A direita criou o Banco Master, foi pega roubando com o Banco Master e agora teve que pagar uns caras do STF para escapar da cadeia. Na última semana, descobrimos novos indícios de que o dono do Master tentou comprar o apoio do ministro Alexandre de Moraes. Há também indícios contra os ministros Dias Tóffoli e Nunes Marques. Mas só as acusações contra Moraes ajudam o candidato em que o ministro André Mendonça vota. O possível suborno de juízes do STF já seria um dos maiores escândalos da história brasileira, mas esse é só o final de uma história muito pior. Os valores desviados têm muito mais zeros, as vítimas dos crimes são muito mais pobres, e o envolvimento da direita vai muito, muito além de um filme. Daniel Vorcaro tentou comprar juízes porque o Banco Central e a Polícia Federal, já no governo Lula, melaram seu esquema. Mas que esquema foi esse? "Banco Master" é um negócio que existiu depois do Banco Central do Temer (que não deixou Vorcaro virar banqueiro) e antes do Banco Central do Lula (que obrigou Vorcaro a deixar de ser banqueiro). No meio disso teve Bolsonaro. Quando Jair lhe deixou ser banqueiro, Vorcaro saiu procurando políticos ladrões que aceitassem investir dinheiro de aposentado em títulos que não valiam nada. Conseguiu sócios em 18 entes federativos: 3 estados e 15 municípios. Dos 18, 17 (90%) eram governados pela direita. De longe, o maior desfalque foi dado pelo governador bolsonarista do Rio de Janeiro, Cláudio Castro: R$ 3,7 bilhões. Em suas voltas pela picaretagem brasileira, Vorcaro conheceu Augusto Lima, que tinha um esquema com o governo do PT na Bahia. O esquema dava empréstimos fraudulentos a funcionários públicos do estado. Vorcaro virou sócio de Lima e de outros picaretas semelhantes Brasil afora. Como toda mutreta desse tipo, uma hora o Banco Master começou a fazer água. Um senador e um deputado bolsonaristas apresentaram projetos no Congresso para aumentar a cobertura do FGC, o que permitiria a sobrevivência da pirâmide Master por mais tempo. Se os projetos tivessem sido aprovados, todo o dinheiro que você tem no banco teria sumido. Seis partidos apresentaram um requerimento de urgência para votar um projeto que permitiria ao Congresso demitir o diretor –justiça seja feita, nomeado por Campos Neto– que impediu a operação do BRB. Dos 6, 5, 84%, eram de direita: PL do Bolsonaro, Republicanos do Tarcísio, PP do Ciro Nogueira, União Brasil do Alcolumbre e MDB do Ibaneis Rocha. Não deu certo, e Vorcaro precisou apelar para o governo bolsonarista de Ibaneis Rocha, do Distrito Federal, que tinha um banco estatal grande nas mãos. A operação para salvar o Master custou, por baixo, R$ 8 bilhões ao BRB, dinheiro que será pago com cortes nos serviços públicos do Distrito Federal por muitos anos. Depois dos bilhões de dinheiro público que o bolsonarismo lhe deu, Vorcaro achou que o mínimo que poderia fazer seria recompensá-los com R$ 140 milhões (dos quais R$ 60 milhões foram pagos) para Flávio Bolsonaro. Não era problema de Vorcaro se o dinheiro era para fazer filme ou se, como é óbvio, era para sustentar as conspirações de Eduardo Bolsonaro contra o Brasil. A acusação contra Moraes é essa: ter entrado no esquema de corrupção dos caras que ele prendeu no processo contra o golpe. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Direita quebrou banco e comprou STF
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