Confira o que diz o Anu�rio Brasileiro de Seguran�a P�blica sobre homic�dios, roubos, golpes e outros crimes no pa�s

Confira o que diz o Anu�rio Brasileiro de Seguran�a P�blica sobre homic�dios, roubos, golpes e outros crimes no pa�s

Divulgados nesta quinta-feira (23), os números do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram um contraste nas estatísticas criminais no Brasil. Os resultados mostram um país com menos mortes e menos roubos ao mesmo tempo em que registros de violência de gênero, letalidade policial e golpes como um todo têm crescido. A publicação é elaborada anualmente pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A edição deste ano, que aborda dados sobre 2025, é a vigésima. Brasil tem queda em mortes violentas intencionais, mas alta em letalidade policial Segundo o Anuário, o Brasil teve 40,7 mil mortes violentas intencionais de janeiro a dezembro do ano passado, uma queda de 8,2% em relação ao período anterior. A taxa de assassinatos ficou abaixo dos 20 mortos por 100 mil habitantes pela primeira vez na série histórica iniciada em 2012, alcançando o índice de 19,1. O Amapá fechou o ano com a maior taxa de mortes violentas, com 42,5 para cada 100 mil habitantes. É seguido por Bahia (36,8) e Ceará (34,7). As chamadas mortes violentas intencionais reúnem estatísticas de homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte, mortes violentas de policiais e mortes decorrentes de intervenções policiais. De todos esses indicadores, apenas a letalidade policial aumentou. Foram 6.602 pessoas mortas pelas forças de segurança no país em 2025, um aumento de 5,4% em relação a 2024. É o maior número de mortes por intervenção policial desde o início da série histórica, em 2012. Cidade do Ceará volta a registrar maior taxa de mortes violentas do país A cidade de Maranguape, na região metropolitana de Fortaleza, fechou o ano de 2025 como o município com maior taxa de mortes violentas do Brasil entre aqueles com mais de 100 mil habitantes. Foram 100,3 mortes violentas intencionais para cada 100 mil moradores —uma taxa cinco vezes superior à média nacional, de 19,1 por 100 mil habitantes, segundo o Anuário. É o segundo ano consecutivo que a cidade cearense ocupa a primeira posição do ranking, posição puxada por uma disputa territorial entre facções criminosas. Violência contra a mulher: menos homicídios, mais feminicídios Os resultados obtidos pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam também para uma queda de 5,5% nos homicídios dolosos de mulheres no Brasil. Trata-se de uma redução parcial. No caso dos feminicídios, afinal, as 1.571 vítimas registradas nas estatísticas do ano passado representam alta de 4% na comparação com o ano anterior, quando 1.504 mulheres foram mortas em razão do gênero. Com isso, os assassinatos motivados por razões de gênero passaram a representar 44,4% das mortes violentas de mulheres no país, a maior proporção desde a criação da Lei do Feminicídio, em 2015. Escalada de violência contra as mulheres Para cada feminicídio, mostra o Anuário, o Brasil registra 500 ameaças, 182 agressões e 79 crimes de perseguição contra mulheres. Coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Juliana Brandão diz que os registros são sinais progressivos do que pode culminar na violência letal. "Geralmente, o agressor tenta controlar a autonomia da mulher e reage com mais violência à medida que perde esse controle", afirma. Estupros caem pela primeira vez desde a pandemia Em alta desde a pandemia, os registros de estupro e de estupro de vulnerável caíram pela primeira vez no ano passado. Foram 84,3 mil ocorrências comunicadas às forças policiais, o equivalente a 231 crimes do gênero por dia ou um a cada seis minutos aproximadamente. Em números percentuais, a somatória dos registros representa uma queda de 5,4% em relação aos 88.843 casos registrados no ano anterior. Mas a retração não