Como a gera��o Z liderou a virada hist�rica de Lula

Como a gera��o Z liderou a virada hist�rica de Lula

No dia 5 de outubro, depois de Lula terminar atrás no primeiro turno das eleições, um grupo de estudantes da Universidade Federal Fluminense, em Niterói, saiu na chuva para fazer o primeiro de muitos atos organizados pela juventude de esquerda pelo Brasil. Na mesma semana, jovens parlamentares eleitos por este campo político se reuniram com o presidente para planejar a estratégia dos 20 dias seguintes. "Aquela reunião foi uma virada de chave", diz Guilherme Cortez (PSOL), um dos presentes. "Houve um consenso de que a gente tinha falhado no primeiro turno em motivar as pessoas a irem votar." Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos. Foi a primeira vez que um candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar virou e se elegeu presidente. No discurso da vitória, ele agradeceu a generosidade da juventude que foi para a rua defender a democracia. Antes dele, Geraldo Alckmin saudou os jovens e disse que o futuro começava naquele dia. Nessas três semanas, a UNE e coletivos estudantis fizeram atos em dez estados e no Distrito Federal. Os maiores deles foram na avenida Paulista, em 11 de outubro, e 24 de outubro, na véspera da votação. Os jovens disputaram indecisos, encheram as redes e levaram pais e avós às urnas, numa operação que a internet apelidou de cata-véio. Para a educadora e psicanalista Carolina Delboni, que pesquisa comportamento adolescente, a diferença estava na motivação. "Ao contrário dos adultos, que se mobilizam pelo medo, os jovens se mobilizam pela esperança." Ela lembra que, na adolescência, é nos grupos que as ideias ganham validação e que se encontra pertencimento. Os atos na rua e até os fandoms viraram esse espaço. "No Brasil, há muito tempo a gente não via o jovem na rua dizendo o que ele pensa e lutando pelo que ele pensa", diz. O nome mais creditado pela virada é André Janones (Rede), criador do Exército do Lula, canal de WhatsApp que chegou a cerca de 11 milhões de seguidores. Mas houve outros. Guilherme Cortez foi eleito deputado federal pelo PSOL de São Paulo com 275.450 votos. No começo do ano, tinha rodado universidades paulistas com uma caravana para disputar a geração Z com a direita. No segundo turno, repetiu o roteiro pelo país e passou pelas cinco regiões em três semanas. Esteve em Macapá e no Rio de Janeiro, duas capitais em que Lula virou, e em Florianópolis, onde o petista cresceu muito entre os turnos. "Eu vi diante dos meus olhos o medo das pessoas se transformando", diz. "As pessoas perguntavam: ‘Mas por que vai dialogar na universidade? Lá todo mundo já está convencido’. Primeiro que não. E, segundo, foi um público muito importante para mobilizar todos os demais segmentos. Foi esse público que levou seus avós para votarem, que disputou votos de indecisos, que organizou e protagonizou as manifestações", afirma o deputado eleito. Ana Elisa, 21, que se elegeu deputada federal pelo PT com 524.219 votos em Minas Gerais, concentrou a campanha no próprio estado. Janones transformou o WhatsApp em quartel-general. Antes do primeiro turno, foi um dos poucos a avisar que Flávio terminaria na frente. Depois, passou três semanas convocando seus "soldados" para a virada. Jones Manoel, primeiro deputado federal do PSOL eleito no Nordeste, com 249.077 votos em Pernambuco, assumiu a região. Defendia que a campanha pela tarifa zero deveria ser abraçada pelo governo, e foi às ruas com a pauta. Lula venceu em oito das nove capitais nordestinas. O resultado foi contestado por pouco tempo. Na noite de domingo, Flávio Bolsonaro (PL) disse que era impossível reconhecer a eleição e que pediria a anulação. No dia seguinte, recuou. Nikolas Ferreira (PL) publicou um vídeo em que associa os eleitores de Lula a criminosos e satanistas e diz que quem celebrava estava de costas para Deus. Cortez respondeu: "É choro de perdedor, e esse choro Deus não escuta." O deputado mais votado da história foi responsabilizado por uma ala do PL pela derrota em Minas Gerais, onde Lula virou. Enquanto Nikolas rodava o Brasil com o Bloco do 22, Ana Elisa ficou articulando no próprio estado. "É um fracasso, tem um engajamento maior que o da Kim Kardashian, e perdeu para a gente", encerra Cortez.

Original Source

Read the full article at Www1 →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.