Apesar da alta de 9% no preço das passagens aéreas desde o início da guerra no Irã, a FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo) avalia que o setor está represando o repasse de custos aos clientes. Isso porque o preço do querosene de aviação, que consome um terço dos custos, subiu 37% no quadrimestre encerrado em junho e gerou um encarecimento total de cerca de 12% na operação das companhias aéreas. Para se ter uma ideia, entre março e junho, descontada a inflação, o litro do querosene custou, em média, R$ 5,30 ante R$ 3,88 do mesmo período de 2025. "A reação intuitiva do consumidor é sempre a mesma: quando o petróleo explode, o medo é de que as passagens vão explodir junto. Desta vez, não foi bem assim. Os dados da Anac trabalhados nesse levantamento sugerem que as companhias não tenham repassado integralmente ao consumidor", diz em nota o presidente do conselho de turismo da FecomercioSP, Guilherme Dietze. O câmbio, que é outro componente de peso na precificação das passagens, recuou de R$ 5,25, em março, para R$ 5, nos meses seguintes e ajudou a represar um aumento mais significativo. Com essa desvalorização, outros custos atrelados ao dólar, como seguros, arrendamento e manutenção, que não são necessariamente mensais, mas que correspondem a 22% das despesas, foram aliviados. A Fecomercio acredita, no entanto, que o setor tem pouca margem para ampliar a demanda. Até junho, a ocupação de voos era de 82%, mesmo com sucessivos recordes de passageiros transportados, sinal de que há pouco espaço para crescer ainda mais o público viajante. Assim, reajustes mais fortes nas tarifas poderiam afastar novos consumidores. Nesse cenário, com a desaceleração da economia e o alto endividamento das famílias, o temor é que um aumento mais forte das tarifas possa afastar novos consumidores ou, ainda pior, fazer com que parte dos atuais passageiros repense planos de viagem. Para os próximos meses, a previsão da federação é que as companhias sigam na tentativa de absorver custos, mesmo com a manutenção da guerra no Oriente Médio. A questão agora é conseguir prever até quando os preços seguirão represados sem atingir as margens e resultados das aéreas. "Espera-se que as companhias registrem mais pressão nos balanços do segundo trimestre. Ainda que receitas acessórias, como bagagens e serviços, ajudem a amortecer o impacto, a escala do aumento dos combustíveis não será totalmente compensada", diz Dietze. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Companhias a�reas est�o represando repasse de custos aos consumidores, diz FecomercioSP
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