Deputada que fez blackface muda autodeclara��o racial para elei��o; PSOL pede impugna��o

Deputada que fez blackface muda autodeclara��o racial para elei��o; PSOL pede impugna��o

A Bancada Feminista do PSOL pediu à Justiça Eleitoral a impugnação do registro de candidatura da deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP) por falsidade ideológica eleitoral. A parlamentar se declarou branca ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nas eleições municipais de 2020 e parda nas eleições federais de 2022. No pleito de 2026, Fabiana Bolsonaro voltou a se declarar branca. A representação afirma que a mudança configura fraude eleitoral, já que em 2022 a deputada recebeu R$ 1.593,33 do Fundo Especial de Financiamento de Campanha destinado a candidaturas de pessoas negras com base na autodeclaração racial anterior. O grupo sustenta que a prática comprometeria a moralidade e a lisura do processo eleitoral, além da igualdade de condições entre candidatos. A representação pede ainda que Fabiana devolva os recursos recebidos. A defesa da parlamentar afirma que não houve intimação e que ela se manifestará nos autos do processo. Em março, a deputada foi alvo de pedidos de cassação e de inquérito no MPF (Ministério Público Federal) em função da prática de blackface e de falas consideradas transfóbicas durante sessão no plenário da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo). Na ocasião, Fabiana afirmou que não poderia representar as pessoas negras ao se pintar de negra, em protesto contra a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. "Eu tive os privilégios de uma pessoa branca durante toda a minha vida. Agora, aos 32 anos, decido me maquiar, me travestir como uma pessoa negra. E agora, virei negra?", questionou, ao se pintar com base para peles negras durante a sessão. Em nota enviada à coluna, a representante negou o uso de blackface e afirmou que a manifestação não foi um deboche, e sim sinal de reconhecimento e respeito pela luta histórica do povo negro. Ainda em março, Erika Hilton pediu à Justiça Eleitoral a instauração de inquérito policial para apurar a mudança na autodeclaração da parlamentar entre 2020 e 2022. À coluna, o advogado Alberto Rollo, que representa Fabiana, disse que há "muita lacração política" no caso e afirma que a responsabilidade pelos registros é dos partidos —o Patriota, em 2020, e o PL, em 2022. Ele acrescentou que, segundo relato da própria cliente, ela teria um avô negro e uma avó indígena. "Diante disso, a autodeclaração como parda não seria irregular, né?", questionou. A deputada é ainda alvo de outro pedido de impugnação do registro de candidatura, feito à Justiça pela Procuradoria Regional Eleitoral do MPF. A justificativa é de que o uso do sobrenome "Bolsonaro" na urna pode sugerir relação familiar com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A parlamentar não tem parentesco com ele e se chama Fabiana de Lima Barroso. com KARINA MATIAS (interina), DIEGO ALEJANDRO e JULLIA GOUVEIA LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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