O Canadá não será mais um membro associado da União Europeia, mas terá uma "associação cada vez mais estreita" com o bloco. A discussão de tons bizantinos cerca a visita de Ursula von der Leyen e António Costa a Montreal nesta semana. A presidente da Comissão Europeia e o líder do Conselho Europeu estão no Canadá para aprofundar o acordo já existente entre o país e o bloco europeu. Em setembro, em discurso ao Parlamento, em Estrasburgo, prestigiado pelo premiê canadense, Mark Carney, Von der Leyen anunciou a ideia de membro associado, agora reformada. "Nossa ideia é simples: trata-se de uma associação sem adesão", afirmou a alemã nesta quinta-feira (29). "Podemos construir uma parceria que se aproxime mais da adesão do que qualquer outra iniciativa que já tenhamos realizado." Motor da aproximação com sua guerra comercial, Donald Trump chamou de "ridícula" a proposta de transformar o Canadá em membro associado da UE e ameaçou impor novas tarifas ao país vizinho. Von der Leyen, no entanto, foi contida em seu ímpeto inicial. Na terça-feira (27), um rascunho da declaração final, que será publicada nesta sexta-feira (30) em Montreal, foi submetido ao chamado procedimento de silêncio, consulta aos 27 países-membros em que a ausência de resposta significa aprovação. Alemanha, França, Itália e Grécia manifestaram dentro do prazo oposição ao termo "membro associado" e pediram sua modificação. Na versão mais branda das críticas, o empecilho seria a falta de previsão legal para tal tipo de associação; na versão mais ácida, a Comissão Europeia inventou o termo sem combinar nada com os líderes dos países. Segundo a imprensa europeia, Berlim liderou o movimento de recusa. O debate primordial, disseram diplomatas, deveria ser sobre o conteúdo da parceria com o Canadá, não seu status ou designação. Uma lembrança, no entanto, sugere algum tipo de retaliação. Em maio, Friedrich Merz havia usado o mesmo nome, membro associado, em uma proposta para incluir a Ucrânia como membro interino da União Europeia, porém sem direito a voto. O primeiro-ministro alemão queria, de forma pragmática, contornar a burocracia europeia para acelerar as decisões relacionadas à guerra no país, mas até Volodimir Zelenski rechaçou a ideia. O presidente ucraniano receava deixar o país preso à interinidade, sem avançar de fato com a integração à UE. À época, os desafios legais também foram citados, e o tema acabou superado. Não é a primeira vez que Von der Leyen anuncia políticas sem consultar as capitais. Em 2023, ela fechou um acordo com a Tunísia para deter rotas de imigração ilegal sem seguir os protocolos de consulta e aprovação da UE. Nesta semana, apesar do veto dos países, o termo "membro associado" aparecia na mensagem que postou no X ao desembarcar em Montreal. Disputas de competência são relativamente comuns em Bruxelas, dentro e fora da Comissão Europeia. Em setembro, Kaja Kallas, a chefe da diplomacia do bloco, desistiu na última hora de formar um grupo de aconselhamento de defesa de alto nível após Alemanha, França e Itália expressarem reservas e a própria Comissão se opor ao projeto. Semântica à parte, o acordo com o Canadá deve ser aprimorado em áreas como inteligência artificial, segurança e ambiente, segundo Von der Leyen. A presidente da Comissão Europeia fez menção especial ao Ártico, com críticas diretas a Vladimir Putin. "Quando vemos a Rússia reconstruindo sua presença militar no Ártico, adotando estratégias híbridas contra seus vizinhos e redefinindo a segurança da região, isso afeta a União Europeia e o Canadá", afirmou. Euro Radar Uma newsletter sobre geopolítica e economia global, editada pelo jornalista João Caminoto, de Paris "Precisamos agir e mudar nossa postura estratégica e, juntamente com parceiros que compartilham dos mesmos princípios, como o Canadá, defender esses valores." A declaração deve abordar também uma potencial exportação de gás natural canadense para a Europa e uma versão transatlântica do programa Erasmus, que promove intercâmbio de jovens entre os países para períodos de formação e estágios. Sem depender de Bruxelas ou de qualquer comunicado, o Canadá já foi convidado e aceitou participar da próxima edição do Eurovision, espécie de festival da canção, tratado como uma espécie de Copa do Mundo anual no continente. Até Carney entrou na brincadeira, pedindo em rede social que os canadenses escolham seu representante até o dia 5 de novembro.
Disputa na UE muda nome de parceria com Canad�, mas aproxima��o continua
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