Diferente, mas quase igual

Diferente, mas quase igual

Uma das maiores críticas sofridas pela seleção de Carlo Ancelotti na partida de eliminação na Copa do Mundo foi ter permitido à Noruega, que ganhou por 2 a 1, ficar bem mais com a bola: 66% x 34%. Como o brasileiro está acostumado a ver a equipe propondo as ações nas partidas, exercendo domínio, o retrato saiu ruim. Não se levou em consideração que o Brasil, mesmo tendo menos a bola, finalizou mais (14 x 9) e obrigou o goleiro rival a fazer mais defesas (4 x 3). Se a vitória diante dos nórdicos tivesse vindo, Carletto seria enaltecido como estrategista que "soube ganhar mesmo sem a bola". A seleção perdeu porque pecou nas finalizações e porque falhou no óbvio: impedir que a bola chegasse a Haaland. Duas falhas, dois gols. Fim. Então ficar mais tempo com a bola é irrelevante? Não. Estando com ela, a equipe não leva gol. Só que, se não souber lidar adequadamente com ela, não faz gol. Pós-ressaca da Copa, o Brasil foi a campo na Superdata Fifa para duas partidas contra a Austrália, na Oceania. Ainda enfrentará a Índia, na Ásia. Colunas Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha No primeiro amistoso, Ancelotti optou por uma formação bem ofensiva (4-2-4), com quatro no ataque (Estêvão e Vini Jr. abertos, Endrick e Raphinha pelo meio). Com a Austrália tendo quatro no meio-campo (dois a mais), era esperado que tivesse mais a bola. Não teve. O Brasil esteve com a redonda 65% do tempo. Um domínio, todavia, aparente. Bruno Guimarães e Danilo não conseguiam acionar o quarteto dianteiro. O que se viu foi a execução de muitos passes (633, sendo 554 certos), tico-tico na maioria, e 16 finalizações: um gol, quatro defesas do goleiro Beach, seis para fora e cinco bloqueadas ou desviadas. E uma sensação forte de não funcionamento do sistema, já que, no 1 a 1, o gol salvador de Rayan saiu nos acréscimos do segundo tempo. Para o segundo amistoso, Carletto reforçou o meio-campo, em um 4-3-3, com o estreante Gabriel Bontempo (na metade do segundo tempo entrou Andrey Santos) ao lado de Bruno e Danilo (no fim do segundo tempo entraram Martinelli e Breno Bidon). Na frente, Rayan, pela direita, Vini, pela esquerda, e Raphinha, como centroavante, posição na qual tem brilhado pelo Barcelona. No intervalo, Endrick substituiu Raphinha. O "um a mais no meio" do Brasil não significou ampliação da posse de bola, mas redução significativa: Brasil 51%, Austrália 49%, quase um empate. Mesmo tocando menos na bola (475 passes, 406 corretos), o Brasil tentou o gol 18 vezes, duas a mais que na outra partida. Só que dois dos chutes foram em pênaltis. Das outras 16 tentativas, dois gols, quatro defesas de Beach, três para fora e sete bloqueadas/desviadas. E a sensação de que, com o 4 a 2, o time melhorou. Será? Na doída derrota para a Noruega, a seleção brasileira tentou o gol 14 vezes, ou seja, mostrou mais objetividade no pouco tempo de bola que teve: um gol (de pênalti) com o jogo quase no fim, quatro defesas de Nyland, uma trave, seis fora, quatro bloqueios/desvios. Neste começo de ciclo para a Copa de 2030, notou-se mudança na posse de bola. Mas a ameaça ao gol rival está quase igual. O mérito no último jogo esteve na eficácia: quatro bolas na rede. Quem faz quatro gols, a não ser que a própria defesa seja um desastre (a do Brasil não é), ganha. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

Original Source

Read the full article at Www1 →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.