São Paulo |Bloomberg Os credores da Braskem estão exigindo que os acionistas controladores da empresa injetem US$ 3 bilhões (R$ 15,4 bilhões) em capital novo, segundo pessoas a par do assunto, em um sinal das crescentes tensões nas negociações para reestruturar cerca de US$ 11 bilhões (R$ 56,47 bilhões) em dívidas. Um grupo de detentores de títulos pediu às controladoras Petrobras e IG4 Capital Group que assumam um compromisso firme de aportar capital na petroquímica em dificuldades, disseram as pessoas, que pediram anonimato ao tratar de detalhes privados. Os credores, por sua vez, não aportariam novos recursos. Entrada de unidade da Braskem em Triunfo (RS) - Diego Vara - 15.dez.25/Reuters Os detentores de títulos rejeitaram um plano de reestruturação apresentado pela Braskem que continha termos mais flexíveis em relação a uma injeção de capital, disseram as pessoas ouvidas pela reportagem. A empresa havia pedido aos credores que fornecessem US$ 2 bilhões (R$ 10,27 bilhões), dos quais cerca de US$ 1,25 bilhão (R$ 6,42 bilhões) seriam usados para recomprar dívidas existentes por até 50% do valor de face, enquanto os US$ 750 milhões (R$ 3,85 bilhões) restantes seriam destinados a capital de giro. A proposta dos credores não foi bem recebida pela empresa. Os dois lados continuam muito distantes de encontrar uma solução para um plano de reestruturação extrajudicial, e a divergência é tão grande que a possibilidade de um pedido de recuperação judicial voltou a ganhar destaque nas discussões, afirmaram. A Petrobras tem ampliado sua participação nas negociações e, embora queira evitar que a Braskem entre com pedido de recuperação judicial, até agora não se mostrou disposta a assumir o tipo de compromisso vinculante de aporte de capital exigido pelos credores, disseram pessoas a par do assunto na semana passada.A Braskem afirmou que continua empenhada em encontrar uma solução consensual para sua reestruturação e não fez outros comentários. A IG4 não quis comentar. A Petrobras não respondeu a uma mensagem solicitando comentários. Maior produtora de produtos petroquímicos da América Latina, a Braskem enfrenta anos de turbulência, com redução de caixa após um desastre ambiental em uma de suas minas de sal e um longo período de preços deprimidos no setor petroquímico. Várias tentativas fracassadas do conglomerado em dificuldades Novonor, ex-Odebrecht, de vender sua participação de controle agravaram os problemas. A empresa solicitou uma medida cautelar de urgência em junho, ganhando tempo para obter apoio suficiente dos credores e chegar a um acordo de reestruturação extrajudicial da dívida. Em agosto, apresentou um pedido da chamada recuperação extrajudicial, tornando-se a mais recente empresa brasileira a ser forçada a reestruturar suas dívidas.As partes têm até 9 de outubro para chegar a um acordo sobre os termos —um prazo particularmente importante por ocorrer em meio ao período eleitoral no Brasil e poder determinar se as negociações continuarão ou se a empresa se aproximará de um processo de recuperação judicial, uma questão delicada, já que a estatal Petrobras é acionista. A Braskem tem até o fim de novembro para apresentar um plano definitivo com o apoio de mais da metade de seus credores e evitar um pedido de recuperação judicial no Brasil. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões
Credores da Braskem querem que acionistas injetem US$ 3 bi em negocia��o de d�vidas, diz ag�ncia
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