Defesa Civil do RJ diz que cen�rio antes de ventania n�o atendia a crit�rios para alerta vibrat�rio no celular

Defesa Civil do RJ diz que cen�rio antes de ventania n�o atendia a crit�rios para alerta vibrat�rio no celular

Moradores do Rio de Janeiro relataram não ter recebido mensagem de texto no celular alertando para o início da ventania de quarta-feira (29). As fortes rajadas de vento começaram à tarde e causaram a morte de duas pessoas, após a queda de um muro. O fenômeno paralisou todo o transporte da região metropolitana, atrasou voos e deixou centenas de milhares de pessoas sem luz. O corpo de uma possível terceira vítima foi encontrado no mar de Paraty, no sul fluminense. A polícia apura se o morto é um pescador desaparecido durante o vendaval. Em São Paulo o fenômeno também causou danos graves e três pessoas morreram. A Defesa Civil disse que o Cemaden-RJ (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) emitiu alerta SMS à população às 15h30, notificando sobre rajadas de vento no estado. Nas redes sociais, contudo, cariocas afirmam não terem recebido nenhuma mensagem. Outros dizem ter recebido SMS por volta das 17h30, uma hora depois da chegada dela na capital. Às 17h, havia 62 atendimentos simultâneos do Corpo de Bombeiros. A Defesa Civil fluminense não enviou o alerta via cell broadcast, ferramenta conhecida por vibrar continuamente e interromper o uso do telefone. Até uma hora antes do início da ventania, a meteorologia apontava para "risco alto" de rajadas de ventos fortes, e não "muito alto", segundo o órgão. Por isso, conforme a Defesa Civil, o cenário "não atendia aos critérios para o acionamento". O cell brodcast foi acionado inadequadamente no caso do alerta falso em junho, com o texto "misantropia". Em nota, a Defesa Civil disse que a ferramenta é "destinada exclusivamente a situações de risco muito alto, com condições de urgência esperada e observada, que exijam medidas imediatas de evacuação ou abrigamento da população. Trata-se de um canal complementar de alerta máximo". Raphael Rodriguez, 31, recebeu um "alerta de vento forte nas próximas horas" às 17h47, uma hora após a ventania ter causado estragos na cidade. "Eu fiz um registro de tela de tela na hora em que apareceu a mensagem porque achei absurdo não ser avisado antes. O vendaval já havia acontecido", diz. Uma combinação de fenômenos meteorológicos potencializada pelo El Niño deu origem aos eventos climáticos extremos que atingiram o Sul e o Sudeste nesta semana. Segundo especialistas, a atuação de uma frente fria, áreas de baixa pressão, um corredor de umidade e um forte contraste de temperatura provocaram chuva extrema no Rio Grande do Sul e vendavais que deixaram mortos em São Paulo e no Rio. O El Niño entrou em atuação neste ano, mas meteorologistas ouvidos pela Folha afirmam que atribuir os temporais exclusivamente a ele seria uma simplificação. Apesar da magnitude dos impactos, os meteorologistas afirmam que o cenário de risco vinha sendo apontado pelos modelos numéricos dias antes. A principal limitação da meteorologia continua sendo indicar exatamente onde ocorrerão os fenômenos mais extremos. O prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), afirmou que os ventos que atingiram a cidade tiveram intensidade maior que a prevista e os relacionou ao El Niño. "O aviso feito ontem, no começo da tarde, era de ventos muito menos intensos do que os que acabaram ocorrendo", disse o prefeito à TV Globo. O sistema de alertas do estado é atribuição compartilhada. Das 92 prefeituras, 44 têm autonomia para emitir SMS à população. As outras 48 são cobertas pelo sistema estadual. As defesas civis municipais do estado fizeram uma reunião às 9h30 de quarta para debater o cenário meteorológico previsto. O sistema da capital fluminense, no entanto, não previu a intensidade da ventania. No Centro de Operações, a central de monitoramento do Rio, o boletim da manhã de quarta-feira apresentava cenário de "ventos moderados com rajadas ocasionalmente fortes". As redes sociais do COR divulgaram nível de severidade médio às 14h26. Às 16h14 começaram os alertas de ventos muito fortes. A ventania paralisou a circulação do transporte público. O metrô, que deixou de circular por falta de energia, ficou paralisado por horas, com passageiros dentro das composições, em vagões lotados. As plataformas das estações também ficaram cheias. Nos trens, todos os ramais foram paralisados entre a tarde e a noite de quarta. O sistema só foi normalizado nesta quinta-feira. O ex-jogador do Botafogo Tássio Maia dos Santos, 41, e seu amigo Vandré Cordeiro morreram após serem atingidos por um muro que desabou com os fortes ventos em Santa Teresa. Para a noite desta quinta a previsão é de rajadas de vento de moderado a forte. O Corpo de Bombeiros fez 31 salvamentos de pessoas e esteve em cinco ocorrências de desabamentos; houve ainda 154 cortes de árvores. Rio, Nova Iguaçu e Niterói foram os municípios com o maior número de ocorrências.

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