O senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) afirmou que "mãe de bandido sempre vai defender criminoso" ao comentar a denúncia de que policiais militares de São Paulo teriam obrigado três jovens detidos, entre eles um adolescente, a vestir camisetas com referências ao presidente Lula (PT). A denúncia foi feita pela mãe de um dos detidos, de 17 anos, e revelada pela coluna Mônica Bergamo, da Folha. Derrite, ex-secretário da Segurança Pública de São Paulo, havia compartilhado imagens da ocorrência nas redes sociais para parabenizar os policiais pelas prisões. Questionado pela reportagem, ele defendeu que o caso seja investigado. "Isso tem que ser apurado", respondeu. Derrite é o principal nome cotado para assumir o Ministério da Segurança Pública em caso de vitória de Flávio Bolsonaro (PL). Nesta sexta (23), o senador eleito deu entrevista à Folha ao acompanhar o presidenciável no embarque para compromissos de campanha no Rio de Janeiro. Ao tratar da acusação feita pela mãe, o senador eleito ironizou: "na cadeia, está cheio de inocente". Derrite afirmou que não havia percebido que os três detidos usavam camisetas iguais quando divulgou a ocorrência. Segundo ele, o objetivo da publicação foi elogiar a atuação da Polícia Militar e defender a redução da maioridade penal. "Divulguei essa ocorrência sem fazer nenhuma menção à camiseta, aliás, nem tinha percebido a camiseta que eles estavam usando, para parabenizar a Polícia Militar e chamar a atenção de uma pauta que é de interesse da maioria da população", disse. Ao ser questionado se os policiais poderiam ter obrigado os detidos a vestir as camisetas, Derrite afirmou que a denúncia precisa ser apurada pela Corregedoria da Polícia Militar. "Se isso aconteceu, isso é muito grave. Isso tem que ser esclarecido pela Corregedoria da Polícia Militar", afirmou. O senador eleito, porém, evitou avaliar se o fato de os três detidos aparecerem com camisetas iguais levantava suspeitas sobre a conduta dos policiais. "Não. É juízo de valor. Aí é cada um", respondeu. "Qualquer julgamento nesse sentido eu acho temerário. Mas tem que ser esclarecido. Agora, parabéns à Polícia Militar que prendeu três traficantes de drogas. E que os fatos sejam esclarecidos", completou. Derrite aproveitou a ocorrência para defender a redução da maioridade penal para 14 anos em casos de crimes hediondos e equiparados, como o tráfico de drogas. O caso aconteceu nesta quarta-feira (21), em Piracicaba, na favela Vitória Pantanal, no Jardim Monte Líbano. Na mesma data e na mesma comunidade, a deputada estadual reeleita Professora Bebel (PT) diz que PMs intimidaram e agrediram mulheres que entregavam materiais da campanha do PT. Os agentes, segundo a deputada, teriam obrigado as mulheres a entregarem para eles camisetas em apoio a Lula que estavam vestindo. A blusa usada por elas tinha estampa vermelha e os dizeres: Professoras e professores da Apeoesp com Lula. O modelo era o mesmo usado pelos homens detidos na data, segundo as imagens divulgadas por Derrite. Apeoesp é o sindicato dos professores do estado paulista. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo diz que foi instaurada uma investigação preliminar para apurar a denúncia.
Derrite diz desconfiar de relato de m�e e afirma ser temer�rio julgar se PM obrigou detidos a vestir camisa do PT
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