A corrida pela Presidência entra na reta final com um movimento de consolidação simultâneo nas duas principais campanhas. A nova pesquisa do Datafolha mostra que Lula (PT) atravessa a turbulenta crise do STF (Supremo Tribunal Federal) sem sinal de desgastes e com viés de alta na avaliação positiva do governo, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) vive sua melhor fase, com alguns índices que já superam o patamar anterior ao escândalo "Dark Horse". O resultado é um cenário de equilíbrio, em que os dois candidatos trabalham para neutralizar vulnerabilidades e acenar para públicos cativos. O reajuste do Bolsa Família surge como uma arma para ampliar o domínio de Lula em grupos simpáticos ao petismo, e o eleitorado tradicional bolsonarista serve de trampolim para que Flávio permaneça cada vez mais próximo do rival. Pontos-chave Flávio já opera acima do índice que tinha antes do escândalo "Dark Horse" em grupos estratégicos para o bolsonarismo e desenha uma curva de crescimento nas últimas semanas, formada por uma série de variações isoladas dentro da margem de erro. O aumento do Bolsa Família surge como uma medida de contenção para Lula, que tem hoje um desempenho pior do que em 2022 entre eleitores de baixa renda, do Nordeste e beneficiários do programa. A aposta de que a corrida pode terminar no primeiro turno continua no terreno da incerteza, com votos represados no segundo pelotão e eleitores que podem mudar de ideia a qualquer momento. Beneficiários do Bolsa Família 53% Lula 28% Flávio Rejeição 47% Flávio 47% Lula Avaliação de Lula 34% Ótimo/Bom 42% Ruim/Péssimo Pesquisa espontânea 35% Lula 26% Flávio A curva de Flávio Bolsonaro A marca desta etapa da eleição é uma curva ascendente de Flávio Bolsonaro depois do baque sofrido pelo escândalo "Dark Horse", em maio. O senador não apenas digeriu o estrago como já chegou a índices de intenção de voto melhores em alguns grupos do eleitorado que o bolsonarismo considera estratégicos. No primeiro turno, Flávio saiu do piso de 31% após a revelação de seu pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro para 36%, seu melhor índice numérico até aqui. No Sudeste, o senador foi de 32% no menor nível para 37% na nova pesquisa. Na classe média, a recuperação foi forte: de 35% para 41%, acima do nível anterior ao escândalo. Entre os evangélicos, o senador bateu 48%. Os números sugerem que o episódio foi metabolizado e que Flávio ainda busca espaço de crescimento, num momento em que sua disputa com Lula se acirra nos dois turnos. Lula volta às bases Lula anunciou o reajuste do Bolsa Família, a poucas semanas do primeiro turno, menos como uma jogada de expansão de seu eleitorado do que como uma manobra de contenção. Diante do aperto na disputa, o presidente tenta recuperar terreno em segmentos que deram a ele votos em massa na última eleição e têm afinidade histórica com o petismo. Comparado à mesma fase da campanha de 2022, o desempenho atual de Lula está abaixo do patamar em grupos que formam a espinha dorsal de sua coalizão: o Nordeste, o eleitorado de baixa renda, quem tem apenas o ensino fundamental e os próprios beneficiários do programa. No Nordeste, Lula está seis pontos abaixo do índice que tinha em setembro de 2022. Entre eleitores com renda abaixo de dois salários mínimos, a diferença é de cinco pontos em relação à disputa passada. Neste recorte de brasileiros mais pobres, a diferença pode representar um déficit de quase 4 milhões de votos nas urnas, uma imensidão numa disputa que será apertada. O investimento no Bolsa Família é a exibição das armas de um Lula que se esforça para voltar a seu teto de 2022, com pouco espaço para crescimento adicional. A aposta no voto antecipado As campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro compartilham uma mesma aposta: na boca da urna, o eleitor pode perceber a disputa entre Lula e Flávio como o único confronto possível e antecipar uma escolha que hoje está represada nos nanicos Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema. Esses quatro nomes somam 15% das intenções de voto, um bloco grande o suficiente para forçar um segundo turno. O detalhe é que nem mesmo esses eleitores confiam muito no futuro de seus candidatos. Do total de eleitores do quarteto, 48% dizem que podem mudar de voto até a eleição, termômetro direto de que uma boa parte pode migrar para os dois favoritos já no primeiro turno. A pergunta seguinte é: quem se beneficiaria da eventual desidratação desses candidatos? Uma maneira de medir essa migração é identificar o comportamento dos eleitores desses quatro candidatos na simulação de segundo turno. Os números indicam uma afinidade maior com Flávio (44%) do que com Lula (27%). Com os números de hoje, a probabilidade de decisão no primeiro turno ainda é muito baixa. Seria necessária uma migração em massa e concentrada num só nome, cenário para o qual ainda não há sinal nos dados atuais.
Datafolha: Lula ainda escapa de crise no STF, e Fl�vio tem sua melhor fase
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