Como a IA redefine a ger�ncia m�dia e exige nova forma��o para l�deres

Como a IA redefine a ger�ncia m�dia e exige nova forma��o para l�deres

Esta é uma edição da newsletter Folha Carreiras. Quer recebê-la às segundas-feiras no seu email? Inscreva-se abaixo: Folha Carreiras Informações semanais sobre mercado de trabalho e dicas para universitários e recém-formados alavancarem sua vida profissional Entre as posições de entrada no mercado corporativo e a alta liderança, existe um recheio importante que o mercado costuma chamar de gerência média. As pessoas que ocupam esses cargos, como coordenadores e gerentes, estão passando por um momento crucial da carreira: aprender a ser líder. Eles fazem a ponte entre o que é técnico, que geralmente vem da base, e o que foi decidido pela cúpula da empresa. A chegada da IA (inteligência artificial) pode achatar essa parte da pirâmide e fazer com que as empresas disponibilizem menos cargos do tipo. Se um sistema consolida o relatório, acompanha a atividade e cobra o prazo, o que sobra para o gerente? Foi o que perguntei para Ricardo Basaglia, CEO da Michael Page, e Vívian Broge, especialista em RH. Sua aposta é que as empresas criem outras experiências de liderança, mais breves, antes de entregar cargos. Para quem está na base, ele prevê que a responsabilidade por ensinar o funcionamento de uma empresa recaia cada vez mais sobre a universidade e os estágios. O que sobra. Vívian Broge diz que a liderança faz muita gestão de recursos técnicos, humanos e financeiros. Com a automação, será convidada a "pensar futuros possíveis". Inovação, criatividade e empatia serão cada vez mais exigidas. Basaglia lembra outro ponto: a IA, com sua mania de tentar agradar a todos, convence de qualquer ideia —inclusive das ruins. O gestor assume a responsabilidade de dizer quais soluções dadas pela tecnologia não servem para a empresa. Ele lista competências que quem quer chegar à liderança precisa desenvolver: Julgamento e decisão. Interpretar, questionar, priorizar e assumir risco. Orquestrar humanos e IA. Saber o que fica com a tecnologia e o que fica com as pessoas. Desenvolver pessoas. Virar "multiplicador de talentos", formando os próximos líderes. Traduzir estratégia. Transformar decisões da diretoria em prioridades diárias. Influenciar e gerir conflitos. Mobilizar pessoas sem depender da autoridade hierárquica. Gerir mudança. Ajudar a equipe a incorporar tecnologia e superar resistência sem comprometer a entrega. Importa tanto assim? Basaglia cita dados do Guia Salarial da Michael Page: 92% das empresas veem ganho concreto com IA, mas só 15% a consideram requisito importante para contratar. Para 90% dos profissionais, a relação com a liderança pesa (muito ou moderadamente) na decisão de trocar de emprego, e só 4% das empresas apontam o investimento em liderança como principal estratégia de retenção. Já 69% citam a falta de crescimento como motivo para sair. ↳ Cortar camadas de gestão justamente quando a qualidade da liderança é decisiva para reter gente pode ser um tiro no pé das empresas. Para Vívian, desenvolver alguém exige "100% de desafio e 100% de suporte". Cabe à liderança propor desafios com IA e pensar junto com os subordinados nas respostas que nem ela tem, como uma forma de retenção e treinamento. Ela defende experimentar e ampliar o repertório como formas de desenvolver talentos e alçá-los a cargos de liderança. Efeitos colaterais. Basaglia vê dois riscos em reduzir as camadas de liderança e atribuir cargos de mediação à IA. O primeiro é o isolamento: as pessoas perguntam menos aos colegas e perdem as histórias e o reconhecimento de quem entende de cada tema. Ele teme ficar "mais inteligente individualmente, só que menos inteligente coletivamente". O segundo é a expectativa moldada por um robô que elogia tudo, num país em que, diz, conversa difícil costuma estar entre os três maiores desafios das organizações. O que se precisa é de atrito de ideias: "O tamanho da sua carreira é limitado pelas conversas que você evita", avalia. Que conversa difícil você está evitando e que a IA não vai ter por você? De olho no mercado Veja o que está acontecendo no mundo corporativo Menos notas e mais discussão é a tendência das empresas quando falamos de feedback, segundo levantamento da Mereo, empresa de gestão de pessoas. A pesquisa "Gestão por Competências" analisou 138 empresas de 37 setores, com dados de 2025 e do primeiro semestre de 2026. 52% não divulgam a nota numérica ao colaborador; 82% permitem alterar a nota por competência ou fator de avaliação na etapa de calibragem. 48% das empresas calibram o resultado antes de o líder iniciar a conversa com o time; 41% seguem o fluxo sem calibragem. O avaliado também ganha protagonismo no desenvolvimento: em 58% das empresas, o PDI (Plano de Desenvolvimento Individual) é cadastrado pelo próprio avaliado. "[O] líder muda de papel nessa relação. Ele passa a orientar, revisar e acompanhar a execução", afirma Ivan Cruz, cofundador e diretor da Mereo. Anota aí Dicas que podem te ajudar a conquistar as vagas que você quer ↳ Trainee no BNP Paribas O banco francês abriu inscrições para o programa Graduate, que oferece vagas de trainee em seis áreas de atuação: tecnologia, operações, finanças, gestão de projetos, qualidade e eficiência, risco e controle e compras. Os participantes terão acesso a mentorias com profissionais da alta liderança do banco e a possibilidade de realizar uma imersão em Nova York. As vagas exigem dias de trabalho presencial em São Paulo. Podem se candidatar pessoas com graduação concluída desde dezembro de 2024 ou com previsão de conclusão até julho de 2027, e que tenham inglês avançado ou fluente. As inscrições ficam abertas neste link até o dia 6 de novembro. ↳ Estágio na Bold Hospitality Company A empresa que opera marcas como Outback, Abraccio e Shake Shack no Brasil abriu vagas em seu primeiro programa de estágio. Serão dez candidatos escolhidos para áreas como tecnologia, cadeia de suprimentos, recursos humanos, marketing e projetos. Podem se inscrever estudantes com previsão de conclusão da graduação entre julho e dezembro de 2028. As candidaturas podem ser feitas a partir deste link até o dia 10 de novembro. ↳ Estágio na Votorantim Cimentos A empresa escolhe 12 candidatos para vagas distribuídas entre unidades em alto de Pirapora (SP), Votorantim (SP), São Paulo, Rio Branco do Sul (PR), Edealina (GO), Cuiabá (MT), Laranjeiras (SE), Sobral (CE) e Primavera (PA). O programa é voltado para estudantes no último ano da graduação em engenharia mecânica, engenharia de minas e outras engenharias relacionadas às áreas de manutenção, operação e mineração. Para participar, é necessário ter concluído as disciplinas teóricas do curso e possuir como pendência acadêmica apenas o estágio obrigatório. As inscrições ficam abertas neste link até 9 de novembro.

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