Buenos Aires Os jogadores da seleção de futebol do Paraguai divulgaram nesta quarta-feira (4) uma carta em que se solidarizam com os correntistas do Ueno Bank. Os atletas, parte deles atuando no Brasil, disseram estar entre os afetados pela crise que fez com que o banco central do Paraguai determinou a intervenção no banco digital, que possui mais de 2,9 milhões de clientes. O jogador da seleção paraguaia Gustavo Gómez, que também atua pelo Palmeiras - Carla Carniel - 8.nov.24/Reuters Eles exigiram que o sistema de Justiça do país aja "de forma contundente" para punir os responsáveis pelo colapso do Ueno, revelando que alguns atletas da seleção estão entre os correntistas do banco. "Nós também fomos vítimas desta situação, assim como muitas famílias paraguaias. Compartilhamos a mesma indignação, a mesma preocupação e a mesma dor que hoje afeta tantos compatriotas", diz o texto, que foi compartilhado pelo zagueiro Gustavo Gómez, atualmente capitão do Palmeiras e do Paraguai, e pelos colegas de clube e seleção Maurício e Ramón Sosa. Gómez foi procurado pela Folha para comentar o caso por meio da assessoria do Palmeiras. Segundo o clube, os atletas não estão autorizados a conceder entrevista em dia de jogo, com exceção daqueles escolhidos para atender na zona mista após a partida. Nesta quinta-feira, o Palmeiras enfrenta o Remo pelo Campeonato Brasileiro. A carta também foi republicada nas redes sociais pelo zagueiro Fabián Balbuena, do Grêmio, pelo meia Damián Bobadilla, do São Paulo, e pelo atacante Isidro Pitta, do Red Bull Bragantino. Os jogadores afirmam que, mesmo que tenham sido prejudicados, a maior preocupação agora é proteger as economias dos clientes mais vulneráveis. Segundo a publicação paraguaia ABC Color, dez jogadores da seleção devem entrar com uma ação coletiva contra o banco. "Nossa prioridade absoluta deve ser o povo trabalhador. Aqueles que tinham as economias de toda uma vida investidas lá. As pessoas com menos recursos que hoje estão em total vulnerabilidade. São elas que precisam de mais apoio e que devem estar em primeiro lugar ante qualquer medida que seja tomada", afirma o documento. Clientes do Ueno Bank entram em confronto com a polícia durante um protesto, após a intervenção do BC do Paraguai no banco - Daniel Duarte - 3.nov.26/AFP Um dos principais bancos do Paraguai, o Uena administra mais de US$ 850 milhões (cerca de R$ 4,7 bilhões) em recursos públicos, incluindo do Instituto de Previdência Social, responsável pelo sistema estatal de aposentadorias. "Cada um de nós vai avaliar de maneira individual as ações legais correspondentes, caso tenhamos sido afetados. Não vamos olhar para o outro lado, vamos defender o que é nosso, como é de direito, baseados na lei", seguem os jogadores. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões A intervenção no Ueno foi anunciada pelo BC paraguaio na terça-feira (3) e levou à suspensão imediata de todos os serviços do banco. Clientes relataram que não conseguiam fazer operações em caixas eletrônicos nem acessar os serviços bancários pela internet. O índice de solvência do Ueno, indicador que mede a capacidade de uma instituição financeira de absorver perdas, caiu para 5,56%, menos da metade do mínimo regulatório no país (12%). Leia a íntegra da carta escrita pelos jogadores: "Somos jogadores da seleção paraguaia de futebol, mas acima de tudo, somos paraguaios. Filhos dessa terra que amamos. E hoje, como paraguaios, antes de sermos jogadores de futebol, sentimos a necessidade de falar de coração aberto e sem rodeios, ante a crise financeira que está castigando o nosso país. Isso nos causa profunda dor. Dói ver milhares de famílias atravessando angústia, incerteza e preocupação. Ver o nosso povo preocupado em chegar ao fim do mês, com seu trabalho, com o futuro de seus filhos. Atrás de cada número há pessoas, famílias, sonhos e toda uma vida de esforço que merece respeito. Queremos que saibam com clareza: nós também fomos vítimas desta situação, assim como muitas famílias paraguaias. Compartilhamos a mesma indignação, a mesma preocupação e a mesma dor que hoje afeta tantos compatriotas. Mas neste momento, a maior preocupação não é conosco. Nossa prioridade absoluta deve ser o povo trabalhador. Aqueles que tinham as economias de toda uma vida investidas lá. As pessoas com menos recursos que hoje estão em total vulnerabilidade. São elas que precisam de mais apoio e que devem estar em primeiro lugar ante qualquer medida que seja tomada. Por isso, hoje não falamos de futebol, falamos como povo. Exigimos firmemente que o governo e a Justiça atuem de forma imediata, transparente e sem distinção. Necessitamos de uma resposta contundente. Não se pode titubear quando está em jogo o esforço de tanta gente decente. Por meio do esporte, nós saímos de campo todo dia para mostrar ao mundo nossos valores, garra e identidade paraguaia. Trabalhamos duro para deixar no lugar mais alto a bandeira do nosso país e honrar o nosso povo. Não é justo, nem vamos permitir, que ações de poucas pessoas indefensáveis manchem a reputação de todo o Paraguai. A Justiça deve atuar com força, punir os responsáveis. O povo paraguaio é solidário, honesto e trabalhador, merece que suas instituições estejam à altura. Quanto à nossa situação pessoal, dizemos com clareza: cada um de nós vai avaliar de maneira individual as ações legais correspondentes, caso tenhamos sido afetados. Não vamos olhar para o outro lado, vamos defender o que é nosso, como é de direito, baseados na lei. Ser paraguaio não é apenas vestir a camisa da seleção, é não abandonar o seu povo quando ele mais precisa. Força para todos aqueles que foram prejudicados, estamos com vocês. O Paraguai já se reergueu muitas vezes e também vai se reerguer desta vez, unido, com trabalho, com dignidade e de cabeça erguida."
Crise no Ueno Bank afeta jogadores da sele��o do Paraguai, que cobram Justi�a
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