Desenrola 3 n�o � prioridade do Bradesco, diz CEO

Desenrola 3 n�o � prioridade do Bradesco, diz CEO

São Paulo O Bradesco não se empolgou com o Desenrola 3 do governo Lula. A medida que irá comprar carteiras inadimplentes de bancos com um desconto mínimo de 90% não é prioridade do banco, disse o CEO Marcelo Noronha nesta sexta-feira (23), ao comentar o balanço da instituição. "Sempre olhamos para todos os programas, o pessoal está analisando aqui, mas até agora a equipe não deu mérito para ter um engajamento alto nisso. Então, ele não é nossa prioridade porque você tem outros movimentos do próprio mercado, que você pode fazer isso", disse Noronha. Segundo o executivo, o banco não tem vendido carteiras de crédito. Agência do banco Bradesco - Maurino Borges - 12.jun.26/Divulgação Bradesco A inadimplência do Bradesco, considerando atrasos superiores a 90 dias, ficou em 4,6% em setembro, um aumento de 0,3 ponto percentual em relação a junho e de 0,5 ponto em 12 meses. Parte da alta é em linhas para MPMEs (micro, pequenas e médias empresas) com garantia do governo federal, que, segundo o executivo, tem um período mais longo até o pagamento da garantia após o inadimplemento. Outros fatores citados pelo executivo como motores da inadimplência são a desaceleração da economia e o alto comprometimento de renda das famílias. A expectativa do banco é que o PIB (Produto Interno Bruto) cresça 1% em 2027. Para 2026, o mercado prevê uma alta de 1,83%. "Nós, obviamente, não estamos de fora do mercado brasileiro. Estamos aqui dentro. Então, de uma forma geral, o mercado tem pressão no índice de inadimplência e tem pressão no índice de crédito. Agora, quando você olha para as carteiras, você vai ver um mix diferente do que se tinha anos atrás, que é um mix mais seguro", afirmou Noronha. Em um cenário de maior cautela na concessão de crédito, o Bradesco segurou as despesas e conseguiu entregar um crescimento no lucro no terceiro trimestre. O resultado líquido somou R$ 7,1 bilhões, um aumento de 0,8% na comparação trimestral e de 14,6% na anual, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira (22). O número veio em linha com a média de projeções de analistas consultados pela Bloomberg, de R$ 7,116 bilhões. O Bradesco, sob o comando de Noronha desde novembro de 2023, tenta recuperar a sua forma do pré-pandemia, quando o ROAE (retorno sobre o patrimônio líquido médio) era superior a 20% —atualmente está em 16%. Além de mudanças estruturais internas, com troca de diretoria, a instituição está remodelando seus produtos, com maior foco em produtos mais rentáveis e menos arriscados, investimento em tecnologia e redução da rede física. "Temos tração comercial, capacidade comercial e a gente cresce onde de a gente e se propôs a crescer. Não queremos crescer em crédito pessoal sem garantia, por exemplo", afirmou Noronha. O executivo disse que espera que o banco siga em expansão nos próximos trimestres, gerando um lucro que irá compensar o aumento nos atrasos. "Vejo um horizonte de maior pressão de crédito, de custo de crédito e um índice de inadimplência um pouco maior, mas eu tenho uma segurança aqui que a nossa carteira é uma carteira muito mais controlada do que o mercado. Isso não significa que não se tenha lucro suficiente para pagar", disse Noronha. RAIO-X | BRADESCO Fundação: 1943, em Marília (SP) Lucro líquido no 3º trimestre de 2026: R$ 7,1 bilhões Agências bancárias: 1.741 Funcionários: 79 mil Clientes: 75 milhões Principais concorrentes: Banco do Brasil, Itaú, Santander e Nubank

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