Conta da 'babaquice' fiscal ter� de ser paga pelo pr�prio Lula

Conta da 'babaquice' fiscal ter� de ser paga pelo pr�prio Lula

Na campanha, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou de "babaquice" a obsessão por superávit primário e controle de contas. Reeleito para o quarto mandato a partir de 2027, o petista terá de encarar a matemática que tentou esconder. A soberba não deve resistir aos fatos e, vitorioso, terá de resolver o problema que criou para si. Em 2027, a economia deve perder fôlego enquanto o país continuará queimando somas astronômicas com juros —recursos que poderiam financiar investimentos e políticas sociais. A ironia de 2026 é incômoda. O país sai das urnas com renda em alta e desemprego baixo, mas trata-se de uma ilusão sustentada por veneno fiscal. A bomba-relógio atingiu seu ápice. A 17 dias do primeiro turno, o governo reajustou o Bolsa Família em 15%, além de ampliar o Pé-de-Meia, subsídios a combustíveis e benefícios sociais. O mercado estima que essas e outras promessas ultrapassem R$ 100 bilhões em gastos nos próximos anos —com ao menos R$ 40 bilhões adicionados já no ano que vem. Para 2026, o déficit projetado ronda R$ 80,9 bilhões, transformando em ficção o Orçamento que previa superávit de R$ 18,6 bilhões. Essa deterioração começou no segundo mandato de Lula (2007-2010). Se entre 2002 e 2008 o superávit primário médio era de 3,4% do PIB, de 2009 a 2013 caiu para 1,5% —maquiado por contabilidade criativa. O descontrole culminou na recessão e no impeachment de Dilma Rousseff —que, ao contrário de Lula agora, livrou-se de responder pela crise que criou. Corrigida pela inflação, a despesa total do governo central subiu 128,5% entre dezembro de 2008 e agosto de 2026. A despesa primária cresceu 91,7%. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Mas a verdadeira extorsão contra o contribuinte são os gastos juros: deram um salto de 320%, passando de R$ 260 bilhões para mais de R$ 1 trilhão por ano —valor equivalente ao pago a 42 milhões de beneficiários da Previdência Social. Sob Lula 3, a dívida bruta subirá 12 pontos percentuais, atingindo 82,9% do PIB (R$ 11,1 trilhões). Com juros elevados, a conta da dívida passou a responder por 29,6% de todo o gasto público em 2026 (contra 16,1% em 2008), encolhendo o espaço para investimentos. Além disso, o Orçamento virou uma camisa de força: 92% das despesas são obrigatórias. Previdência, assistência, saúde e educação engolem mais de 80% dos recursos. Para estabilizar a dívida, Lula precisaria de um ajuste fiscal de 2,5% do PIB —cerca de R$ 320 bilhões— para garantir superávits de pelo menos 2% do PIB. Na campanha, prevaleceu a demagogia. Agora, Lula terá de escolher entre reorganizar os gastos obrigatórios ou deixar que o mercado o obrigue a fazê-lo em meio a uma crise de confiança, recessão e, possivelmente, inflação. Nos mercados futuros de Nova York na noite da eleição, o principal índice de ações brasileiras despencava 20% enquanto o real se desvalorizava quase 10%. Sua vitória com margem significativa, com cerca de 4 milhões de votos, no entanto, lhe confere legitimidade para agir. Nesse contexto, o anúncio de um ministro da Fazenda comprometido com o ajuste de contas pode comprar tempo para reorganizar a economia.

Original Source

Read the full article at Www1 →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.