Demanda mant�m infla��o sob press�o e exige juros altos, diz Copom em ata

Demanda mant�m infla��o sob press�o e exige juros altos, diz Copom em ata

O Copom (Comitê de Política Monetária) disse que a inflação continua pressionada pela demanda e que esse cenário requer juros em um nível alto o suficiente para contrair a economia, segundo ata divulgada pelo Banco Central nesta terça-feira (11). Apesar do alerta, a autoridade monetária reconheceu que a política de juros está contribuindo para a desaceleração da inflação e tem ajudado a esfriar a atividade econômica. "O Comitê avalia que as evidências de transmissão da política monetária contracionista para a atividade econômica têm se acumulado gradualmente. Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo", afirmou. O Copom disse também que reagirá com firmeza caso se materializem os efeitos indiretos provocados por choques de oferta, como a volatilidade dos preços do petróleo diante do conflito no Oriente Médio. O que preocupa o BC é o impacto sobre os custos de produção, aos preços e às projeções de inflação. "Choques de oferta têm exercido influência relevante tanto sobre a trajetória recente da inflação quanto sobre sua trajetória prospectiva. O Copom avalia que que não deve reagir aos efeitos primários de choques dessa natureza, mas que é necessário monitorar com atenção eventuais efeitos de segunda ordem, e reagir com firmeza caso esses efeitos se materializem", disse na ata. No cenário de referência do Copom, a estimativa de inflação para este ano caiu de 5,2% para 5,1%. Para 2027, a projeção subiu de 3,7% para 3,8%. O comitê incluiu sua expectativa para o primeiro trimestre de 2028, de 3,2% –ligeiramente acima do centro da meta. O alvo central do BC é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No atual modelo, de avaliação contínua, o objetivo é considerado descumprido quando a inflação acumulada permanece durante seis meses seguidos fora do intervalo de 1,5% (piso) a 4,5% (teto). Na última quarta-feira (5), o Copom cortou a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual pela quarta vez seguida, de 14,25% para 14% ao ano. O recuo consolidou um dos ciclos mais suaves de queda de juros no Brasil desde a criação do sistema de metas para a inflação, em 1999. Na ata, o colegiado não antecipou seus próximos passos e disse que o tamanho total do ciclo de queda de juros será estabelecido "à luz da evolução do cenário, de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta." Isso significa que as decisões continuarão atreladas ao avanço dos indicadores, sendo tomadas reunião a reunião, sem compromisso prévio com qualquer intensidade ou ritmo de cortes de juros. A Selic acumula queda de 1 ponto percentual desde o início do processo de flexibilização de juros, em março. Com quatro cortes de mesma intensidade (0,25 ponto), a taxa básica chega ao menor patamar desde março do ano passado, quando estava em 13,25% ao ano.

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