Um convite para um café na sede da PF (Polícia Federal), no Rio de Janeiro, deu início à Operação Unha e Carne. Em 3 de dezembro de 2025, o então presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Rodrigo Bacellar (União Brasil), foi convidado pelo superintendente Fábio Galvão e saiu dali preso. A estratégia da PF para evitar a espetacularização da prisão virou meme no meio policial, com figurinhas de Galvão oferecendo um cafezinho. Dez meses e oito fases depois, a operação chegou, nesta quinta-feira (15), à prisão do deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) e do delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio. Por sua defesa, Canella disse que "confia em Deus, na Justiça e que tem certeza que tudo será esclarecido". O advogado Thiago Minagé, que representa Amim, disse que aguarda acesso "à decisão para prestar os devidos esclarecimentos". A investigação, que começou com a suspeita de que Bacellar tinha vazado informações da Operação Zargun a TH Joias, então deputado estadual suspeito de negociar com o Comando Vermelho, passou por um desembargador federal, contratos da educação, o jogo do bicho e a posse de fuzis até chegar a uma rede de postos de combustíveis que teria movimentado R$ 7,6 bilhões em seis anos. As defesas de TH Joias e Bacellar negam as acusações. Ainda em dezembro, a segunda fase buscou a origem do vazamento e chegou ao Judiciário federal. A PF prendeu o desembargador Macário Ramos Júdice Neto, do TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região). Segundo a investigação, ele teria repassado informações a Bacellar, que as teria transmitido a Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, apontado como articulador político do Comando Vermelho. A defesa de Macário negou as acusações. Foram um mandado de prisão e dez de busca, no Rio e no Espírito Santo. Em março de 2026, na terceira fase, Bacellar foi preso novamente, em Teresópolis, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). A PGR (Procuradoria-Geral da República) apontou indícios de uma estrutura de proteção institucional ao crime organizado, que envolveria o ex-presidente da Alerj, TH Joias e o desembargador. A quarta fase, em maio, desviou o foco do vazamento. O alvo passou a ser a suspeita de direcionamento de contratos da Seeduc (Secretaria de Estado de Educação) em escolas da Diretoria Regional Noroeste, esquema identificado a partir de material apreendido na primeira fase. Foi preso o deputado estadual Thiago Rangel (Avante). Foram sete mandados de prisão preventiva e 23 de busca, por suspeita de fraude em licitação, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Na data da prisão, a defesa negou que o deputado tivesse cometido qualquer crime e afirmou que ele prestaria todos os esclarecimentos necessários nos autos da investigação. Na quinta fase, em 2 de julho, a PF se voltou ao pagamento de agentes públicos por grupos do jogo do bicho e da chamada Máfia do Cigarro, a partir de uma planilha apreendida na Operação Fumus, de 2021. Ao menos 20 políticos estão sob apuração. Foi preso o pastor Márcio Poncio. O contraventor apontado pela PF como "o mais sanguinário dos capo", Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e Bacellar, que já estavam presos, foram alvos de novos mandados. Houve também buscas contra Marco Antônio Cabral. A fase teve 14 mandados de busca e bloqueio de até R$ 22 milhões. A advogada de Cabral afirmou ele nega, "de forma categórica, qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou o recebimento de valores de origem ilícita". O advogado de Adilsinho, "rechaça a alegação de pagamento de vantagens indevidas". A defesa de Poncio não se pronunciou na ocasião. Cinco dias depois, em 7 de julho, a sexta fase mirou pela primeira vez a rede de postos de combustíveis. Foram 19 mandados de busca, no Rio, em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende, além de sequestro de bens e suspensão das atividades das empresas. Márcio Canella e Amim foram alvos. A investigação nasceu de um relatório do Coaf e apura organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro. Canella chegou a ser preso em flagrante com um fuzil, foi solto por Moraes em 10 de julho e teve as medidas cautelares retiradas em 23 de julho. A defesa afirma que a arma estava acautelada para o policial militar responsável por sua escolta. Na ocasião da prisão, Canella era pré-candidato ao Senado, com apoio do senador Flávio Bolsonaro, do PL (Partido Liberal). A mãe do senador, Rogéria Bolsonaro, foi escolhida para ser a primeira suplente da pré-candidatura. Em 3 de agosto, quase um mês depois da prisão, Canella desistiu do Senado e disputou uma vaga na Alerj, para a qual foi eleito como o segundo deputado mais votado, com 197.178 votos. A sétima fase, em 22 de setembro, teve três mandados de busca, na Barra da Tijuca, no Recreio e na Câmara Municipal do Rio. O vereador Jorge Canella foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de uso restrito, com dois fuzis e uma submetralhadora apreendidos. Ele não é parente de Márcio Canella e teve este como padrinho político na campanha de 2024. A assessoria não se pronunciou na data. A oitava fase também cumpre decisão de Moraes. São seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca, em sete municípios. Além de Márcio Canella e Amim, foram presos quatro inspetores da Polícia Civil. A decisão também suspendeu atividades de empresas e autorizou o bloqueio de até R$ 700 milhões. A operação segue as diretrizes do STF na ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 635. A PF atribui aos investigados os crimes de organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel.
Como a Opera��o Unha e Carne, que come�ou com um convite para um caf� na PF, chegou a oito fases
Full Article
Original Source
Read the full article at Www1 →KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.