O socorro a Christa Pike, a detenta condenada à morte cuja execução falhou nos Estados Unidos, sofreu atraso de cerca de meia hora devido à confusão sobre a autenticidade da ligação para o 911. A informação vem de registros de chamadas da central de atendimento e comunicações por rádio divulgados na segunda-feira (12). A primeira ligação para o número de emergência solicitando uma ambulância foi feita por alguém de dentro da Instituição de Segurança Máxima Riverbend, no Tennessee, às 20h40 de 30 de setembro, cerca de uma hora depois do início das injeções letais. No entanto, confirmar a legitimidade do pedido de socorro exigiu vários minutos de idas e vindas entre os serviços de emergência de Nashville e funcionários da prisão, de acordo com áudios de outras oito chamadas e comunicações por rádio. Os documentos foram divulgados em resposta a um pedido de acesso a registros públicos feito por diversos veículos de imprensa, entre eles o The New York Times. A confusão parecia generalizada. A ligação inicial para a emergência não partiu, como normalmente ocorreria, da central de controle do Departamento Correcional do Tennessee, e a pessoa que telefonou não dispunha da verificação de segurança correta para fazê-la. Diante disso, os atendentes da central tentaram repetidamente verificar a chamada, entrando em contato com funcionários e outras autoridades da prisão durante a execução. Minutos depois, eles recebem a informação de que autoridades prisionais confirmaram formalmente por telefone que o pedido era legítimo. O Departamento Correcional do Tennessee não respondeu sobre a aparente falha de comunicação. Anteriormente, o órgão afirmou que todas as etapas do protocolo haviam sido seguidas e que o processo "não permite procedimentos adicionais além dos que foram realizados". Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo O protocolo de injeção letal do Tennessee voltou a ser alvo de escrutínio após a tentativa fracassada de executar Pike, 50, que estava no corredor da morte pela tortura e pelo assassinato de Colleen Slemmer, uma colega de 19 anos em Knoxville, em 1995. Advogados da detenta, a primeira pessoa a sobreviver após receber duas doses do medicamento pentobarbital durante uma execução, disseram no sábado (10) que ela havia recebido alta de um hospital de Nashville e retornado à prisão. A confusão registrada nas chamadas parece ressaltar que o protocolo de execução, criticado por advogados de defesa e parlamentares democratas e republicanos por sua falta de clareza, aparentemente não prevê como lidar com problemas durante uma execução. O Tennessee teve duas execuções malsucedidas neste ano, incluindo a de Pike. O protocolo realmente não levou em conta a possibilidade de a execução fracassar, afirmou Joel Zivot, anestesiologista e médico intensivista que prestou consultoria à equipe de defesa de Pike antes da execução malsucedida. As autoridades prisionais, acrescentou ele, "não faziam ideia de que poderia dar errado". Zivot estava entre os especialistas médicos que alertaram que as condições de saúde pré-existentes da mulher, incluindo veias de pequeno calibre, poderiam complicar a execução. Esses alertas foram ignorados, disseram os advogados dela. "Considerando, é claro, tudo o que lhes foi dito que poderia dar errado, eles certamente não pareceram reagir", disse Zivot. As gravações não deixaram claro se havia oxigênio e outros equipamentos de reanimação disponíveis na câmara de execução, nem se Pike recebeu atendimento médico antes da chegada de uma ambulância, mais de uma hora depois da aplicação dos medicamentos. A transcrição da ligação inicial para a emergência e algumas das gravações de áudio foram parcialmente editadas porque a legislação do Tennessee proíbe a identificação de qualquer pessoa ligada à execução. No entanto, a pessoa que fez a primeira ligação parece não conhecer as etapas necessárias para verificar a legitimidade de uma chamada de emergência vinda da prisão. "Não há ninguém aí que conheça o procedimento?", pergunta uma pessoa em uma chamada entre o Corpo de Bombeiros de Nashville e os serviços de emergência. "Não faço ideia", responde outra pessoa. "Acho que, por ser um caso especial, talvez eles não saibam." As chamadas também mostram que Kelly Gleason, uma das advogadas de Pike, ligou para o serviço às 21h08, depois que um colega que havia presenciado as injeções malsucedidas lhe disse que a detenta ainda respirava. "Ela ainda está viva e respirando e precisa de atendimento imediato para salvar sua vida", disse Gleason ao pedir ajuda. A ambulância atravessou os portões poucos minutos depois.
Confus�o sobre veracidade de chamada atrasou socorro a Christa Pika ap�s execu��o falhar nos EUA
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