É grande o contraste entre o comportamento do eleitor na corrida pela Presidência da República, ou mesmo pelos governos estaduais, e na disputa por vagas no Senado Federal. Quando está diante de uma escolha relativa ao Legislativo, o brasileiro hesita, e o índice de indecisos assume a ponta da tabela. E isso mesmo que o pleito dos senadores tenha características majoritárias: vencem os dois mais votados, sem as complicações do quociente eleitoral. Se precisa indicar sua preferência para o Executivo, o quadro muda. Na mais recente pesquisa Datafolha, apenas 2% dos entrevistados se disseram em dúvida. Diminui, assim, a margem de manobra com que operam tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder com 40% das intenções de voto na simulação de primeiro turno, quanto o senador Flávio Bolsonaro (PL), que aparece em segundo lugar, com 36%. Embora tenha desaparecido a vantagem de dez pontos que Lula chegou a ostentar quatro meses atrás, a verdade é que, a despeito de escândalos e medidas populistas do governo federal, a corrida presidencial revela-se estagnada desde o início de setembro, quando Augusto Cury (Avante) atingiu 8% das preferências. Foi um soluço, no entanto. Cury, agora com 5%, regressou ao pelotão inferior, de onde nomes como Ronaldo Caiado (PSD, 4%), Renan Santos (Missão, 3%), Romeu Zema (Novo, 1%) e Samara (UP, 1%) jamais conseguiram sair. É difícil imaginar que alguma dessas candidaturas venha a se transformar em surpresa na reta final. O mais provável é que elas ainda encolham, na medida em que Lula e Flávio buscarão converter apoiadores para tentar encerrar o pleito no primeiro turno. Com rejeição elevada (45%), contudo, ambos continuam distantes do feito que, a esta altura, se mostra ao alcance de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo. O atual governador do estado tem 50% das preferências, contra 30% de Fernando Haddad (PT). No cômputo dos votos válidos, fica 56% a 34% para Tarcísio. Longe de prognósticos desse tipo, a disputa pelo Senado pode trazer novidades nas mais diversas unidades federativas, a depender do pendor de última hora de quem, hoje, se diz em dúvida. Para ficar apenas no caso paulista, a margem de erro garante um empate quádruplo na liderança: Marina Silva (Rede, 15%), Simone Tebet (PSB, 14%), André do Prado (PL, 12%) e Guilherme Derrite (PP, 12%). Mas, com 15% de indecisos, qualquer outro candidato pode se julgar no páreo. Entende-se o apelo dos cargos no Executivo, mas não é menor a importância do Poder Legislativo. Lá se tomam decisões cruciais, tanto para o cotidiano da população quanto para o funcionamento das instituições. Para ficar em apenas um exemplo da ordem do dia, cabe ao Senado deliberar sobre o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Comete um erro, portanto, quem deixa essa eleição em segundo plano. editoriais@grupofolha.com.br
Disputa pelo Senado contrasta com corrida presidencial
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