O uso de tecnologia para promover impacto une os seis projetos finalistas do Prêmio Empreendedor Social deste ano. Na floresta, no sertão nordestino, em grandes centros urbanos, em periferias ou hospitais, as seis iniciativas que chegaram à final desta edição criaram soluções inovadoras que miram desafios socioambientais como conectividade na Amazônia, violência urbana, acesso a direitos e inclusão produtiva. Os finalistas da 22ª edição da premiação realizada pela Folha em parceria com a Fundação Schwab foram selecionados entre 484 inscritos em duas categorias. Na categoria Inovadores Sociais do Ano, a naPorta, de Sanderson Pajeú e Leonardo Medeiros, é finalista com uma logtech voltada a favelas, periferias e áreas rurais —regiões fora do raio de entregas do comércio eletrônico e até de olhar do Estado. A dupla ajudou a construir o CEP Digital, solução que resolve a falta de endereçamento formal em comunidades e garante aos moradores acesso a direitos básicos. Já os irmãos gaúchos Henrique Dias dos Santos e Ana Helena Ulbrich criaram a NoHarm, que aplica inteligência artificial para apontar erros em prescrições médicas e evitar que cheguem ao paciente. A plataforma, cedida gratuitamente ao SUS, já é utilizada em mais de 200 hospitais e 340 unidades básicas de saúde pelo país, ajudando na gestão da saúde e na redução da pressão sobre profissionais. O terceiro finalista nesta categoria é a Rede Conexão Povos da Floresta, que conta com Juliana Dib Rezende e Joaquim Belo como representantes de uma liderança compartilhada, em uma iniciativa colaborativa que agrega 60 organizações para levar conectividade via satélite a quase 3.000 comunidades da Amazônia Legal. Infraestrutura que assegura direito à saúde, educação a distância e acesso a benefícios como Bolsa Família para comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e extrativistas, além de permitir o monitoramento de territórios ameaçados pelo garimpo e desmatamento. Já na categoria Soluções que Inspiram, Antoine Daher é finalista com a Casa Hunter, ONG que criou protocolo único no mundo de acolhimento e identificação de doenças raras, além de articular rede de transferência de tecnologia internacional e criar unidades de saúde especializadas neste público. Ações que encurtaram a jornada de diagnóstico de 5 anos no SUS para 100 dias e enfrentam a invisibilidade política e social de pessoas com essas enfermidades. A jornalista Cecília Olliveira é finalista como líder da Fogo Cruzado, organização que transformou o registro sistemático de tiroteios em dado público, reunindo informações que embasaram decisões do Supremo Tribunal Federal sobre operações policiais no Rio de Janeiro e influenciam políticas públicas. A plataforma também salva vidas ao informar à população sobre operações policiais, que resultam constantemente em mortes de moradores de periferias e favelas conflagradas. O trio de finalista conta ainda com Emanuelly de Oliveira, que lidera a Social Brasilis, iniciativa que usa letramento tecnológico como porta de entrada para qualificação profissional de populações vulneráveis, com atuação que chega a municípios remotos do país. Com plataformas acessíveis e inclusivas leva formação que abrange a indústria 4.0 para preparar jovens e adultos para a nova economia. "Chama a atenção o fato de os seis finalistas apresentarem soluções que utilizam tecnologia para ampliar o impacto e a escala de suas iniciativas", destaca o diretor de Redação da Folha, Sérgio Dávila. "É o uso de inteligência artificial para maior eficiência na saúde, povos da Amazônia conectados via antenas e painéis solares, CEP Digital facilitando a vida de moradores de periferia, telemedicina para acelerar diagnósticos, letramento digital para microempreendedores e plataforma antiviolência." A seleção dos finalistas foi elogiada por François Bonnici, diretor da Fundação Schwab e membro do Comitê Executivo do Fórum Econômico Mundial. Para ele, o grupo reunido nesta edição aponta um horizonte promissor. "A próxima década deve impulsionar decisivamente os modelos de inovação social das margens para o centro das atenções, transformando não apenas os mercados, mas também as mentalidades", avalia. "Ao incorporar práticas de impacto nos sistemas econômicos tradicionais e amplificar as vozes daqueles que impulsionam a mudança, estamos ajudando a construir as bases de uma economia global mais inclusiva e sustentável." Após os filtros da primeira e segunda etapas realizados pelo Comitê Organizador, os semifinalistas participaram de uma Banca Avaliadora com atores do ecossistema de impacto, que constituíram o júri para definição dos finalistas nas duas categorias. O anúncio dos vencedores se dará em cerimônia a ser realizada em 16 de novembro na Sala São Paulo, na capital paulista. O concurso prevê um pacote de benefícios para finalistas e premiados com benefícios que ultrapassam R$ 500 mil, entre cursos e mentorias, oferecidos pelos 39 parceiros. Os candidatos chancelados passam a integrar a Rede Folha de Empreendedores Socioambientais, além de serem avaliados para fazer parte da Rede Schwab, comunidade internacional conectada ao Fórum Econômico Mundial. A Folha submeterá os nomes selecionados desta edição ao conselho da Schwab, que irá escolher o brasileiro a figurar entre os Inovadores Sociais de 2027, a serem conhecidos em janeiro do ano que vem no Encontro Anual em Davos. A premiação é porta de entrada para a comunidade global que agrega 500 premiados pela Schwab no mundo. São inovadores sociais que atuam em 190 países e impactaram a vida de mais de 920 milhões de pessoas. O Empreendedor Social 2026 tem patrocínio de Gerdau, Ambev, Coca-Cola Brasil, Sesi, Liberta e IBS (Instituto Brasil Solidário). E conta com parceria estratégica de Ashoka, ESPM, FDC, Prosas, SBSA Advogados, Trevisan Escola de Negócios e UOL.
De IA na sa�de a CEP Digital, finalistas do Empreendedor Social usam tecnologia para impacto
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