Deputadas acusam Campopiano de transfobia e racismo e acionam Minist�rio P�blico

Deputadas acusam Campopiano de transfobia e racismo e acionam Minist�rio P�blico

A deputada federal reeleita Sônia Guajajara (PSOL-SP) e a psicóloga e ativista Sofia Favero (PSOL-SP), eleita deputada estadual, acionaram o Ministério Público contra a ex-vereadora de Praia Grande (SP) e deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL) por declarações consideradas racistas e transfóbicas. A assessoria jurídica de Guajajara anunciou que irá registrar uma notícia-crime no MPF (Ministério Público Federal) contra Campopiano por associar povos indígenas ao canibalismo e à violência contra crianças em maio deste ano. Ela afirma que também cobrará providências sobre o boletim de ocorrência registrado à época pela rapper indígena Katú Mirim. Na ocasião, em um podcast chamado RedCast, Campopiano afirmou que, sem a catequização, os indígenas estariam "cometendo canibalismo" no Brasil. "Glória a Deus que colonizaram, glória a Deus que catequizaram as índias. Glória a Deus que a extrema direita chegou e falou para os índios: 'galera, fazer sacrifício e comer o braço do irmãozinho não é legal, enterrar criança viva…'", disse a vereadora. Guajajara classificou as falas como discriminatórias e ofensivas e afirmou que o exercício de cargo público exige respeito à diversidade, à liberdade religiosa e aos direitos das minorias. Já Favero acionou o MP-SP (Ministério Público de São Paulo) após Campopiano atacar a deputada federal reeleita Erika Hilton (PSOL) nas redes sociais. Em uma postagem no X (antigo Twitter) Campopiano se referiu a Hilton, uma mulher trans, como um "homem biológico" e indagou como seria para a adversária "saber que nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo". Hilton foi reeleita deputada federal no domingo (4) com 1,5 milhão de votos e se tornou a mulher mais votada para a Câmara da história do país. Na representação apresentada nesta segunda (5) por Favero ao Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do MP-SP, a deputada eleita afirma que a publicação de Campopiano já atingiu mais de 3 milhões de visualizações. "Nela, há o nítido desrespeito à identidade de gênero de Erika Hilton e a tentativa de submetê-la ao escárnio, à humilhação e à violência dos seguidores da vereadora", diz. Favero afirma também que, além da prática de transfobia, deve ser investigada a ocorrência de violência política de gênero por se tratar de ataque dirigido à identidade de gênero de uma mulher que exerce mandato eletivo. Ela diz também que a postagem extrapola os limites da "liberdade de expressão e configura manifestação discriminatória dirigida a Erika Hilton". A deputada eleita pede a instauração de inquérito policial para apuração dos fatos. Procurada pela coluna sobre o ataque, Erika disse que Favero "já estava cuidando disso". Autointitulada "a maior inimiga das feministas de São Paulo", Eduarda Campopiano, 23, foi eleita no domingo (4) a deputada estadual mais votada de São Paulo, com 1.956.238 votos. com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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