Dist�ncia entre Fl�vio e Lula se torna quase impercept�vel

Dist�ncia entre Fl�vio e Lula se torna quase impercept�vel

Depois do primeiro turno, a distância entre as intenções de voto em Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) caiu em três semanas de quatro pontos para um ponto percentual na pesquisa Datafolha divulgada na quinta (22). Dos votos totais, Flávio tem 47%, e Lula, 46%. Em votos válidos, ou seja, excluídos os em branco e nulos como faz a Justiça Eleitoral, o arredondamento leva ao placar de 50% a 50% —se as cifras tivessem uma casa decimal, seriam 50,5% a 49,5%. O estreitamento da diferença configura empate nas margens de possibilidades da estatística. Dada a distância diminuta entre os candidatos, se alguma, os motivos que levaram a essa aproximação são quase imponderáveis, assim como os fatores que podem decidir o vencedor. De menos incerto, sabe-se que o país sairá dividido de modo ainda mais acirrado desta disputa e desinformado de planos a respeito de problemas urgentes. A eleição entrou em alvoroço. Depois da derrota no primeiro turno, a campanha de Lula foi tomada por atividade frenética, e o governo entregou-se de modo mais desabusado à decretação de medidas eleitoreiras. A militância petista rumou às ruas em grandes números e por todo o país. Com o "Exército de Lula", liderado pelo deputado André Janones (Rede-MG), o lulismo foi às redes sociais de modo agressivo. Já a campanha de Flávio pareceu ter se acomodado com o que acreditou ser vitória já confirmada pelo sucesso inicial. Além de escândalos, contradições do programa econômico e social podem ter contribuído para o desgaste bolsonarista. O próprio candidato renegou ideias que emanavam de sua equipe de assessores. Nesse ambiente, houve ligeira melhora da avaliação do governo Lula, que teve 36% de ótimo ou bom e 39% de ruim ou péssimo. O saldo ainda é negativo, o que costuma ser mau indício de possibilidade de reeleição, mas o menor desde dezembro de 2024. A taxa de rejeição ao mandatário ficou praticamente estável, ora em 45%, ante 46% dos dois levantamentos anteriores. No caso de Flávio, passou de 43% para 44% e 46% na mesma sequência. No que resta da campanha, há risco de mais manobras na Justiça, manifestações de rua, o tumulto das redes e o efeito do último debate televisivo, na Globo. Mencione-se ainda o desafio teatral feito por Lula e aceito por Flávio para que ambos abram mão de seus sigilos bancário e fiscal. Prognósticos são temerários. Ao menos desde 2018, a votação de candidatos da direita tem apresentado crescimento expressivo nos dias finais de campanha. O resultado pode depender de pequena mudança na abstenção, dos agora raros indecisos e da difícil transferência de votos de um candidato para outro. Assim como é indefinida a disputa, é incerto o que será feito do país a partir de segunda-feira (26). Qualquer que seja, o vencedor enfrentará alta rejeição e severas dificuldades na economia. editoriais@grupofolha.com.br

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