O ex-ministro José Dirceu (PT-SP) diz que lamenta "profundamente" a morte do produtor Luiz Carlos Barreto, o Barretão, que faleceu na madrugada desta quarta (22), aos 98 anos, no Rio de Janeiro. "Ele era um visionário e um lutador. Foi para mim um segundo pai, de uma família que me acolheu quando eu estava no fundo do poço", relembra o petista. Barreto deixa uma obra considerada monumental, em títulos como "Vidas Secas", "Terra em Transe", "Dona Flor e seus Dois Maridos". Chegou a emplacar dois títulos como candidatos ao Oscar de filme internacional —"O Quatrilho" (1995), de Fábio Barreto —morto em 2019—, e "O Que É Isso, Companheiro?", de Bruno Barreto, ambos seus filhos. Condenado em 2012 no caso do mensalão, Dirceu passou a ter relação próxima com Barreto, sua mulher, Lucy, e os filhos do casal. Todos foram solidários ao ex-ministro em um momento em que poucos manifestavam apoio publicamente. "Praticamente morei lá [na casa de Barreto] nos anos do mensalão e antes da Lava Jato. Depois, ia ao Rio de Janeiro sem visitá-los. Morei na suíte que era do Fabio e do Bruno [Barreto, diretores de cinema e filhos de Barretão]. Na prática, fui adotado", segue ele. Barretão havia sofrido um acidente há dois anos e quatro meses e estava paraplégico desde então. Ele estava internado desde segunda-feira no Hospital Copa Star. "Ele estava reaprendendo a falar, a deglutir. Eu ficava ao lado dele conversando, e Barretão com a cabeça ótima, com toda aquela sabedoria, aquela luz, aquela vontade dele de fazer coisas", diz Dirceu. Em nota enviada a amigos comuns por WhatsApp, Dirceu escreveu a seguinte nota: "Acabei de falar com Lucy Barreto, esposa e companheira de Luiz Carlos Barreto em uma vida inteira dedicada ao cinema e à cultura brasileira. O nosso Barretão nos deixou hoje, depois de lutar durante anos pela vida com a coragem de quem sempre teve uma causa e uma paixão. Barreto e sua família foram minha segunda casa nos anos duros das perseguições e das prisões. Ali encontrei carinho, acolhimento e afeto, e abracei também sua luta pela cultura e pelo cinema brasileiro. Barretão era um líder, uma luz. Como produtor, diretor e fotógrafo, expressou como poucos a alma brasileira, movido por uma profunda paixão pelo nosso povo e pela nossa cultura. Foi uma lenda do cinema e um lutador incansável pela democracia, que jamais renunciou às suas convicções políticas. Sentirei muita falta de sua presença amiga e afetuosa, de seus conselhos e de sua sabedoria. Fico, porém, com as boas e alegres lembranças de nossa convivência e com o compromisso de continuar sua luta pelo cinema e pela cultura brasileira, que foram sua razão de viver. À Lucy, Paula, Bruno e a toda a família, deixo meu abraço, meu carinho e minha tristeza por não poder estar com vocês para me despedir do nosso Barretão." LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Dirceu diz que Barret�o o acolheu 'no fundo do po�o' e lamenta morte de 'vision�rio'
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