima decisão do Fed. Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital, afirma que a aceleração da inflação americana foi uma surpresa. "Acredito que o dado contribui para o Banco Central americano aumentar as taxas de juros na semana que vem, tendo em vista que os dados de inflação foram acima das expectativas e não foram capazes de demonstrar uma tendência de desinflação na economia americana", diz. Ele aponta, no entanto, que o Fed ainda tem motivos para manter as taxas estáveis, entre eles, revisões metodológicas no PCE (principal indicador de inflação do Fed) e o fato de que uma alta dos juros antes das eleições de meio de mandato pode ser interpretada como um ato político. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. No fechamento de mercado de sexta, o FedWatch, do CME Group, registrava 86,5% de chance de elevação dos juros para o intervalo entre 3,75% e 4%, contra 13,5% de probabilidade de manutenção da faixa atual, entre 3,5% e 3,75%. No cenário doméstico, outros desdobramentos da crise no STF também permanecem no radar do mercado. O presidente do tribunal, Edson Fachin, pediu ao ministro André Mendonça que retirasse, em até 24 horas, o sigilo de todos os documentos que integram as investigações sobre o caso do Banco Master, de Daniel Vorcaro, na corte. Fachin atendeu a um pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República), assinado pelo vice-procurador-geral Hindemburgo Chateaubriand, e a solicitações dos ministros Alexandre de Moraes, que mantinha relações com Vorcaro, e Cristiano Zanin, que pediu acesso completo ao celular do empresário. O mercado também vem sendo influenciado pelos desdobramentos da guerra no Irã. O preço do petróleo começou a sessão desta sexta em alta e chegou a se aproximar de US$ 110, mas passou a cair em seguida e acumulava desvalorização de quase 4% após a informação de uma possível reunião, nos próximos dias, entre os chanceleres do Irã e de outros países do Golfo Pérsico para discutir a situação do estreito de Hormuz. A passagem está bloqueada para a navegação desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. A ofensiva dos houthis, grupo do Iêmen aliado ao Irã, avançou na sexta rumo ao controle do estratégico estreito de Bab el-Mandeb, porta de acesso ao sul do mar Vermelho. Os rebeldes apoiados pelo Irã tomaram mais uma cidade e uma ilha importante para o controle do tráfego marítimo na região. Além disso, imagens de satélite mostraram uma grande coluna de fumaça subindo de um oleoduto que liga campos produtores de petróleo sauditas, no leste da península Arábica, ao porto de Yanbu, no mar Vermelho. A escalada ocorreu no mesmo dia em que o presidente Donald Trump foi ao memorial no Pentágono em um evento pelos 25 anos do 11 de Setembro em Nova York. Em seu discurso, Trump afirmou que os Estados Unidos jamais esquecerão os atentados e traçou um paralelo entre a reação americana à tragédia há 25 anos e os conflitos enfrentados pelo país atualmente. "É por isso que lutamos hoje", disse Trump. "Não temos escolha. Só pode haver vitória. Lutamos com força. Lutamos para vencer." Na dia anterior (10), os houthis anunciaram ter tomado o controle da cidade de Mocha, considerada estratégica para o escoamento do petróleo da Arábia Saudita. A tentativa dos houthis é ampliar o tráfego marítimo pelo estreito de Bab el-Mandeb, ao sul do porto. A rota passou a ser utilizada para escoar até 70% da produção de petróleo de Riad, segundo maior produtor da commodity no mundo, após a obstrução do estreito de Hormuz.
D�lar abre em alta com avan�o do petr�leo e cen�rio pol�tico em foco
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