O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino relata, em decisão que autorizou a operação de busca e apreensão da PF (Polícia Federal) contra o deputado Cezinha de Madureira (PL-RJ) que o parlamentar e sua mulher, Valéria Rodrigues Linhares, trabalhavam para influenciar ministros da Corte a votarem a favor de interesses de clientes da advogada Mariângela Fialek. Os pagamentos chegariam a R$ 1 milhão em caso de sucesso. Cezinha de Madureira teria a função de despachar diretamente com os magistrados. Ele não é advogado. Ex-assessora do deputado federal Arthur Lira quando ele presidiu a Câmara dos Deputados, ela já foi alvo de outra operação da PF acusada de ter a chave do orçamento secreto e de trabalhar "sem preocupação" ou "interesse republicano" para o encaminhamento de emendas de comissão."Os diálogos extraídos revelam a atuação articulada e continuada de três pessoas com papéis complementares e definidos: Mariângela Fialek ("Tuca"), advogada que capta e formaliza as causas e elabora os memoriais; Valéria Rodrigues Linhares, advogada e esposa do representado [Cezinha], que redige, revisa e assina os instrumentos de honorários e de cessão de crédito e sinaliza a evolução do 'assunto'; e o próprio deputado Federal Cezinha de Madureira, a quem cabe o suposto contato pessoal e direto com ministros de tribunais superiores", diz a PF em relato incluído por Dino no despacho. Os policiais afirmam que "dessas três pessoas, duas aparentemente são advogadas e um aparentemente não é (no caso, o citado parlamentar), cabendo a este último fazer 'despachos' em gabinetes do Poder Judiciário. Segundo a PF, o padrão de conduta do grupo "é constante e se repete em todos os episódios: (i) Fialek encaminha ao parlamentar [Cezinha] a peça, o memorial ou o andamento processual; (ii) o parlamentar confirma que "falou", "despachou", "pediu" ou que será atendido pelo ministro; (iii) a advogada cobra o resultado ("Manda notícias", "Me de boas notícias!", "Qual o próximo passo"); e (iv) paralelamente, formaliza-se o instrumento de honorários de êxito, em valores incompatíveis com a simples atuação técnica e vinculados exclusivamente ao resultado do julgamento". A PF inclui conversas entre "Tuca" e o deputado que indicam que um dos despachos dele foi com o ministro do STF Kássio Nunes Marques. Segundo o relato, "as expressões 'vou pedir a ele', 'eu preciso pedir expressamente'e a identificação nominal do interlocutor ('ministro Kassio') evidenciam, em juízo de cognição sumária, que o parlamentar não se limitava a encaminhar peças: comprometia-se a formular pedido pessoal e direto ao julgador, em favor de partes representadas por advogadas a ele ligadas por vínculo conjugal e por interesse econômico. A menção a 'aquela pessoa que tinha um tema para tratar com ele' sugere, ainda, a existência de terceiros intermediados pelo representado, cuja identificação depende do acesso aos seus dispositivos". Em julho de 2025, diz ainda a PF, Mariângela Fialek "encaminhou a Valéria, para análise ("Analisa para nós, por favor, que eu estou no telefone e não vou conseguir ler"), o "Contrato de cessão de crédito– Igor Rodrigues Advogados Associados e Valéria Rodrigues Linhares", cujo objeto é a Reclamação Constitucional nº 81.608, em trâmite no Supremo Tribunal Federal, e cuja Cláusula 5ª prevê a cessão, à sociedade de advocacia da esposa do representado, do montante de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) dos honorários a serem recebidos em caso de êxito". LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Dino cita honor�rios de R$ 1 milh�o e despachos de Cezinha de Madureira com ministros do STF em decis�o
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