Protagonistas na eleição, em razão do julgamento do escândalo do Banco Master, os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) foram alvo da atenção dos eleitores ao votarem neste domingo (4). Em Minas Gerais, Cármen Lúcia foi aplaudida por eleitores após deixar o local de votação. Outros magistrados tiveram aparições mais discretas e não houve registro de incidentes ou animosidade de eleitores contra eles. O presidente do STF, Edson Fachin, elogiou o processo eleitoral após votar em Brasília e disse que o pleito é 'fonte de legitimidade' da soberania popular. "Eleições periódicas, íntegras, seguras, transparentes e auditáveis são o motor da democracia", disse Fachin após a votação, em pronunciamento, sem responder a perguntas de jornalistas. No local de votação, ele conversou com mesários e tirou selfies com eleitores. Não houve manifestações de apoio a candidatos ou hostilidade de votantes. Também em Brasília, o ministro do STF e atual presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, disse que o pleito ocorreu sem maiores transtornos. "Amanhecemos hoje (domingo) com a segurança de que as eleições vão se transcorrer na maior normalidade", afirmou. O presidente do tribunal descartou qualquer indicativo de interferência estrangeira no processo eleitoral. "Os nossos relatórios não apontam nenhum risco internacional ou do crime organizado", disse. A declaração foi dada após a Polícia Federal anunciar a abertura de um procedimento prévio de investigação para analisar suspeitas de interferência e financiamento externo no país. A apuração foi iniciada a partir de uma representação encaminhada pela AGU (Advocacia-Geral da União) e está sob responsabilidade da Diretoria de Inteligência da corporação. Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o procedimento ainda não resultou formalmente na instauração de um inquérito policial. Nesta fase, a corporação analisa as informações recebidas para avaliar os próximos passos da investigação. Em São Paulo, Alexandre de Moraes votou e elogiou Kassio Nunes Marques. "A única coisa é que eu quero dar parabéns ao TSE", disse, citando nominalmente o ministro. Kassio e Moraes estão em alas opostas no STF, no impasse que a corte vive no julgamento do caso Master. Aliado de Kassio, o ministro André Mendonça votou em Brasília e também elogiou a realização do pleito. "O povo ao final é o grande vencedor deste dia e o grande protagonista", afirmou. Mendonça se tornou um dos polos da maior crise enfrentada pelo Supremo na sua história recente. A divisão interna entre os ministros ganhou ares de polarização eleitoral no último mês. O protagonismo de Mendonça nesse cenário começou ainda em fevereiro, quando ele assumiu a relatoria do caso Master. Às vésperas do primeiro turno, o ministro passou a ser criticado por governistas. Aliados do governo Lula (PT) avaliam que o magistrado age politicamente durante a campanha eleitoral para beneficiar Flávio Bolsonaro (PL). Já a oposição passou a defendê-lo publicamente. Na escola na Octogonal, um bairro da capital onde vota, ele disse ter a expectativa de que a população escolha com responsabilidade e dentro da sua perspectiva os seus candidatos. "Hoje é um dia importante para o país. Um dia onde o povo é o protagonista e ele deve ser o grande vencedor. A nossa expectativa é que o povo escolha com a sua própria visão, dentro da própria perspectiva e realidade quem é o melhor candidato para legislar no seu estado, para legislar no nosso país e para governar o nosso país", disse. Em São Luís, no Maranhão, o ministro Flávio Dino evitou comentar sobre os últimos episódios envolvendo o STF. "Fui candidato em todas as eleições desde 2006. Nesta não sou. E, na condição de juiz, não posso falar sobre assuntos político", afirmou. Ele definiu o dia de votação como "força da democracia, momento da sociedade se manifestar livremente como acontece agora".
C�rmen L�cia � aplaudida ao votar, e Moraes elogia K�ssio Nunes
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