Como gastar R$ 1.000 a menos por m�s pode mudar sua aposentadoria

Como gastar R$ 1.000 a menos por m�s pode mudar sua aposentadoria

Quando arrumamos uma mala, um quilo a mais parece irrelevante. Uma peça de roupa, outro sapato, algo que talvez nem seja usado. O problema é que aquele peso aparentemente pequeno nos acompanha durante toda a viagem. Com nosso padrão de vida acontece algo parecido. Acrescentar R$ 1.000 às despesas mensais pode parecer pouco diante de uma renda confortável, mas esse custo também terá de ser carregado por muitos anos. Um cliente percebeu isso recentemente ao fazer seu planejamento financeiro. Ele tem 45 anos, R$ 1,5 milhão em aplicações, renda mensal de R$ 30 mil e conseguia guardar R$ 6.000 por mês. Gastava os R$ 24 mil restantes. Para muita gente, poupar R$ 6.000 mensais pode parecer bastante. Afinal, representa 20% do salário líquido. Mas o valor poupado isoladamente diz pouco sobre a sustentabilidade de um padrão de vida. Fizemos então as projeções. Mantendo despesas de R$ 24 mil mensais e considerando, entre outras premissas, que elas cresceriam 1% ao ano acima da inflação, suas reservas seriam suficientes aproximadamente até os 87 anos. Ao reduzir apenas R$ 1.000 do gasto mensal, passando a viver com R$ 23 mil, o patrimônio projetado passava a durar até perto dos 95 anos. Uma redução de pouco mais de 4% nas despesas acrescentava quase oito anos à duração das reservas. Na projeção, são quase 100 meses adicionais antes do esgotamento do patrimônio. Como R$ 1.000 podem produzir uma diferença tão grande? A primeira explicação é simples: a economia não acontece apenas neste mês. São R$ 1.000 no próximo, outros R$ 1.000 no seguinte e assim sucessivamente. O dinheiro que deixa de ser gasto permanece investido e pode continuar rendendo. Mas existe um segundo efeito, menos evidente e talvez mais importante: quem reduz permanentemente seu padrão de vida também passa a precisar de menos dinheiro para sustentá-lo no futuro. Podemos olhar para essa questão tanto pelo lado da renda quanto pelo da despesa. Imagine duas pessoas em condições idênticas. Uma passa a ganhar R$ 1.000 a mais por mês e investe integralmente o aumento. A outra continua com a mesma renda, mas reduz suas despesas em R$ 1.000. Ambas passam a poupar R$ 1.000 adicionais. Entretanto, a segunda obtém um benefício a mais: além de acumular mais, passa também a precisar de menos patrimônio para sustentar seu padrão de vida no futuro. Uma regra de bolso ajuda a dimensionar esse efeito. R$ 1.000 mensais representam R$ 12 mil por ano. Se adotarmos como referência simplificada uma retirada real de 5% ao ano do patrimônio, seriam necessários cerca de R$ 240 mil para financiar essa despesa. Assim, cada R$ 1.000 incorporados permanentemente ao padrão de vida podem aumentar em aproximadamente R$ 240 mil a meta de patrimônio. Uma redução de R$ 1.000 produz o efeito inverso. Isso permite enxergar algumas decisões cotidianas de outra maneira. Aumentar em R$ 500 os gastos recorrentes equivale, por essa referência, a acrescentar cerca de R$ 120 mil à meta de patrimônio. R$ 2.000 representam R$ 480 mil. E R$ 5.000 mensais a mais exigiriam aproximadamente R$ 1,2 milhão adicional. É apenas uma referência. Um planejamento financeiro completo precisa considerar idade, retorno dos investimentos, longevidade, evolução das despesas e eventual desejo de deixar patrimônio. A taxa real de 5% serve aqui para transformar uma despesa mensal em uma medida simples de patrimônio necessário. Nada disso significa que melhorar o padrão de vida seja um erro. Trabalhamos também para usufruir da renda que conquistamos. O cuidado está em transformar automaticamente cada aumento de renda em novas despesas permanentes. Um carro melhor, um imóvel maior ou mais serviços podem caber perfeitamente no orçamento de hoje, mas, também, aumentar bastante o patrimônio necessário amanhã. Por isso, antes de incorporar uma nova despesa recorrente, podemos acrescentar uma pergunta ao conhecido "cabe no meu orçamento?": quanto patrimônio precisarei acumular para continuar pagando por ela quando não quiser ou não puder mais trabalhar? Assim como acontece com a mala, o problema não é apenas o peso que colocamos nela. É por quanto tempo teremos de carregá-lo. O verdadeiro custo de R$ 1.000 adicionais no padrão de vida não está apenas nos R$ 1.000 deste mês, mas no patrimônio que deixamos de acumular e naquele que passaremos a precisar no futuro. No caso daquele planejamento, tirar R$ 1.000 da mala significou conseguir carregá-la por quase oito anos a mais. Michael Viriato é planejador patrimonial e sócio fundador da Casa do Investidor. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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