O Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu, nesta quinta-feira (3), um procedimento para apurar as menções ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, em mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O pedido foi feito pelo partido Novo e terá o subprocurador Francisco de Assis Sanseverino como relator. O PGR quer utilizar o caso para rebater alegações de suspeição. Nos bastidores, integrantes próximos a Gonet avaliam que a medida é oportuna para que o Conselho marque uma sessão e o chefe da Procuradoria possa se manifestar. Gonet deve negar interferências na investigação e relação de proximidade com o ex-dono do Banco Master. Aliados do PGR entendem que é melhor que ele se antecipe para responder e comprovar ausência de interferência, para, assim, evitar a instauração de investigação formal. Pela estratégia, ele previne "a sangria" e preserva o caso. O PGR vai procurar demonstrar que não interferiu nas investigações. Um dos meios para isso será dizer que até outubro, data das mensagens, o caso estava com a Procuradoria da República do Distrito Federal. A primeira prisão de Vorcaro foi resultado de trabalho conduzido pela primeira instância desde o início de 2025. O caso foi levado ao STF (Supremo Tribunal Federal) pelo ministro Dias Toffoli em dezembro daquele ano. A ideia é, segundo esses interlocutores, responder à categoria, e por isso uma sessão do Conselho Superior e não uma nota à imprensa, por exemplo. Como mostrou a Folha, há um desconforto generalizado na classe com o episódio, tanto entre aqueles que preferiam vê-lo afastado do comando do caso como entre procuradores que o apoiam e não veem problema no que foi divulgado até aqui. Os dois grupos entendem que, em qualquer cenário, pode haver prejuízo coletivo à reputação da categoria. Na investigação, há diálogos em que o advogado Ciro Soares encaminha ao ex-dono do Banco Master mensagens atribuídas a Gonet. Em outros trechos, Vorcaro pede ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, que acione o procurador-geral e o chefe da Polícia Federal para barrar uma operação contra a instituição financeira. Além disso, o filho do procurador-geral teria pedido ao banqueiro para ir a um evento custeado por ele em Londres, com despesas pagas. Procurado pela Folha na quarta-feira (2) e quinta (3), o PGR não se manifestou. Gonet pediu na terça-feira (1º) a anulação do relatório da Polícia Federal que traz conversas entre Vorcaro e um interlocutor apontado como sendo Moraes. O relator do caso, André Mendonça, quer que o requerimento seja debatido pelo plenário da corte. Ele deve liberar o processo para pauta a partir da próxima semana. A definição de uma data caberá ao presidente do Supremo, ministro Edson Fachin. Nos dias seguintes, a crise escalou. Moraes pediu a abertura de investigação contra Mendonça no âmbito do inquérito das fake news. FolhaJus A newsletter sobre o mundo jurídico exclusiva para assinantes da Folha
Conselho do MPF abre procedimento sobre Gonet, que deve negar interfer�ncia no caso Master
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