Disputa presidencial segue acirrada e sem conte�do

Disputa presidencial segue acirrada e sem conte�do

A diferença entre as intenções de voto em Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se estreitou, segundo pesquisa Datafolha. A vantagem numérica do primeiro sobre o segundo diminuiu de 4% para 2% dos votos válidos —vale dizer, de 52% a 48%, há uma semana, para 51% a 49%, embora a margem de erro do levantamento não permita constatar com precisão esse movimento. É possível que grandes manifestações de rua e a revisão frenética da campanha digital petista tenham contribuído para o encurtamento da distância. Ainda assim, outros números indicam que a situação do incumbente na corrida continua difícil. A rejeição a Flávio, em 44%, parece ligeiramente menor que a de Lula, em 46%. A avaliação do governo não se altera desde a semana final de setembro, com saldo ainda negativo. Para 35% dos entrevistados, o presidente faz uma administração ótima ou boa, e para 41%, ruim ou péssima. A esta altura da campanha de 2022, era melhor a nota de Jair Bolsonaro (PL). É majoritária (54%) a opinião de que o filho do ex-presidente vencerá. Ainda sem um debate direto entre os dois postulantes, a disputa permanece tão acirrada quanto vazia de conteúdo. A desfaçatez é a regra a pouco mais de uma semana do segundo turno. Desde antes da derrota no primeiro, o presidente-candidato apelava a medidas eleitoreiras de última hora, tais como a proibição das apostas esportivas pela internet e o reajuste do Bolsa Família sem previsão orçamentária. Depois do choque de realidade, da qual mais uma vez parecia alheado, Lula anunciou um pacote para microempreendedores individuais (MEIs) e prometeu transporte público gratuito aos sábados e domingos. Na semana que passou, chegou a renegar a histórica oposição do PT à redução da maioridade penal. Sem dispor da máquina de governo, Flávio Bolsonaro esconde planos que não sejam a intenção de libertar o pai, condenado por tentativa de golpe de Estado, e platitudes de campanha. Tem negado que vá adotar providências básicas de qualquer ajuste fiscal comprometido com a contenção de gastos —programa que, no entanto, seus auxiliares alardeiam. O candidato do PL chama de mentiroso quem atribui a ele a intenção de conter despesas com benefícios sociais, saúde e educação. Senador pelo Rio de Janeiro, votou pelo fim da escala de trabalho 6 por 1, mudança que criticara de modo mais do que enfático. Ao menos pelo que se diz nas campanhas, os programas convergem na demagogia. Na melhor hipótese, espera-se que os candidatos possam apresentar alguma divergência substanciada nos dois debates televisivos marcados para os próximos dias. No entanto é grande o risco de que, nesses confrontos, eles acabem por se valer do recurso de tentar desgastar o adversário com retórica populista. Nada nesta corrida ao Planalto encoraja maior otimismo nesse sentido. editoriais@grupofolha.com.br

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