Entre os 15 candidatos jovens com maior engajamento nas redes sociais até o fim do primeiro turno, dez foram eleitos, incluindo dois com votação recorde. O dado é de um monitoramento do Instituto Democracia em Xeque em parceria com o Núcleo de Pesquisas em Psicologia Política e Movimentos Sociais (NUPMOS – PUC-SP), que acompanhou a participação jovem nas eleições para os Legislativos federal e estaduais. Segundo o levantamento, o pleito de 2026 registrou o maior sucesso eleitoral desse segmento das últimas quatro eleições, e mostrou "a força das campanhas digitais, ainda que os desempenhos não tenham sido uniformes." O relatório classifica engajamento ou interações como a soma de curtidas e comentários em postagens, e candidatos jovens aqueles com no máximo 29 anos até a data da eventual posse. Ao todo, foram analisados 65.710 posts de 691 candidatos jovens entre 16 de agosto a 4 de outubro, nas plataformas Instagram, TikTok, X, Facebook e YouTube. Lucas Pavanato (PL-SP), 28, o deputado federal mais votado da história, soma o maior número de interações nas redes desde o início do levantamento. Já a deputada estadual Eduarda Campopiano (PL-SP), 23, a mais votada de São Paulo, ocupa a 7ª posição no ranking de engajamento. Os dois tiveram algumas das postagens de maior repercussão do período eleitoral, segundo o estudo, ao promoverem uma dobradinha: uma série de publicações em conjunto articuladas com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos políticos brasileiros mais influentes na internet e que alcançou a marca histórica de votação ao lado de Pavanato. Nikolas está fora do recorte etário do monitoramento por já ter completado 30 anos. Um dos posts de maior alcance da dupla mostra Pavanato usando uma peruca e criticando, ao lado de Campopiano, o uso de cotas e o acesso de mulheres trans a banheiros femininos. A postagem teve 630 mil interações cerca de quatro dias antes do primeiro turno e foi restringida por determinação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), de acordo com um aviso do Instagram. Segundo o estudo, os políticos priorazaram o discurso combativo e temas nacionalmente controversos. A esquerda também faturou com uma estratégia de colaboração semelhante conduzida por Guilherme Cortez (PSOL-SP), 28 e Ana Elisa (PT-MG), 21— presentes na lista em 6º e 13º lugar, respectivamente. Embora não tenham batido recordes de votação, ambos se elegeram apostando em um alto volume de publicações focadas no público jovem e em vídeos em parceira na reta final da campanha, apresentando-se como contraponto às lideranças digitais de direita, diz o instituto. O vídeo "imagina esses dois em Brasília infernizando o Nikolas" foi o de maior relevância, com cerca de 130 mil interações. Após os resultados no primeiro turno, Elisa chamou a atenção da campanha do presidente Lula (PT) e foi "recrutada" para ajudar na estratégia digital do petista no segundo turno. Outros candidatos eleitos que despontam na lista são: André Fernandes (PL-CE; 2° no ranking), Pedro Rousseff (PT-MG; 4º), Guilherme Kilter (Novo-PR; 8º), Emerson Freitas (MDB-PE; 10º), Julia de Castro (PL-RJ; 11º) e Jair Renan (PL; 14º). "Conseguimos encontrar essa correlação muito forte [entre o desempenho dos candidatos jovens nas redes sociais e nas urnas], principalmente, nas grandes votações", diz Beatriz Besen, coordenadora do Monitor Jovem DX. "As redes têm essa capacidade de adentrar lugares em que as campanhas de rua e o que sempre foi feito talvez não estejam chegando." Considerando todas as candidaturas jovens aptas, 59 dos 831 candidatos foram eleitos em 2026, o equivalente a 7,1%. É a maior taxa de sucesso eleitoral desse segmento desde o início do monitoramento do instituto, superando os índices registrados em 2014 (6,2%), 2018 (5,6%) e 2022 (4,6%). Entre os 15 mais engajados, a proporção de eleitos é de cerca de 67%. "Há casos, porém, fora da curva, de candidatos que ocuparam esses rankings mas não conseguiram eleições tão expressivas", pondera Besen. É o caso da influenciadora Vitoria Souza (PP), 3ª colocada no ranking de engajamento e que não conquistou vaga na Câmara, apesar dos 31 mil votos recebidos. O estudo argumenta que a maioria dos conteúdos de Souza não tratava de política nem de sua própria candidatura. Outro exemplo é o do partido Missão, que lançou o maior número de candidaturas jovens ao Legislativo, mas não elegeu nenhum dos seus postulantes. Foram 168 campanhas sem êxito. Para Besen, a sigla não conseguiu "furar a bolha", apesar de já ter nascido com linguagem adaptada às redes. "O contraste sugere que alcance e interação são dimensões importantes da campanha, mas não bastam para garantir a conquista de uma vaga", afirma o estudo. Tipos de conteúdo e intensidade de publicação também influenciariam e teriam variado muito entre candidatos. Besen acrescenta ainda que, para além de perfis engajados, fatores como capital político-familiar, financiamento de campanha e a trajetória política dos candidatos ainda pesam. A especialista também relativiza a importância do número de seguidores nas redes sociais. De acordo com ela, os políticos jovens mais bem-sucedidos não tiveram crescimento exponencial nessa métrica durante o período analisado e dependiam de uma influência digital construída previamente. Mesmo fora do recorte de jovens, aliás, alguns dos candidatos com mais seguidores na internet fracassaram nas urnas. Luciana Culinária (PODE-GO) foi derrotada no pleito para a Câmara apesar de ter 9 milhões de seguidores no YouTube, o maior público na plataforma entre todos os candidatos. O humorista Tiririca (PSD-CE) também falhou na tentativa de reeleição a deputado federal, mesmo liderando em público no TikTok, com 7 milhões. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Dez dos 15 candidatos jovens mais engajados nas redes s�o eleitos em 2026, aponta levantamento
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