significa que a violência sexual tenha necessariamente diminuído. A subnotificação é especialmente elevada nesses casos, diz o relatório, que traz estimativas de que os registros policiais podem captar apenas cerca de 10% das ocorrências reais. Pesa nesse sentido a comparação dos dados policiais com os da saúde. Enquanto registros nas polícias caíram, notificações de estupro nos serviços de saúde cresceram 2,4% no período. Crianças e adolescentes são a maioria dos casos: 76,6% das ocorrências correspondem a estupro de vulnerável, crime que envolve vítimas menores de 14 anos, além daquelas consideradas incapazes de discernimento por doença ou deficiência. Roubos em baixa, estelionatos em alta Na contramão do que ocorre com a maior parte dos crimes no Brasil, o país vive uma explosão de casos de estelionato. Foram 2,2 milhões de ocorrências registradas no ano passado (taxa de 1.059 casos por 100 mil habitantes), o equivalente a 258 casos por hora. Trata-se de um aumento de 429% na comparação com os 426 mil registros de 2018, primeiro ano da série histórica. Em relação a 2024, a alta foi de 3,1%. O Fórum diz que a edição deste ano mostra que o estelionato se consolida como o principal crime patrimonial do país e que "há um quadro extremamente preocupante de crescimento" do delito. Roubos convencionais vão na direção oposta. Todos os indicadores do delito recuaram em 2025: o de veículos caiu 20,6%; o de residências, 19,9% e o de estabelecimentos comerciais, 18,3%. Também caíram os roubos contra transeuntes (23,4%). Na somatória geral, a quantidade de roubos registrados em 2025, 610,9 mil, caiu 18,3% na comparação com o ano anterior, quando 745,1 mil haviam sido contabilizados. Com o segundo menor patamar de mortes violentas intencionais, o estado de São Paulo lidera as ocorrências por estelionato tanto em números absolutos como em proporcionais. Foram 833 mil casos registrados no ano passado, o que dá ao território paulista uma taxa de 1.808,3 casos a cada 100 mil habitantes, a maior do país. Na sequência vêm Distrito Federal (1.717) e Paraná (1.339,1). Bullying e ciberbullying A 20ª edição do Anuário de Segurança mostra também que registros de bullying e cyberbullying contra crianças e adolescentes cresceram 67% no Brasil em 2025 em comparação com o ano anterior. No ano passado, foram contabilizados 4.549 boletins de ocorrência de bullying e 677 de cyberbullying em todo o país, totalizando 5.226 ocorrências. Em 2024, foram 3.161 registros dos dois crimes somados. Esse é o segundo ano que o levantamento contabiliza tais crimes contra menores de 18 anos. Ambas as condutas passaram a ser consideradas crimes em 2024, na esteira de uma lei aprovada pelo Congresso. LGBTFobia O Anuário mostra que os registros de homofobia ou transfobia cresceram 35,6% no Brasil. São considerados para o levantamento os boletins de ocorrência registrados com os delitos, hoje enquadrados na lei do racismo. O levantamento indica ainda alta de 1,9% nos casos de estupro contra pessoas LGBTQIA+ no mesmo período, enquanto os homicídios dolosos dessa população caíram 14,2%. A queda não é sinal de melhora. O Fórum faz ressalvas ao recuo porque São Paulo, Rio de Janeiro e Acre não têm dados consolidados sobre homicídio doloso de pessoas da comunidade, o que compromete a comparação nacional. Financiamento de segurança Todos os casos ocorrem ao mesmo tempo em que os gastos em segurança no país chegam a patamares recordes. Somadas as despesas para o setor na União, nos estados e nos municípios no setor, o Brasil desembolsou R$ 163,1 bilhões em 2025, 2,1% acima dos R$ 159,8 bilhões registrados no ano anterior. A maior parcela dos desembolsos foi dos estados, que mantêm suas respectivas polícias Civil, Militar, Científica ou Penal. Segundo o Anuário, as unidades federativas foram responsáveis por 80,5% do total de gastos.

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