De �culos inteligentes a broches com IA, receios sobre privacidade desafiam pr�xima era da tecnologia

De �culos inteligentes a broches com IA, receios sobre privacidade desafiam pr�xima era da tecnologia

San Francisco e Nova York | Reuters As empresas que apostam em uma era pós-smartphone com dispositivos de inteligência artificial alimentam temores em relação à privacidade em todo o mundo, sentimento que pode retardar a adoção dessa tecnologia emergente. A reação contra dispositivos capazes de ver, ouvir e responder ao mundo ao seu redor tem sido mais forte em relação aos óculos Ray-Ban da Meta. O dispositivo popularizou os óculos inteligentes ao combinar o design moderno da EssilorLuxottica com a IA da empresa de Mark Zuckerberg. Os óculos, no entanto, se tornaram alvo de críticas e atraíram o escrutínio de tribunais que analisam ações judiciais sobre privacidade, de usuários que temem gravações secretas e de críticos que alertam para um futuro em que os óculos com IA onipresentes corroam as expectativas de anonimato e consentimento. CEO da Meta, Mark Zuckerberg, durante discurso sobre óculos inteligentes da Meta na Califórnia - Carlos Barria - 17.set.25/Reuters Estabelecimentos no Reino Unido, incluindo uma das maiores redes de pubs do país, a Wetherspoon, restringiram o uso desses óculos. A imprensa diz que a Meta deve apresentar óculos inteligentes sem câmera já nesta quarta-feira (23), na conferência da empresa. O anúncio destaca os desafios que as empresas enfrentam para abocanhar uma fatia do mercado de smartphones, avaliado em mais de US$ 600 bilhões. Os fabricantes de dispositivos estão testando vários formatos para superar essas preocupações. Esses formatos vão desde óculos e broches até pingentes e gravadores de voz que se prendem magneticamente a um celular, segundo entrevistas da Reuters com quase uma dúzia de executivos de tecnologia, analistas e especialistas jurídicos. Algumas empresas estão obtendo aceitação mais rápida no setor empresarial do que entre consumidores comuns.O desfecho do debate sobre privacidade poderá moldar um mercado que as empresas de tecnologia veem como a próxima grande plataforma de computação. Se as empresas não conseguirem conquistar a confiança do público, os mesmos recursos que tornam úteis os dispositivos vestíveis com IA —câmeras sempre ligadas, microfones e percepção do ambiente— podem se tornar um obstáculo à sua adoção. "Os formatos vencedores serão aqueles que tornarem a interação mais natural, útil e confiável", disse Jay Kim, vice-presidente executivo da divisão de dispositivos móveis da Samsung, em entrevista à Reuters em julho. À medida que a IA assume mais tarefas, disse ele, os usuários exigirão sistemas que permaneçam seguros e sob seu controle. A Samsung planeja entrar no mercado de óculos inteligentes ainda neste ano por meio de parcerias com a Gentle Monster e a Warby Parker, mas não vê os dispositivos como substitutos dos smartphones. Para algumas startups, no entanto, resolver o problema da privacidade pode ser uma questão de sobrevivência. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesEm conversa com jornalistas em dezembro, o CEO da OpenAI, Sam Altman, descreveu sua visão de um dispositivo sempre ligado, capaz de compreender o ambiente ao redor do usuário e saber quando ajudar e quando ficar em silêncio. Ele argumentou que tais produtos precisariam, em última instância, processar dados localmente, em vez de enviar informações continuamente para a nuvem. "Você quer um dispositivo em que possa confiar... que tenha o contexto completo e saiba quando ser útil e quando não ser", afirmou ele à época. "Se um dispositivo vai ficar ouvindo e observando toda a sua vida, a maioria das pessoas não vai querer que isso seja feito em um servidor na nuvem." Ele acrescentou que o processamento local de IA "pode levar mais alguns anos", dependendo da rapidez com que a OpenAI consiga ampliar a capacidade de seus processadores.

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