Comiss�o eleitoral de Israel descarta fraude ap�s auditoria, mas extrema direita contesta resultado

Comiss�o eleitoral de Israel descarta fraude ap�s auditoria, mas extrema direita contesta resultado

A Comissão Eleitoral Central anunciou nesta quarta-feira (4) que concluiu uma auditoria em 9.069 seções eleitorais após receber denúncias de fraude e que não encontrou provas que colocassem em dúvida a integridade dos resultados. O órgão aprovou os números finais com 15 votos a favor e dois contra, enquanto outros 14 membros se abstiveram. Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional ultranacionalista conhecido por suas declarações extremistas sobre os palestinos, afirmou que seu partido não aceita os resultados e pediu a prisão dos líderes dos partidos árabes-israelenses. O líder da oposição Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior que prometeu virar a página após o longo e polêmico mandato de Binyamin Netanyahu, acusou o primeiro-ministro de tentar "minar a democracia israelense" e alimentar o sentimento contra os representantes eleitos. "Não permitiremos que o Estado de Israel seja arrastado para um abismo sombrio, muito além dos limites da conduta democrática", declarou Eisenkot durante evento em memória do assassinato do primeiro-ministro Yitzhak Rabin em 1995. Eisenkot advertiu Netanyahu contra o início de uma nova guerra contra o Irã ao lado de seu aliado, o presidente americano Donald Trump, que acaba de sofrer um importante revés com a vitória democrata nas eleições de meio de mandato. Netanyahu é o premiê que mais tempo permaneceu no cargo em Israel, onde governou de forma intermitente por quase duas décadas. A partir desta quarta, o presidente de Israel, Isaac Herzog, realiza negociações para a formação do novo governo. Em pronunciamento, o líder defendeu a busca por um consenso —uma vez que nenhum dos lados saiu vencedor das eleições— e condenou, em paralelo, o que chamou de retórica "racista" contra partidos árabes, que conquistaram uma presença recorde no Parlamento. Herzog realizará dois dias de consultas iniciais e, em seguida, concederá a um dos candidatos 28 dias para formar o governo, com uma possível prorrogação de 14 dias. A expectativa é que o presidente conceda a primeira oportunidade de formar governo a Netanyahu ou a seu rival, Gadi Eisenkot. O presidente ainda pode escolher outro parlamentar, mas analistas indicam que sua primeira escolha deve ser entre os dois principais adversários. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Como nenhum dos dois blocos obteve maioria no Parlamento, de 120 cadeiras, após a votação de 27 de outubro, Herzog afirmou que ambas as partes deveriam aceitar que "nem todos os compromissos e promessas podem ser cumpridos" e pediu que se evitem novas eleições. O pleito de outubro registrou um forte avanço das listas árabes, que representam os descendentes dos palestinos que permaneceram em Israel após sua criação em 1948 e que rejeitam a retórica e as políticas do governo de Netanyahu, aliado à extrema direita. O premiê atacou esses partidos, cujo apoio poderia permitir que Eisenkot formasse um governo, e destacou a prisão de várias pessoas com envelopes de dinheiro no dia das eleições, em incidentes que as autoridades classificaram como isolados. Ele também acusa líderes de partidos árabes de receber dinheiro do Qatar, uma acusação que também recai sobre colaboradores do próprio Netanyahu. Sem mencionar nenhum líder, Herzog, cujo cargo é principalmente representativo, afirmou sentir um "grande respeito" pela minoria árabe, que representa cerca de 20% da população israelense. "Condeno a grosseria e as expressões racistas que ouvimos recentemente. Elas não têm lugar contra nenhuma comunidade de Israel", declarou. O Ra'am, uma das duas principais formações árabes, anunciou nesta quarta, de se reunir com Herzog, que "decidiu recomendar Eisenkot para formar o próximo governo".

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