A Cosac parece estar ressuscitando, aos poucos, algumas das principais marcas que outrora tornaram a antiga editora Cosac Naify reconhecida como uma das mais sofisticadas do país. Agora, a casa capitaneada por Charles Cosac traz de volta a coleção Prosa do Mundo, com nova roupagem, horizontes mais amplos e um novo nome: Literatura, Literatura. O editor e tradutor Alexandre Barbosa de Souza, que trabalhou por sete anos na velha encarnação da casa, foi reincorporado para coordenar o retorno da coleção, que terá um novo projeto gráfico de Raul Loureiro. A Prosa do Mundo começou em 2001 e, até o encerramento da editora em 2015, publicou cerca de três dezenas de livros, incluindo clássicos de Robert Louis Stevenson, Liev Tolstói, Elias Canetti e Luigi Pirandello. O problema é que esse "mundo" do título era essencialmente europeu, pontua Barbosa de Souza. "Não era algo tão aberto quanto o nome dava a entender. Não era bem a prosa do mundo: era europeu de um certo cânone", afirma o editor, frisando ser esta uma das razões para repensar o nome da coleção. Existe algum senso de continuidade, afinal a Literatura, Literatura vai reeditar autores publicados na Prosa do Mundo como Beltolt Brecht, Samuel Beckett e Isaac Bábel. Mas a ideia, segundo Barbosa de Souza, é "atualizar e ampliar", o que se demonstra em alguns dos livros que abrem a nova coleção. "A Casa da Fome", do poeta Dambudzo Marechera, do Zimbábue, deve sair ainda neste ano; e "Rio de Fogo", da romancista indiana Qurratulain Hyder, chega no começo do ano que vem. Ambos os livros são inéditos, apesar de os autores serem consagrados em seus países. Antes, já em novembro, a Literatura, Literatura será reapresentada aos leitores com uma nova edição de "Moll Flanders", do britânico Daniel Defoe, na tradução consagrada de Donaldson M. Garschagen. Tudo a Ler Receba no seu email uma seleção com lançamentos, clássicos e curiosidades literárias Marechera e Hyder apontam para as novas fronteiras da coleção, que incorpora maior diversidade de raça e gênero no que considera prosa clássica, priorizando também autores mais contemporâneos. O zimbabuano morreu em 1987, depois de marcar a literatura africana com apenas 35 anos, e a indiana ainda está viva, prestes a completar cem anos. O projeto gráfico de Loureiro —recém-premiado com o Jabuti por "Dobra", da mesma Cosac— vai dividir os livros por cores, em cinco "séries cromáticas", como define a editora. Obras europeias como a de Defoe sairão na série Vermelha, africanas como a de Marechera, na série Ocre, e asiáticas como a de Hyder, na Açafrão. Ainda haverá a série Azul para as Américas e a Branca para a Oceania. MÁ EDUCAÇÃO O próximo livro da sensação espanhola Alana S. Portero, de "Mau Hábito", já está amarrado para sair no Brasil por sua editora, Amarcord, que fechou o contrato com a autora na Feira de Frankfurt. O romance fantástico "Cosamala" acaba de ser publicado na Espanha, direto no topo das listas de mais vendidos. A versão brasileira ainda não tem data. VOLVER A coletânea de contos "Nove, Novena", publicada há 60 anos pelo pernambucano Osman Lins e há muito esgotada, vai voltar às estantes das livrarias em dezembro, em uma coedição caprichada da Pinard com a Hedra, com novo posfácio de seu conterrâneo Marcelino Freire. A Pinard relançou recentemente seu clássico "Avalovara". LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Cosac revive cole��o cl�ssica Prosa do Mundo com novo nome e maiores horizontes
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