Luiz Carlos Prestes foi acusado de mandonismo, incompetência —incluindo mediocridade como estrategista militar— inabilidade política, agressividade, vaidade, personalismo e dogmatismo, além de agente de Moscou. As qualificações são citadas em "Entre Memória e História: Representações de Luiz Carlos Prestes" (Boitempo), o livro mais recente de Anita Leocádia Prestes, filha do líder comunista e professora aposentada da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). A historiadora, que completa 90 anos em novembro, nasceu em uma prisão nazista antes de Olga Benário, a sua mãe, ser assassinada em um campo de concentração e passou a infância no México e a adolescência na URSS. Depois de um período de exílio na União Soviética durante a ditadura militar, Anita passou a pesquisar a trajetória política de Prestes e a história do PCB (Partido Comunista Brasileiro), do qual foi uma das dirigentes. Prestes ganhou status de personagem de peso da política nacional muito jovem, nos anos 1920, por ter comandado a coluna que percorreu o interior do país e virou um marco do movimento tenentista. Já a partir da década de 1930, Anita diz, o pai passou a ser perseguido pela adesão ao comunismo e pela filiação ao PCB —Prestes se tornou o nome mais proeminente do partido nas décadas seguintes. Para a autora, as representações do líder comunista na historiografia e em obras memorialísticas costumam distorcer os fatos —ou falsificando ou silenciando a trajetória de Prestes, morto em 1990—, algo que atribui à força do anticomunismo no Brasil. Na estratégia da burguesia mundial e brasileira de combater o dito comunismo, eles apelam para duas táticas: a falsificação da história e o silenciamento. Quando Prestes se torna comunista, a partir do manifesto de maio de 1930 –em que ele não declara ser comunista, mas adota a política do PCB da época, que era a revolução agrária e anti-imperialista–, isso é um escândalo. Ele passou a ser atacado por todo o mundo. Mesmo quem não é comunista –todo aquele ou organização que, de alguma forma, contesta o poder da burguesia–, o anticomunismo é voltado contra ela. O comunismo se tornou um fantasma para assustar qualquer perigo de luta popular Neste episódio, a pesquisadora fala sobre alguns episódios controversos da biografia de Prestes, como a participação na Intentona de 1935, e discute as concepções equivocadas do PCB sobre a realidade brasileira, que impediram que o partido conduzisse, como pretendia, uma revolução socialista no país. O Ilustríssima Conversa está disponível nos principais aplicativos, como Apple Podcasts e Spotify. Ouvintes podem assinar gratuitamente o podcast nos aplicativos para receber notificações de novos episódios. O podcast entrevista, a cada duas semanas, autores de livros de não ficção e intelectuais para discutir suas obras e seus temas de pesquisa. Já participaram do Ilustríssima Conversa Ronaldo Lemos, que reflete sobre meios para se proteger da tecnologia, Dora Kaufman e Giselle Beiguelman, autoras de obra sobre criatividade e inteligência artificial, Djamila Ribeiro, que relançou "Lugar de Fala", Jairo Nicolau, cientista político que investiga as transformações do eleitorado brasileiro, Paula Sibilia, ensaísta que discute o solo moral das sociedades contemporâneas, Adriana Negreiros, biógrafa de Dercy Gonçalves, Benjamin Moser, autor de livro sobre os grandes pintores holandeses, João Paulo Charleaux, jornalista que examina a história do direito de guerra, Rita Carelli, que conta a história de um missionário assassinado na amazônia e do povo indígena enawenê-nawê, Uirá Machado, biógrafo do enxadrista Mequinho, entre outros convidados. A lista completa de episódios está disponível no índice do podcast.
Como o anticomunismo deturpou a trajet�ria de Prestes, segundo Anita Prestes
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