Como bispo, Teo Hayashi se apresenta como lideran�a da nova gera��o

Como bispo, Teo Hayashi se apresenta como lideran�a da nova gera��o

Um dos temas mais debatidos entre evangélicos em junho foi a ordenação de Téo Hayashi como bispo, um rito que eleva um pastor a um cargo de autoridade reconhecido por outras igrejas e lideranças. A ação foi uma jogada importante no xadrez do evangelicalismo brasileiro, e interessa a quem está fora desse mundo também: com cerca de 30% da população, os evangélicos elegem presidentes, governam estados e pautam debates públicos. Importa saber quem lidera esse campo. Líder da Zion Church e fundador do Movimento Dunamis, Hayashi foi ordenado bispo no dia 21 de junho, em São Paulo, durante a conferência Voz de Sião, por um grupo de bispos que incluiu nomes internacionais, como a missionária Heidi Baker, e brasileiros, como Robson Rodovalho. O ato recebeu o reconhecimento da Comunhão Internacional de Igrejas Carismáticas (ICCC) e o endosso de denominações que vão do pentecostalismo clássico, caso das Assembleias de Deus, a redes carismáticas globais. Em um vídeo divulgado no Instagram na véspera da ordenação, o pastor ironizou as possíveis mudanças que ela traria, indicando que não haveria transformações substanciais no dia a dia da igreja. Faz sentido. A questão central é o credenciamento de Hayashi como liderança evangélica brasileira, reconhecida por líderes de dentro e de fora do país, num cenário carente de novas lideranças. Silas Malafaia, Edir Macedo, José Wellington e Rodovalho são figuras formadas em outro tempo. Projetaram-se na era da televisão, dos grandes templos, do crescimento das cidades e da ascensão evangélica como força eleitoral. Eles ainda conservam poder, mas são evidentes os limites de uma linguagem feita para outro Brasil: uma linguagem de comando, palanque e púlpito, mais acostumada a falar para multidões do que a dialogar com fiéis que hoje circulam entre diferentes igrejas, conferências, redes sociais e comunidades menos formais. Para uma geração que busca autenticidade e experiência, a liderança que orienta de cima para baixo já não produz o mesmo efeito. Nesse tabuleiro, há espaço para Hayashi avançar, e a ordenação não foi seu primeiro lance. O Dunamis é uma missão voltada à formação espiritual de jovens universitários e está entre os organizadores do The Send Brasil, um dos maiores eventos evangélicos do país, dedicado ao evangelismo e ao engajamento social. A edição deste ano ocupou cinco estádios simultaneamente, nas cinco regiões do país. Hayashi se apresenta justamente nesse espaço: não como outsider do mundo evangélico, mas como alguém capaz de combinar linguagem jovem, estética contemporânea, redes internacionais e sinais tradicionais de autoridade. Sua força está em não depender exclusivamente do púlpito, da televisão ou da política institucional; sua influência circula por podcasts, universidades, redes sociais, ministérios de música e comunidades de formação.Por isso, a ordenação não deve ser lida como mera vaidade ou detalhe protocolar. É um gesto de posicionamento. Em um campo fragmentado, desgastado por escândalos e sem quadros capazes de dialogar com os mais novos, Hayashi ensaia um passo além: converter a influência sobre uma geração em liderança sobre um campo. Sua trajetória sugere qual poderia ser essa nova forma: uma liderança que não depende de palanque nem de candidato, e que pode, por isso, manter mais distância da política eleitoral do que seus antecessores. Os evangélicos brasileiros têm razões para estar fartos da fé instrumentalizada a serviço de campanhas, conforme demonstrou estudo realizado pelo INCT ReDem, divulgado pela Folha. Segundo o estudo, 75,2% dos evangélicos rejeitam que o púlpito das igrejas seja usado para campanha política. Hayashi parece entender isso. Se usará posição para construir algo diferente ou se chegará ao mesmo lugar das velhas lideranças por caminhos novos, cabe ao bispo demonstrar.

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